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Por Thadeu Rabelo
pontozero16@hotmail.com
Rio de Janeiro
A Copa sem zebras
Itália tetracampeã do mundo
A zebra tentou estragar (ou apimentar) a festa da Copa do Mundo de futebol da Alemanha, mas não obteve muito sucesso. A Azzurra venceu e convenceu, posou de vencedora da final com honras do presente e glórias do passado.
Mas essa soberania do time do Vale do Lacio pareceu muito comprometida antes da Copa, até mesmo nos primeiro jogos do esquadrão italiano. As denúncias de corrupção no Calccio envolviam dirigentes e jogadores da seleção, como o melhor goleiro da Copa Buffon, cogitando-se até a hipótese de grandes times serem rebaixados e por aí vai... Muito parecido com um certo país muito distante daqui (parafraseando Marcelo D2).
Do tremendo furacão que se instaurara, a Itália saiu desacreditada de casa, e volta sendo louvada aos cantos clássicos de seu povo tão festeiro.
Uma coisa é certa, a Itália foi campeã sendo a Itália, o velho futebol da escola italiana mostrou-se eficaz mais uma vez, na Copa que ficará marcada pelo jogo defensivo e cauteloso, não é de se assustar ao ver os mestres nesse estilo de futebol levantando a taça, defesa forte e contra-ataque rápido são marcas da conquista.
O grupo forte em que saiu foi um belo teste para o selecionado tetracampeão do mundo entrar, digamos assim, no ritmo da Copa. O primeiro adversário foi a boa seleção de Gana, ganhou por 2 a 0 com Pirlo e Iaquinta marcando, um jogo sem grandes destaques.
O segundo contra os Estados Unidos foi um jogo tenso, muita confusão que acabou com a cotovelada e expulsão de De Rossi, que pegou quatro jogos de suspensão; sem falar do gol contra de Zaccardo, Gillardino marca. Final 1 a 1.
No último jogo, a Itália perigava não continuar na Copa, contra a República Tcheca chegou a estar eliminada por alguns minutos, porém Materazzi e Inzaghi liquidaram e despacharam o fantasma do leste europeu.
Vieram as oitavas e o jogo que decidiu a Copa, Itália e Austrália proporcionaram um dos melhores jogos desse Mundial, surpreendentemente os cangurus estavam melhores e não seria surpresa se eliminasse a Itália ali. Ah se não fosse a ousadia e malandragem do lateral-esquerdo Grosso ao se jogar naquele lance decisivo, a história seria diferente. Pênalti roubado, gol de Totti nos acréscimos.
A partir daí, a postura e atitude de um time campeão mostrou as caras, jogo perfeito contra a Ucrânia, 3 a 0, Zambrotta e dois de Toni. Vieram os donos da casa, jogo disputadíssimo, entretanto a Azzurra estava uma cabeça a frente nas disputas de bola, nos lances de perigo e na defesa sólida que começava no campo do adversário, a Alemanha lutou bravamente mas não foi o suficiente, 2 a 0, Grosso e Del Piero.
Chegada a final. Qualquer um dos dois times poderiam sair campeões, e tinham méritos para isso, o jogo foi muito igual, pendia ora para um lado, ora para o outro. Expulsão de Zidane, decisão por pênaltis e exorcizada as cobranças de 94, Itália campeã do mundo de 2006.

Cannavarro ergue a taça
Zinedine Zidane
Um gênio, um poeta, um guerreiro
Quem é aquele senhor calvo em campo? Não, não pode ser jogador, impossível! Onde está o ar de moleque que persegue os grandes? É, ele é diferente, veja só, como conduz a bola, a trata com carinho tão assombroso que ela se quieta diante dele, mansa, domada.
Parece uma mãe conduzindo o filho, que de tão bem educado vai onde ele ordenar, ele na toca, presenteia; não lança, passa; não chuta, coloca.
Ele é mesmo um senhor, é lento, parece se doar em campo sem transpassar uma gota de desgaste, quando marca gol não tira a camisa, não sobe no alambrado, mas grita, um grito de uma nota só, raça!
Lento? Como lento se todos parecem correr atrás dele sem conseguir alcança-lo? Enquanto todos estão no chão, carrinhos e coices, ele está de pé, inabalável, cabeça erguida pronto para o próximo golpe. A velocidade do pensamento vence a capacidade física, por isso aquele senhor é gênio.
Se a calvície lhe conota senhor, ele o é pela presença, imponente, seus maravilhosos lances, seus dribles estáticos e ao mesmo tempo carregados de dinamismo invejável. É, ele é confuso, mas no campo ele clareia, joga com reluzente originalidade, no seu jeito de correr, de chutar, de amaciar, na sua mania de craque. É um poeta, escolhe sempre as mais belas palavras e as projeta na tão querida bola, e ela numa conjuntura divina o responde sem questionamentos: Sim, meu mestre.
Mas atente para um detalhe, apesar da parcimônia de suas atitudes, como carrega a braçadeira de capitão? Como é líder do time? Olhe, ele é líder sem esbravejar, para que tanta pompa se um simples agir e a mágica está feita, ele tem o que todo poderoso necessita, respeito quase que temor, fraternidade confundida com lealdade.
Ele é soberano, e não ouse zombar de sua paciência, ele parece frágil, que nunca se agita nem se altera, a sua linearidade é interrompida quando necessita ser, quando o desonram, quando atitudes desonestas travam sua face pacificada. Então ele se vira, peita, cabeceia o adversário, como se desse um aviso "Opa! Aqui não!", é um guerreiro, literalmente.
Está vendo o senhor? Agora se une aos saudosos deuses no Olimpio do futebol, mesmo que ele diga "parei", eu retruco "também né!? Quer mais?". Ele sorri só com os lábios, pisca um olho, meia volta e vai embora, simples, como sempre foi.
Aquele senhor é Zidane.

classe
seriedade

raça
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