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...Macaé, ano I, Nº 24 - 7 a 14 de julho de 2006
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Rio de Janeiro

Jogo feio e vaga garantida

Boa Vista campeão da segundona

Por Adilson Dutra
www.nfesportes.com.br

O Boavista é o novo integrante da Primeira Divisão do futebol do Rio de Janeiro. O alviverde de Bacaxá garantiu a vaga ao empatar neste domingo, no Estádio Euci Resende de Mendonça, sua casa, com o Macaé Esporte. O time de Saquarema só precisava deste ponto para garantir a classificação, a vitória no primeiro jogo por 2x1 dava ao Boavista a vantagem, por ter a melhor campanha no decorrer do campeonato, o direito de perder por um gol de diferença e levar o jogo para a decisão por pênaltis.
Gaúcho entrou com um esquema cauteloso, três volantes, Marcelo Cardoso, Jefinho e Tiaguinho, e três meias ofensivos, Buti, Eberson e Flávio Santos, e sem um atacante de ofício. "O empate nos dá a vaga e o Macaé vai precisar atacar", dizia o treinador alviverde. Já Toninho Andrade, do Macaé, escalou um time ofensivo e acreditou que Jones e Vitinho pudessem furar o bloqueio do Boavista.

O primeiro tempo foi arrastado, sem chances de gols e com os dois times apáticos dentro de campo. Emoção mesmo só nas arquibancadas, onde os torcedores vibravam e se portavam de maneira decente e a Polícia Militar tinha apenas o trabalho de proteger a torcida macaense, que chegou entusiasmada em quinze ônibus que deixaram a cidade na madrugada deste domingo.

O segundo tempo começou com um ataque do Boavista pela esquerda, com Tiaguinho chegando a linha de fundo e cruzando na medida para Butti acertar o travessão de Bruno. Mas foi só. A partir daí o equilíbrio voltou e a movimentação ofensiva só retornou quando Gaúcho tirou Eberson e Buti para a entrada de João Rodrigo e Wenedy, que incendiaram as arquibancadas e colocaram um molho especial na partida.

Aos 25' Nilberto fez falta feia em Wenedy e foi acertadamente expulso de campo pelo ótimo árbitro Wilian de Souza Nery. No lance o meia alviverde sentiu e fez apenas figuração até o final da partida, já que o Boavista já havia realizado as três alterações.
O Macaé pressionou nos últimos dez minutos e por pouco não chegou ao gol que lhe dava o direito de definir a vaga nos pênaltis, mas Erivelton fechou o gol e se tornou no principal nome do time do Boavista.

Boavista: Erivelton, Sérgio Gomes, Vagner Eugenio, Robson e Maciel (Pedrinho), Jefinho, Marcelo Cardoso, Tiaguinho e Flávio Santos, Butti (João Rodrigo) e Eberson (Wenedy).
Técnico: Gaúcho.
Macaé: Bruno Garcia, Marcelinho, Vagão, Cavalini e Nilberto, Gedeil, Bidu, Edinho (Brenner) e Fábio Costa (Márcio), Jones e Vitinho (Ronald). Técnico: Toninho Andrade.

Árbitro: Wilian de Souza Nery - ótima atuação.


Copa do Mundo

Como se éramos os melhores?

Todo o Brasil assistiu ao sábado uma das piores apresentações da história da seleção brasileira em todas as copas do Mundo e conseqüente eliminação do torneio mundial. Logo num momento que o escudo canarinho parecia inatingível, outra vez a França estava no caminho.

Em todos os lugares que sintonizavam o sinal ao vivo da Alemanha o "não estou entendendo nada" estava presente acompanhado das famosas citações às mãe dos selecionados.

O principal problema que essa seleção enfrentou foi aquele levantado desde o começo, o Brasil só perderia para ele mesmo, e foi o que aconteceu, numa partida similar a de 98, a seleção não entrou em campo e o queridíssimo técnico não parecia lá muito preocupado com isso.

Parreira não conseguiu tornar esse time um grupo, uma família Scolari a sua moda, substitui a gana, energia e emoção pela racionalidade, frieza calculada e calma, muita calma. É como digo, futebol não é, nem nunca será teoria, isso não existe! Parreira com essa pose de professor da bola não conseguiu movimentar seu time para frente, seguiu sua teoria-mor, toca de lado, toca de lado, espera, espera, espera.

Futebol, assim como qualquer esporte de exigência física, é onde a animalidade humana mostra as faces, instinto, astúcia, agilidade. Essa tática de peças de xadrez só funcionou em pouquíssimas seleções, faz sentido aplicá-la em clubes como os do mecanizado futebol da Premier League inglesa, e mesmo assim quando existia um cérebro no grupo de linha, jogador com essa estima de liderança, persuasão e inteligência tática não existiu. Cafu não foi nem de longe o capitão de 2002, também não houve nenhum outro candidato ao cargo vago.

Outro problema de Parreira foi um dos mais primários, e eu particularmente não tenho explicação para esse fato demonstrativo de profunda infantilidade, nosso técnico esqueceu-se da máxima que nome não ganha jogo e parecia ignorar as péssimas apresentações de seus protegidos, entre eles Ronaldinho Gaúcho, Emerson, Cafu, Roberto Carlos e Ronaldo.

É difícil criticar um assunto em que não sabemos nem metade da história completa, por mais que a televisão esteja sempre presente, os detalhes dessa história somente os envolvidos podem esclarecer. Ainda mais ter que falar mal de Carlos Alberto Parreira, ele entende mais de futebol que todos nós juntos, por mais absurdo que possa parecer, é verdade.

A derrota foi boa para o Brasil, mais um aprendizado, uma que Zidane joga muita bola e acabou se serrar o seu nome na mente de todos nós (não merece apenas o título de carrasco), outra que começa uma renovação da seleção, vai ser interessante, e é bom que aconteça, assistir novos nomes vestindo a amarelinha mesmo atuando no Brasil, e não esperar um contrato no exterior para ser convocado, isso só alimenta o êxodo de jogadores. Ás vezes presta mais um jogador que ganha mil, que um que ganha bilhão.

Mas há ressalvas a serem feitas, excelente Copa de Lúcio e Juan, os únicos que resolveram jogar pela nação, e encararam o jogo assim; Dida que não deu um rebote; outra a de Robinho, o melhor da linha de frente mesmo tendo jogado muito pouco, se fosse titular desde o primeiro jogo, a história poderia ser outra, não digo que venceríamos a França, mas perder de pernas abertas é humilhação de mais.

Jogamos feio de novo, dessa vez não vencemos. Melhor para o futebol arte que dessa vez não encontrou expoente na seleção canarinho como de costume, deixa o hexa para a Copa da África, assim soma-se mais um continente ao americano, europeu e asiático para colecionarmos títulos.


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