Esportes
Por Thadeu Rabelo
Glorioso nas alturas
A estrela solitária brilha mais uma vez e conquista seu décimo oitavo título carioca
A torcida do Bota está em êxtase depois do jogo deste Domingo no Maracanã, o time sagrou-se campeão carioca depois de vencer o Madureira por 3 a 1. Dois de Dodô e um de Reinaldo.
Esse campeonato vencido pelo alvi-negro tornou-se histórico pelas péssimas seqüências do time nos últimos anos, o Bota sai da "fila" que ia aniversariar 9 anos sem título carioca, graças a Dodô, o craque do campeonato, a história foi bem diferente e com final feliz. Ele terminou o campeonato como artilheiro isolado depois de marcar dois na final.
Além da seca de títulos, em 2002 o clube amargou o rebaixamento para a segunda divisão nacional, com certeza passou pela cabeça de muitos que o Botafogo seguiria os passos do América e sumiria do certame nacional. Na foi o que aconteceu. O time voltou a primeirona no ano seguinte, porém, não empolgou, foi ameaçado pelo rebaixamento do início ao fim do campeonato.
A recuperação do Fogão começou no ano passado quando voltou a disputar a fase decisiva do carioca e conseguiu ficar na zona de classificação do campeonato brasileiro (melhor campanha em uma década) classificando-se para a Taça Sul-Americana, o clube volta a disputar um campeonato internacional depois de dez anos.
Apesar dos bons resultados só faltava um título para premiar essa reabilitação histórica e recolocar o Botafogo no brilho dos holofotes, nada melhor que o Campeonato Estadual de 2006, que esse ano teve um charme especial: É o campeonato dos 100 anos do futebol carioca, troféu levantado com fervor pelo capitão Scheidt.
A torcida alvi-negra já estava se acostumando a ouvir gozações dos rivais, a última vez o que o torcedor botafoguense viu-se deslumbrado foi em 1997 quando ganhou o título carioca em cima do Vasco, porém, a torcida se mostrou apaixonada pelo clube e não padeceu, mostra disso foi a linda festa feita na tarde de domingo passado.
Para os jogadores essa festa também teve um gosto todo especial, dos onze titulares nenhum havia sido campeão no Rio antes, e do elenco somente o lateral esquerdo reserva, Júnior César, já havia conquistado esse torneio pelo Fluminense.
O estadual dá motivação para a equipe no Campeonato Brasileiro, espera-se classificação para Libertadores, e o clube já tem o primeiro compromisso no domingo próximo frente ao Fortaleza, no Maracanã.
Confira a escalação campeã:
Lopes; Ruy, Rafael Marques, Scheidt e Bill (Júnior César); Thiago Xavier (Ataliba), Diguinho, Joilson (Glauber) e Zé Roberto; Reinaldo e Dodô
Técnico: Carlos Roberto
Crônica
UM BOM MENINO
Domingo. No guarda-roupa, a velha camisa 7 de 1995. No peito, o escudo da estrela solitária. Na cabeça, apenas a meta de ir ao Maracanã, o desejo de ver uma festa linda. Na garganta, apenas um grito entalado há 8 anos, ansioso para ser libertado nas próximas horas. Na chegada do estádio, o assobio clássico da Rádio Globo, sob a voz de José Carlos Araújo. O coro de "seremos campeões" sobe a grande rampa do Belini junto com a enorme massa alvinegra. Um dos momentos que mais me emociona se aproxima: Um pequeno túnel, que ao fim de sua luz, faz emergir uma imensa cratera verde ao redor de um colossal anel, completamente entupido de torcedores vestidos de preto e branco, cantando juntos em um coro ensurdecedor, estremecedor e arrepiante. O palco estava pronto. Entre um golaço do Dodô e um intervalo, notei os mais ilustres e folclóricos personagens também protagonistas deste espetáculo mágico. Velhos torcedores que palpitavam como técnico a cada lance; radinhos de pilha; biscoitos globo com matte leão; faixas de campeão sendo vendidas a 2 reais no primeiro tempo, 5 no segundo e 10 no final; criancinhas de colo; casais com paixões em comum; vaias ao adversário; olas; foguetes, bandeiras e bandeirões. A cada gol, o êxtase era compartilhado com abraços a velhos amigos desconhecidos estavam ao redor. A certeza do título foi se transformando em absoluta a cada toque de bola do time botafoguense no tapete verde. Quando estava comprando um mate, ouvi umas vaias e não vi o gol do Madureira. Depois do terceiro gol, bastou esperar. No apito final, as vozes já eram roucas de tanto comemorar antecipadamente. Os prantos já eram incontroláveis ao meio de gritos, na magistral entrada do bandeirão que fora estendido no gramado. Os tradicionais invasores de campo davam cambalhotas na mesma. A taça deu a volta olímpica em merecidas mãos.
Foi a final perfeita. Todo torcedor não quer sofrer, apesar deste fator ser fundamental para a permanência da paixão loucamente inexplicável. O medo da zebra tricolor suburbana passou muito longe. O sufoco que o Fluminense teve com o Voltaço não se repetiu com o Botafogo em 2006. Pude gritar "é campeão" sem hesitar aos 9 minutos do segundo tempo, depois de 9 anos sem título carioca. Pensando bem, é bom demais ser campeão sem precisar de um gol roubado nos acréscimos. Os saudosos nostálgicos tempos de Garrincha, Didi, Nilton Santos e cia, não estão de volta. Nem nunca estarão, mas sim eternizados na lembrança de quem teve o privilégio de viver aqueles gloriosos momentos. Cada momento tem o seu momento e se eterniza conforme o momento. O buzinaço na volta, as bandeiras agitadas por todos os lados... tudo era tudo. No dia seguinte, os encontros ocasionais com alvinegros anônimos fechavam a festa que começara no dia anterior. Ser campeão no Maracanã em tempos modernos é como aspirar futuros bons velhos tempos.
Pensava na maior das comemorações, mas não sei porque, apenas me benzi em General Severiano. Nada de porres, nem exageros. Fiquei 8 anos de castigo, mas papai do céu caprichou na recompensa. Crio mais uma nova superstição neste momento. Aprendi a lição divina. Serei um bom menino neste restante de 2006. Obrigado!
Por Raphael Dias Nunes, estudante de jornalismo e torcedor apaixonado do Botafogo, escreveu essa Crônica especialmente para O REBATE.
Começou a Segundona do Carioca 2006
24 times tentam a elite do futebol carioca, entre eles o Macaé, que começa com vitória
Começou esse sábado um dos maiores campeonatos de futebol dos últimos anos no Estado do Rio de Janeiro. São vinte e quatro times, divididos em três grupos de oito, em busca de apenas uma vaga na elite do futebol estadual. Oito destes times vieram de uma seletiva, criada para favorecer alguns dirigentes/candidatos a um cargo eletivo em outubro, e pelo regulamento o pior classificado entre eles será rebaixado para a Terceira Divisão em 2007.
O regulamento diz também que os dois primeiros colocados de cada grupo e os dois melhores terceiros lugares no somatório geral, jogarão dois quadrangulares de quartas-de-finais e os dois melhores destes torneios fazem um quadrangular final para definir o Campeão Estadual da Segunda Divisão em 2006.
O Grupo A tem no Boavista o grande favorito para a conquista de uma destas vagas. O Macaé é o outro concorrente com chances. Olaria também promete, mesmo tendo resultado ruim no primeiro jogo, São Cristóvão, Bonsucesso, Artsul, Vila Rio jogam tentando surpreender, e Rubro Social completa o grupo, este assumindo o lugar do Entrerriense, que abandonou a competição dois antes do seu início.
GRUPO A - 1.o)Boavista, Macaé Esportes , Artsul e São Cristóvão, 3pts; 4°) Olaria, Rubro Social, Villa Rio e Bonsucesso, 0.
O Grupo B está para o Bangu, que outra vez caiu numa chave mais fácil, e por ter maior tradição, é considerado um dos favoritos para seguir em frente, mas o Mesquita, que tem a força de uma torcida na Baixada Fluminense, O CFZ, que traz a marca Zico em sua camisa, e o Itaperuna, que após o retorno da dupla Norton/Roberto volta a ter força dentro e fora das quatro linhas, e o Serrano, uma incógnita no momento, entram na briga por duas vagas no grupo. Correm por fora as equipes que chegam da Seletiva: Profute, Duque de Caxias e Tigres.
GRUPO B - 1o.) CFZ do Rio, Duque de Caxias e Itaperuna , 3pts; 4°) Bangu e Profute, 1; 6°) Tigres do Brasil, Mesquita e Serrano, 0.
O Grupo C tem o Rio Branco, conta com o sempre forte Angra dos Reis, eterno candidato a uma vaga na elite, o Caec, que retorna após um ano afastado, assim como o róseo-negro de Campos, e o Ceres, tradicional clube da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Completam o grupo os desconhecidos Teresópolis, Miguel Couto e Guanabara, oriundos da Seletiva, e o Estácio de Sá, campeão da Terceira Divisão. O favorito do grupo é o Angra dos Reis, o time da costa verde conseguiu 3 classificações seguidas para o quadrangular final nos últimos campeonatos e esse ano tende a repetir as boas companhas.
GRUPO C - 1°) Ceres e Miguel Couto, 3pts; 3°) Angra dos Reis e Guanabara, 1; 5°) Estácio de Sá e Rio Branco , 0. Casimiro de Abreu e Teresópolis não estrearam.
Mundial de Natação em Piscina Curta - Xangai, China
Austrália é campeã, Brasil fecha em 11º.
Com duas medalhas, o Brasil terminou em 11º lugar no 8º Mundial de natação em piscina curta (25 m), disputado em Xangai, na China. Os dois pódios brasileiros foram conquistados por Kaio Márcio, que se sagrou campeão mundial dos 100 m borboleta e ficou com o bronze nos 50 m da mesma modalidade.
Na classificação geral, a Austrália foi a campeã, com 12 ouros (24 medalhas no total), seguida de longe pelos EUA, com seis ouros (21 no geral), e pela China, com cinco ouros (12).
Kaio Márcio é ouro nos 100m e bronze nos 50m borboleta em Xangai
O nadador brasileiro Kaio Márcio salvou a representação nacional ao conseguir duas medalhas no Mundial de Xangai.
No dia 06/06 Kaio levou o Brasil ao lugar mais alto do pódio com uma atuação brilhante, ao ganhar o ouro nos 100 metros borboleta.
Nas séries, o brasileiro acabou com o 9º melhor tempo (52s24), bem longe do americano Ryan Lochte (51s44), e nas semifinais já foi o mais rápido, com tempo de 51s10. Na final, o brasileiro não se intimidou em um momento de tanta tensão, e saiu livre para tocar a parede em primeiro lugar com o tempo de 51s07, na frente do venezuelano Albert Subirats, que fez o tempo de 51s23 e ficou com a prata. O bronze foi para o americano Jayme Cramer, 51s53, que tirou o pódio do alemão Thomas Rupprath por três centésimos.
No dia 08/06 Kaio estava em outra final, dessa vez do 50m borboleta, infelizmente o brasileiro não conseguiu repetir o mesmo feito do ouro mas garantiu o bronze como o tempo de 23s07, ficando atrás do australiano Matthew Welsh - ouro, com 23s05 - e pelo ucraniano Sergiy Breus - prata, 23s06.
Rebeca Gusmão é oitavo nos 100m e quinto nos 50m
Primeira nadadora brasileira a cair na água nas finais de sexta-feira (08/06), a brasiliense Rebeca Gusmão ficou em oitavo lugar na final dos 100 m livre no Mundial de piscina curta, em Xangai, na China.
Ela marcou o tempo de 54s53, piorando o desempenho alcançado na semifinal de quinta, quando havia feito 54s21. Essa, no entanto, não é a principal prova de Rebeca, especialista nos 50 m livre.
A medalha de ouro ficou com a australiana Lisbeth Lenton, atual recordista mundial da prova (51s70), que completou a distância em 52s33. Lisbeth, que havia sido campeã dos 100 m livre também em Indianápolis-2004, conquistou assim o quinto ouro de seu país na competição.
A prata ficou com a holandesa Magdalena Veldhuis, com o tempo de 53s33, enquanto a norte-americana Maritza Correia levou o bronze, marcando 53s54.
Rebeca Gusmão voltou à piscina e foi a 5ª colocada da final dos 50 m, com o tempo de 24s80. Para se classificar à final, Rebeca havia marcado 24s94 na semifinal, em que terminou com o mesmo tempo da norte-americana Amanda Weir. As duas nadadoras disputaram um desempate, vencido pela brasileira com o tempo de 24s79.
A vencedora da final dos 50 m livre do Mundial, disputado em Xangai (China), foi a australiana Lisbeth Lenton, com 23s97. A atleta não era a favorita, mas surpreendeu a segunda colocada, a recordista mundial Therese Alshammar (SUE), que ficou apenas um centésimo de segundo atrás, com 23s98. Em terceiro lugar, chegou a holandesa Magdalena Veldhuis, com 24s25.
Mariana Brochado bate recorde sul-americano e é 8ª nos 400m livre
A nadadora brasileira Mariana Brochado bateu duas vezes o recorde sul-americano dos 400 m livre em piscina curta, durante a disputa do Mundial de Xangai, na China. Ela, que já era a dona a melhor marca continental antes da competição (4min08s17), fez 4min07s54 nas eliminatórias, passando à disputa de medalhas em quinto lugar.
Na final, Mariana não conseguiu acompanhar o ritmo das adversárias e terminou na oitava posição, mas voltou a melhorar seu tempo e completou a prova em 4min07s21, estabelecendo assim o novo recorde sul-americano.
A nadadora do Flamengo, que foi finalista olímpica em Atenas-2004 com a equipe do revezamento 4x200 m livre, disputa um Mundial de piscina pela primeira vez na carreira. Por isso, não estava entre as mais cotadas para alcançar um bom resultado nos 400 m livre.
A medalha de ouro ficou com a norte-americana Kate Ziegler, de apenas 17 anos, que registrou 4min01s79. Essa foi a 11ª medalha dos Estados Unidos na competição, mas apenas a terceira de ouro - o que é considerado pouco para a principal potência mundial da natação.
A prata foi para a australiana Bronte Barratt, que marcou 4min03s29 e ajudou seu país a manter a liderança no quadro geral de medalhas - cinco de ouro e sete de prata. O bronze ficou com a italiana Federica Pellegrini, com 4min03s63, confirmando a boa participação da Itália no Mundial (o país está em terceiro, com dos ouros, quatro pratas e três bronzes).
Destaque do último Mundial Thiago Pereira não foi às finais
A queda na semifinal dos 100 m medley ampliou a frustração de Pereira com seu desempenho no Mundial de Xangai. Além de ter ficado de fora da final da prova em que havia conquistado o bronze em Indianápolis, o brasileiro também caiu precocemente nos 200 m medley. Campeão mundial da prova em Indianápolis-2004, o nadador parou nas semifinais da disputa em Xangai, quando ficou apenas com o 15º melhor tempo.
Nos 50 m peito do Mundial de Xangai, os brasileiros Felipe Lima e Eduardo Fischer não conseguiram classificação para a final. Ambos pioraram o tempo que haviam marcado na eliminatória e terminaram em 12º (27s74) e 16º (27s87), respectivamente. A primeira colocação para a final ficou com o italiano Alessandro Terrin e o ucraniano Oleg Lisogor, que terminaram as semifinais empatados com o melhor tempo, de 26s64.
Após sua eliminação, Thiago Pereira lembrou que "desde 1998 só venho melhorando meus tempos, mas agora não deu". O atleta explicou que pretende nadar o Troféu Finkel em São Paulo, em maio, onde será selecionada a equipe brasileira para o Pan-Pacific, no Canadá, em agosto. Depois da competição em São Paulo, Pereira pretende dedicar os três meses seguintes à sua preparação para o torneio no Canadá. makeFooter('').
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