O que a imprensa local não informou sobre a visita à Macaé do ex-ministro José Dirceu
*Almir da Silva Lima
A visita do ex-ministro e deputado federal cassado José Dirceu (PT/SP) no último dia 21 à Macaé, acabou tendo uma cobertura jornalística acrítica por parte da imprensa local. Isto é, não coerente com os preceitos do jornalismo que definem " jornais não existem para adoçar a realidade, mas para mostrá-la à opinião pública de um ponto de vista crítico. Mesmo quando não está opinando nem interpretando, o jornalista deve estar criticando os fatos que noticia ao dissecá-los. Jornais devem exercer um jornalismo crítico em relação a todos e quaisquer partidos políticos, grupos, tendências ideológicas e acontecimentos ".
Sem a intenção de bancar o ombudsman da imprensa local, não foi isso que ocorreu na cobertura jornalística da palestra proferida pelo ex-ministro no teatro do Sindipetro-NF, na noite de 21 de junho quando, o deputado federal petista cassado deu continuidade ao ciclo de eventos acerca da realidade brasileira, como parte comemorativa dos 10 anos de existência do sindicato. Já na semana anterior à da palestra de José Dirceu, surgiram as primeiras medidas restritivas bancadas pela atual diretoria colegiada do Sindipetro-NF, causadas pelo corporativismo de entregar convites somente aos sindicalizados.
Até ali, nenhuma novidade. No mandato anterior (2003-2005), com a posse do presidente Lula ocorreu o absurdo de três diretores acumularem suas funções sindicais com gerências na Petrobrás. Não foi o nosso caso, porém houve jornalista desavisado e sem convite que por muito pouco não foi impedido de fazer a cobertura. Embora, curiosamente tenha sido o mesmo que utilizou a múltipla função de repórter-pauteiro-redator-editor e diretor responsável, para dedicar à palestra do ex-ministro, chamada na capa e página central inteira, tendo ambas fotos coloridas. Isso, numa edição. Na outra, longo editorial. O acriticismo da cobertura jornalística exacerbou-se ao ter deixado de informar que momentos antes, durante e após a palestra, ocorreram "repressões" bastante constrangedoras. Do lado de fora, pela vigilância do carro da PM com alguns policiais militares. À entrada e dentro do sindicato, pelos taciturnos seguranças de ternos pretos, quase todos homens negros, parecendo "capitães-do-mato".
Os tempos mudaram mesmo, quem diria que um dia, em plena democracia (ainda que burguesa), o ex-ministro viesse a se utilizar destes "expedientes" que ele próprio combateu (na acepção da palavra) durante os chamados anos de chumbo (ditadura militar). Em outros tempos, quem chamava a PM para reprimir as greves petroleiras era a direção da Petrobrás. Agora, incoerentemente quem chama os policiais militares são os sindicalistas do Sindipetro-NF, tidos como cutistas e petistas.
*jornalista, pré-candidato a deputado estadual .
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