Imigrantes ocupam praças e ruas dos EUA
Phydias Barbosa
diretor internacional
correspodente nos Estados Unidos
"Todo mundo é imigrante, americano autêntico é o índio", grito dos imigrantes
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Protesto na Califórnia
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Assim como era esperado, o 1º de maio de 2006 entrou para a história, mais uma vez. Depois de ter sido escolhido como o Dia Internacional do Trabalhador, a data agora será lembrada como do Dia Cívico do Imigrante.
Organizadores do movimento, que mobilizou milhares de imigrantes nas principais cidades dos Estados Unidos, acreditam que o número não foi maior devido às ameaças impostas na semana prévia da passeata.
Segundo as informações recebidas, os empregados públicos que aderissem ao movimento e faltassem ao trabalho seriam penalizados com multas e outras disposições disciplinares.
Algumas fontes afirmaram que os estudantes, de origem hispânica e de outras nacionalidades, receberam comunicado de que teriam fortes penas além de altas multas. "Os pais também foram ameaçados, caso permitissem que os filhos faltassem à escola no dia do manifesto".
As medidas adotadas não conseguiram impedir que um grande número de imigrantes fossem às ruas em prol da legalização para todos os indocumentados. Milhares de pessoas invadiram as ruas das principais cidades estadunidenses e "num só grito" buscaram chamar a atenção do governo e demais autoridades.
Informações da agência Reuters indicam que desde o amanhecer do domingo, muitas lojas fecharam voluntariamente para evitar distúrbios. Acrescenta que em Union Square, Nova York, seu mercado ao ar livre, normalmente buliçoso, operava de maneira muito mais reduzida que o habitual e que nas calçadas da Broadway, a maioria das lojas de produtos baratos de importação, normalmente caóticas, estava fechada.
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Mulher hispana da exemplo de maturidade
e vai as ruas
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"Todo mundo aqui é imigrante. O único americano autêntico é o índio", disse Rene Ochart, natural de Porto Rico, porteiro do elegante Hotel Pierre, no Upper East Side de Manhattan. Desde Los Angeles até Nova York e ao redigir este comentário redes de televisão e agências de imprensa internacionais falavam que em Chicago as manifestações ultrapassaram as 300 mil pessoas, com a previsão de reunir, no fim da jornada, perto de um milhão.
Segundo dados levantados, a maioria das companhias cancelaram a entrega e distribuição de mensagens e suspenderam as reuniões de negócios previstas para esse dia. Uma das coisas que caracterizou o protesto desta segunda-feira foi que os organizadores pediram aos participantes deixarem nas casas as bandeiras de seus respectivos países e levarem particularmente a americana, com o objetivo de enviar ao Legislativo e à Casa Branca a mensagem de que os Estados Unidos também é o seu país.
Os cartazes deixaram constância de uma consigna pontual: Hoje marchamos e amanhã votamos!
Na cidade de Aurora, a segunda com mais latinos no Illinois, depois de Chicago, milhares de imigrantes indocumentados lotaram as ruas. Alí, segundo declarou à mídia Lourdes Espinoza, ativista comunitária, "mais de 70% dos latinos donos de casas não têm seguro social".
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Foto de manifestacao na California
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Em Washington, uma das mais de cem cidades que se mobilizaram, milhares de manifestantes com bandeiras norte-americanas, escutaram discursos na Alameda Nacional, em frente do Capitólio. Em Atlanta, a concentração e marcha por um Dia Nacional de Ação pela Justiça na Imigração, reuniu dezenas de milhares de pessoas, enquanto em Dallas, Texas, 350 mil se reuniram no domingo. Por seu lado, a CNN mostrou em seus noticiários milhares de cidadãos que marchavam cedo por avenidas de New Orleans e Los Angeles, com cartazes contra o projeto legislativo HR4437, conhecido como Lei Anti-imigrante.
Agências informaram, ao meio-dia, que mais de 5 mil imigrantes marcharam em Orlando, no centro da Flórida, embora esclarecesse que mais pessoas continuavam aderindo ao protesto.
De acordo com o canal 2 WESH, da televisão local, o reverendo John Book, evangelista estadunidense com um programa de televisão, foi preso ao início da marcha, acusado de ter violado uma propriedade privada e de se resistir à detenção sem violência, indicou a WESH em seu site da internet.
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Bandeiras do Mexico e USA
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Centenas de policiais vigiavam a marcha, uma das previstas ao longo do estado da Flórida, de onde partiu uma passeata, desde Homestead, no sul da cidade, enquanto outras deviam sair de Bell Glade, Fort Myers e Miami. Estima-se que nesse estado residem 850 mil imigrantes indocumentados. Em Homestead, cidade rural da Flórida onde metade da população de 36 mil habitantes é composta por imigrantes, houve manifestações maciças contra o draconiano projeto de lei.
A agência AFP, por seu lado, refere-se ao temor crescente entre grupos de imigrantes que consideram que as autoridades podem adotar represálias e se produzam demissões maciças, pelo que informaram acerca da realização de "correntes humanas" e vigílias durante o almoço ou depois do trabalho ou na escola, neste 1º de maio. Isto é, embora freqüentando o trabalho ou a escola, mostraram sua firme recusa à controversa legislação.
O senador Barack Obama, único negro que integra a Câmera alta, subiu a um palanque improvisado sobre um caminhão do sindicato dos Teamsters, em Illinois, e falou à multidão acerca da necessidade de "tirar as pessoas das sombras" e oferecer-lhes um caminho à cidadania.
Na Califórnia, o estado com maior número de imigrantes nos Estados Unidos, informações da imprensa indicam que, prevendo a greve, várias das maiores empresas decidiram fechar suas portas ou diminuir suas operações. Nesse caso se encontram, entre outras, Goya Foods, a maior companhia de comidas hispânicas preparadas do país, a qual suspendeu suas entregas. A Gallo Wines em Sonoma, Califórnia, dispensou 150 trabalhadores e a McDonald's reduziu o pessoal em alguns de seus restaurantes e respeitou o direito de seus empregados de fazer greve. Em Virgínia, Maryland, a Igreja católica, embora chamasse a não participar do boicote, pediu às igrejas dobrar os sinos em memória dos imigrantes que morreram tentando cruzar ilegalmente a fronteira.
Ainda sem ter acabado o dia, já se falava do sucesso da greve convocada e da existência de um movimento dos sem vozes que cresce nas entranhas do império, ao que tanto o Legislativo quanto a Casa Branca terão, mais cedo ou mais tarde, que prestar atenção.
Os imigrantes em geral não estiveram sozinhos nesta imensa jornada de pressão para impedir a aprovação do injusto projeto de lei que converteria os imigrantes em criminosos e aos que pudessem entrar, a partir de sua aprovação, em escravos modernos sem direito algum. Junto deles, em todas as capitais e cidades da América Latina marcharam seus irmãos, potenciais imigrantes, vítimas de um modelo político e econômico que os marginaliza e que não lhes dá outra opção que a de emigrar à procura do sustento que não encontram na terra que os viu nascer. Na região da Nova Inglaterra, destaque para o estado de Massachusetts, onde milhares de imigrante deram sua contribuição para que o dia fosse marcado como uma data memorável em prol desta comunidade.
Infelizmente, em Pompano Beach e Deerfield Beach, cidades do sul da Flórida com um enorme contingente de brasileiros ilegais, o que se viu foi uma comunidade inteira, meio que negando sua condição nesse país. Ao invés de se juntar aos milhares de hispânicos que foram para as ruas protestar, a brasileirada ficou mesmo em seus condomínios jogando baralho, usando o Voip para falar com suas família no Brasil e jogando conversa fora. Muitos aproveitaram o dia na praia, afirmando seu medo de serem levados pela carrocinha da Tia Mimi (como é conhecida a polícia da imigração).
Do Brazilian Times ( Boston) e Phydias Barbosa (Flórida, Washington e New York). |