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'...Macaé, ano I, Nº 45 - 8 a 15 de dezembro de 2006
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www.fabricasocupadas.org.br/pan.htm

Encontro Pan-Americano começa dia 8, na Cipla

Trabalhadores das Américas discutem
emprego, reforma agrária e direitos

Encontro vai discutir fábricas ocupadas e direito à terra. Lutas comuns nos países do continente e que afetam a vida de milhões de famílias.

Os trabalhadores das Fábricas Ocupadas que já fizeram três Conferências Nacionais e participaram do Encontro Latino Americano, em Caracas, em 2005, realizam agora o Encontro Pan-Americano em Defesa do Emprego, dos Direitos, da Reforma Agrária e do Parque Fabril.

O evento que acontece de 08 a 10 de dezembro, em Joinville, deve reunir 500 representantes de 16 países das Américas, além de convidados europeus.

Juntos com as Fábricas estão o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), a Central Única dos Trabalhadores (CUT/SC), o Centro de Direitos Humanos-Joinville (CDH), o Movimento Nacional de Empresas Recuperadas (MNER), da Argentina, a Frente Revolucionária de Empresas em Cogestão e Ocupadas (FRETECO), da Venezuela e a da Central PIT-CNT - que coordena as fábricas recuperadas do Uruguai.

Foram confirmadas adesões de trabalhadores dos Estados Unidos (leia abaixo), das fábricas ocupadas do Paraguai, sindicalistas do México. da Federação dos Trabalhadores Mineiros da Bolívia, além da presença do Sindicato Nacional de Metalúrgicos da Itália e sindicatos e ativistas de fábricas da Espanha e da Inglaterra.

A instalação do evento, aberta ao público, acontece às 15 horas desta sexta-feira, dia 8, na Cipla, e deve contar com a presença de autoridades e lideranças políticas e sindicais, tanto do Brasil, quanto do exterior. No dia 9, sábado, os delegados se reúnem em grupos para discutir: fábricas ocupadas, reforma agrária e transgênicos, criminalização dos movimentos sociais, jurídico, e serviços públicos e reestatização.  A plenária de encerramento começa as 9 horas e está prevista para terminar as 13 horas do dia 10.

O Encontro é resultado dos quatro anos de lutas do movimento que vem reunindo lideranças do movimento operário e popular, do Brasil e do mundo.

ESTADOS UNIDOS

Encontro nos Estados Unidos aprova moção de apoio

Em novembro, sindicalistas e trabalhadores dos estados de Missouri, Illinois e Indiana (nos Estados Unidos) se reuniram na cidade de St. Louis para discutir a situação do movimento operário de seu país. Neste encontro, foi aprovado o apoio aos trabalhadores de empresas recuperadas, ocupadas e em luta na América Latina e apoio ao Encontro Pan Americano, bem como a sua difusão dentro do movimento operário estadunidense.

MOÇÃO DE APOIO : Neste Encontro de trabalhadores da base de todo o médiooeste (Estados Unidos), mandamos nossas mais fortes saudações solidárias aos trabalhadores de FRETECO, Cipla, Interfibra, Flaskô, e todas as outras fábricas latino-americanas que estão ocupadas, sob controle operário e em luta. Mandamos nossa solidariedade ao Encontro Pan Americano em defesa do emprego, dos direitos e da Reforma Agrária, que se realizará em Joinville, Brasil. Trabalharemos aqui nos Estados Unidos para mandar uma delegação e para difundir informação sobre este evento tão importante.

BRASIL

Reuniões preparam o Pan-Americano

Em todo o Brasil, o Pan-Americano tem sido organizado com sindicatos e movimentos populares e em encontros preparatórios.

SANTA CATARINA - Em Joinville os delegados da Cipla e Interfibra foram eleitos em reunião por setor. Um trabalho de preparação está sendo desenvolvido nos bairros e portas de fábricas. De Florianópolis devem participar trabalhadores do serviço público e juventude. Em Blumenau, o Encontro está sendo organizado com sindicatos da cidade, tendo à frente o Sindicato dos Têxteis que tem na sua base a empresa Sul Fabril, falida em 1999, e onde seus 980 funcionários discutem a ocupação da fábrica.

SÃO PAULO - Da região de Sumaré e Campinas, saem dois ônibus com operários da Flaskô, trabalhadores metalúrgicos de Campinas, petroleiros, sem-terra, municipais, Associação de Moradores da Vila Mogiana - ferroviários, entre outros. Da cidade de São Paulo, o Sindicato dos Vidreiros vai enviar representantes. Em Santos, os petroleiros, servidores, metalúrgicos e portuários vão confirmar delegações.

PERNAMBUCO - Está confirmada a saída de um ônibus com trabalhadores de vários setores: gráficos, costureiras, químicos, borracha, bebibas, ferroviários, além de dirigentes da CNQ (Confederação Nacional dos Químicos) e SINPRO (Sindicato dos Professores da rede privada).

OUTROS ESTADOS - Também no Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Alagoas, trabalhadores de diversas categorias preparam suas delegações para participar do Encontro Pan-Americano, em Joinville.

Flaskô realiza Pré-Encontro em Sumaré

O plenário do evento aprovou 9 resoluções de solidariedade e luta para ampliar movimento em toda a Região.

Cento e cinqüenta pessoas participaram do 4º Encontro Regional de Sumaré e Região em Defesa do Emprego, dos Direitos, da Moradia Popular, da Reforma Agrária e do Parque Fabril, dia 25/11. A atividade marcou a preparação do Encontro Pan-Americano e reuniu lideranças e representantes de 27 entidades operárias, da juventude, populares da região, do Rio de Janeiro e Prefeitura de Sumaré.

Os participantes aprovaram uma resolução com nove itens e moções de apoio aos trabalhadores e Sindicato da Plascalp (Feira de Santana/Ba) e aos operários da fábrica recém ocupada Sanitários Maracay (Venezuela). A ampliação da luta pela estatização da Flaskô, pela regulamentação de todas as ocupações de terra e moradia e serviços públicos como na Vila Operária e Popular, ao lado da fábrica, pela reestatização da Vale do Rio Doce e contra a privatização dos Correios fazem parte do documento.

"- Àqueles que ousam nos dizer que não há saída, que não há como enfrentar a força do capital, nós respondemos com nossa determinação de combater, em unidade, em defesa de tudo o que a humanidade construiu como progresso social", reiteraram na resolução os participantes.

VENEZUELA

Fábrica recém ocupada estará no Encontro

Em março desse ano, os 800 trabalhadores da Sanitários Maracay, na Venezuela, exigiram o fim de 19 cláusulas da contratação coletiva. Como consequência desse protesto, a patronal abandou a empresa e os trabalhadores se viram obrigados a tomá-la durante 42 dias. Na ocasião, se conseguiu um compromisso do empresário em pagar os salários não pagos, uniforme e demais reivindicações. Estes compromissos nunca foram cumpridos.

Desde então, o patrão vinha realizando uma sabotagem no funcionamento da empresa e impedindo seu normal funcionalmento. Dia 14 de novembro a patronal declarou o fechamento da fábrica. Os trabalhadores em assembléia, por unanimidade, decidiram ocupá-la e manter a produção para garantir os postos de trabalho e os direitos.

Decisões da assembléia  dos trabalhadores

"Tomamos a fábrica em defesa de nossos "empregos e da revolução, contra a sabotagem patronal. Construiremos um Comitê de Fábrica com 21 membros junto com o sindicato. Faremos uma carta ao povo e aos trabalhadores. Vamos nos unir com as outras entidades sindicais. Nos dirigimos ao governo para que nos recebam e atendam nossas reivindicações: expropriação - estatização com controle operário - com imediato aporte financeiro e compromisso de comprar os produtos da fábrica. Reafirmamos a participação dos trabalahdores no Encontro Pan-Americano na CIPLA."

O combate pelo controle operário

Os trabalhadores debatem e aprovam um plano de ação para extender a ocupação de empresas em toda Venezuela.

A Frente Revolucionária de Trabalhadores de Empresas em Cogestão e Ocupadas (FRETECO) da Venezuela, realizou nos dias 13 e 14 de outubro, em Caracas, seu segundo Encontro Nacional. Participaram 60 delegados das fábricas e mais 40 convidados, entre os quais Serge Goulart, Evandro Pinto, Maritânia Camargo e Wanderci Bueno, da Cipla-Interfibra-Flaskô.

Serge Goulart sinalizou que a batalha deve estar centrada na luta pela estatização, evitando a todo o custo o trágico caminho das cooperativas que transformam os operários em patrões. Falou, ainda, sobre a importância das fábricas tomadas na Venezuela se organizarem para participar do Encontro Pan-americano.

A partir dos debates iniciais, verificou-se que a luta das fábricas não poderia estar centrada na discussão dos estatutos e que as propostas apresentadas estavam nos marcos das cooperativas, onde se impunham aos trabalhadores o caminho de transformá-los em proprietários. Constatou-se também que os projetos da INVEPAL e INVEVAL não rompiam com os limites da co-gestão, transformando os trabalhadores em acionistas sob a base da fórmula 51% das ações para o estado e 49% para os trabalhadores cooperados.

Foi reafirmado o combate pelo controle operário e pela estatização no quadro da luta pela revolução. Que o estado tenha os 100% das ações e que o controle das fábricas seja dos operários.

Foi eleita uma coordenação com dois representantes de cada fábrica tomada na Venezuela, com a tarefa de organizar o debate com as trabalhadoras da empresa Sel Fex pela sua ocupação, pela organização de reuniões na base para preparar o Encontro Pan americano, pelas reivindicações e pelo socialismo.

URUGUAI

14 empresas ocupadas no Uruguai

O 4º Encontro Nacional de Empresas Recuperadas pelos Trabalhadores do Uruguai, promovido pela PIT/CNT, no dia 25 de novembro, reuniu representantes de 14 fábricas para discutir justiça social e trabalho digno, e também para definir a delegação de 40 representantes que participarão do Encontro Pan-Americano, na Cipla, em Joinville.

O movimento de empresas recuperadas no Uruguai surge a partir dos conflitos provocados pelos patrões, endividamento e não pagamento de salários. Logo que começaram as ocupações, encontraram muitos entraves. Passado este início, as empresas foram colocadas a produzir.

"Temos demonstrado que podemos trabalhar, podemos administrar as empresas e temos bons resultados. Há cerca de 1.000 trabalhadores em torno dessas fábricas e essa cifra poderá aumentar, num momento em que se fala muito dos índices de desemprego", afirma Oliveira, integrante da Mesa Coordenadora de Empresas Recuperadas da PIT/CNT.

O Uruguai produtivo deverá incluir estes projetos como novas formas de gestão do trabalho. Porque se trata de construir outro modelo de desenvolvimento, onde os trabalhadores sejam considerados atores produtivos em todas as dimensões, para pensar, fazer, orientar e decidir.

Mais informações: www.fabricasocupadas.org.br/pan.htm

ou (47) 3026-9140 - Assessoria de Comunicação das Fábricas Ocupadas.

CONTATOS:

Argentina: Eduardo Murúa (15) 5997-8769  - vascoeduardo@yahoo.com.ar

Brasil: Serge Goulart (47) 3026-9233 - (48) 9963-0295 - sergegoulart@cipla.com.br

Uruguai: Liliana Pertuy - 00598 2 - 4096680 - 4092267 - Fax 4004160 - lpertuy@yahoo.com.ar

Venezuela: Jorge Paredes - 0414-2254332   -  0414-2525566 -  frentecontrolobrero@gmail.com



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"Eles fecham, nós abrimos as fábricas. Eles roubam as terras e nós ocupamos. Eles fazem guerras e destroem nações, nós defendemos a paz e a integração soberana dos povos. Eles dividem e nós unimos. Porque somos a classe trabalhadora. Porque somos o presente e o futuro da humanidade". (Declaração do 1º. Encontro Latino Americano de Empresas Recuperadas pelos Trabalhadores, Caracas, 29/10/05).


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