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...Macaé, ano I, Nº 32 - 31 de agosto a 8 de setembro de 2006
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Imigrantes voltarão às ruas dos EUA para exigir reforma migratória

Phydias Barbosa
(O RebateOnline, Internacional)

A partir desta sexta-feira, os imigrantes voltarão às ruas de várias cidades americanas, quatro meses depois das passeatas de 1º de maio, para exigir do Congresso uma reforma integral da lei de imigração antes das eleições de novembro. "Uma grande maioria de americanos acredita que o nosso sistema não está funcionando, e deseja que o Congresso encontre uma solução verdadeira", disse nesta terça-feira Jaime Contreras, presidente da NCIC, uma das organizações que convocaram as passeatas, juntamente com a Aliança Somos América (WAAA).

As diferentes manifestações coincidirão com a volta dos congressistas americanos ao Capitólio, na próxima semana, após o recesso de agosto. Isso acontece dois meses antes das eleições de metade de mandato, que irão renovar, no próximo dia 7 de novembro, a Câmara dos Representantes e parte do Senado. A primeira manifestação será em Chicago, sexta-feira, com uma passeata até a residência do republicano Dennis Hastert, presidente da Câmara dos Representantes, que aprovou, em dezembro passado, uma reforma que incluía apenas medidas repressivas para conter a imigração ilegal.

Na segunda-feira, 4 de setembro, Dia do Trabalho nos Estados Unidos, os defensores da regularização dos cerca de 12 milhões de ilegais que vivem no país marcharão pelas ruas de Phoenix, Arizona. Os organizadores convocaram uma megapasseata para o dia 7 de setembro, em Washington, perto do Congresso, onde uma conferência tenta conciliar a versão da câmara baixa com a do Senado, que abriria caminho para a regularização da maioria dos ilegais.

As passeatas terminarão no dia 9, em Los Angeles, onde houve as maiores concentrações de manifestantes nesta primavera boreal, com meio milhão de pessoas nas ruas em 1º de maio. O projeto de reforma migratória prometido pelo presidente George W. Bush há mais de dois anos está bloqueado no Congresso, devido à dificuldade de conciliar versões tão diferentes quanto a aprovada na Câmara dos Representantes e a do Senado.

A possibilidade de aprovar a nova lei antes das eleições ficou seriamente comprometida depois que a liderança republicana decidiu organizar uma série de audiências sobre a imigração, em todo o país, neste verão, antes de iniciar o processo para conciliar as duas versões. Membros do governo convocaram os legisladores a atuar antes do fim do ano, enquanto as organizações que convocaram as passeatas querem que a lei seja aprovada antes de 7 de novembro.


Casal de lipo clandestina enfrentará júri popular nos EUA


O medico, sua esposa e, no insert Fabiola

A promotoria pública do distrito de Middlesex apresentou na Corte de Framingham, novas acusações contra os três brasileiros acusados pela morte de Fabíola B. de Paula, que sofreu uma embolia pulmonar durante a cirurgia de lipoaspiração a qual estava sendo submetida numa clínica clandestina que funcionava num porão. O médico brasileiro Luiz Carlos Ribeiro, sua esposa Ana Maria Miranda Ribeiro, ambos 49 anos, e a dona do apartamento onde eram realizadas as cirurgias, Ana Célia Pena Sielemenn, 40, vão responder por homicídio culposo e devem enfrentar um júri popular.

A promotoria pediu 10% de aumento no valor da fiança de Luiz Carlos Ribeiro, fixada desde o crime em US$ 250 mil, e uma correção de US$ 50 mil para US$ 75 mil na de Ana Maria Ribeiro, alegando que, com o resultado do laudo apresentando o quadro de embolia pulmonar, ficou constatado também que houve negligência no socorro à vítima.

A advogada do médico, Jeanne E. Earley, contestou a acusação, alegando que seu cliente é professor de medicina no Brasil e conhece todos os procedimentos necessários para reanimar um paciente que entra em colapso durante uma cirurgia. Jeanne pediu ao juiz a redução da fiança e a realização de uma nova autopsia.

O juiz Roberto Grecco interrompeu o debate entre a promotoria e a defesa, dizendo que não se tratava de uma discussão de valores "e sim de uma vida". Grecco não alterou os valores das fianças mas acatou um pedido da promotoria para a convocação de 24 cidadãos para formar um Júri Supremo antes da nova audiência marcada para o dia 27 de setembro.

A advogada de Ana Maria Ribeiro, Lenore Glaser, que assumiu o caso a partir da audiência desta manhã, alegou que sua cliente é inocente e que viajou para os Estados Unidos apenas para visitar os netos. "Ela tinha um visto de turista para seis meses. Queria apenas ver os netos que moram aqui. Ela não participou da cirurgia que matou Fabíola", disse a advogada ao juiz. Mas a promotoria tem provas testemunhais de que a esposa do médico participou da cirurgia. "Ela foi vista chegando com a vítima no hospital MetroWest Medical Center ao lado do marido", disse o promotor Michael Fabbri.

A terceira pessoa envolvida no crime, Ana Célia Pena Sielemann, responderá a três processos: pela receptação de remédios, por hospedar uma clínica clandestina e por homicídio culposo. A fiança dela continua fixada em US$ 25 mil, mas, por ser ilegal no país, Ana Célia está sob a custódia da Imigração desde que houve uma tentativa de seus parentes de pagar a fiança. O advogado que faz a sua defesa pediu ao juiz para que ela volte a ficar sob a custódia do Estado.

O detetive da polícia de Framingham que acompanha o caso, Duarte Galvão, acredita que não haverá mais audiências na Corte Distrital de Middlesex. "Acredito que o Júri Supremo vá encaminhar o caso para o Estado e os réus serão julgados pelo povo. Mas isso só deve acontecer ano que vem. Não vejo tempo suficiente este ano", disse ele. Luiz Carlos Ribeiro está no presídio de Cambridge, Ana Maria está na penitenciária feminina de Framingham e Ana Célia está em Boston, na carceragem da Imigração.


Fabíola sabia que a cirurgia seria feita em local clandestino

Da Redação Internacional de O REBATEOnline


Fausto de Paula, irmão de Fabíola, que morreu após fazer lipoaspiração

A morte da brasileira Fabíola de Paula, 23 anos, ocorrida após complicações durante uma cirurgia de lipoaspiração, chocou a comunidade brasileira. A opinião de alguns é de que vaidade tem limite. Rosiane Gomes da Silva, moradora de Danbury, era amiga de Fabíola, e também ficou chocada com a sua morte, que aumenta a preocupação com a saúde da comunidade brasileira. Assim como outros brasileiros, ela também acha que Fabíola confiou demais em Luis Carlos Ribeiro, o suposto cirurgião plástico. Ele não é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Rosiane e Fabíola se conheceram há 2 meses, através de Viviane, amiga em comum das duas, que mora em Newark, New Jersey. "Nunca conversamos sobre cirurgia plástica". Fabíola só havia dito para Rosiane que a plástica no nariz, também feita por Luis Carlos, havia dado certo. Ao olhar as fotos de Fabíola, os comentários foram de que ela não precisava de lipoaspiração. "Ela tinha um corpo muito bonito". Muito vaidosa, Fabíola se cuidava muito. Segundo Rosiane, Fabíola costumava brincar, dizendo que cerveja engordava, por isso só bebia uísque. Rosiane ficou chocada ao saber da morte de Fabíola. "Ainda não sei direito a causa da morte dela. Cada hora alguém fala uma coisa diferente". Rosiane acredita que Fabíola tenha feito a cirurgia por impulso. "Não se pode confiar em qualquer pessoa. O caso da Fabíola deve servir de alerta".

Sociedade de Cirurgia Plástica desconhece trabalho de Luis Carlos

A advogada Distrital do Condado de Middlesex, Martha A. Coakley, declarou que a morte de Fabíola aumentou a preocupação com a saúde das pessoas da comunidade brasileira que fazem cirurgias plásticas com pessoas de fonte duvidosa. Uma mulher, que teria feito uma cirurgia plástica com Luis Carlos Ribeiro, está hospitalizada com infecção generalizada. O suposto médico e a mulher não tinham uma lista com o nome de clientes, o que faz a advogada Martha Coakley supor que muitas outras pessoas se submeteram a cirurgias plásticas com ele. "Achamos que o número de pessoas é grande", disse Martha. Ilma Paixão, antiga presidente da Associação Brasileira e Americana de Framingham, entrevistou Luis Carlos na semana passada, para um canal de TV a cabo local. O suposto cirurgião teria alertado as pessoas para não procurarem médicos que não tivessem licença para exercer a profissão. Ilma ouviu falar que ele tinha uma reputação muito boa no Brasil, e ficou chocada quando soube de sua prisão. Luis Carlos não está registrado na Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, com sede em São Paulo. O porta-voz da sociedade, Raul Kury, disse que duas perguntas foram feitas, quando soube do caso: "ele é membro da nossa associação? Sabemos que não. Ele é médico? Isto eu não posso dizer".

Mãe tentou fazê-la desistir da idéia

Fabíola era natural de Sancrelândia, Goiás, uma cidade rural. Tatyane Ferreira Costa era amiga de infância de Fabíola, e contou que todos gostavam dela, na cidade. Ela ficou surpresa ao saber que Fabíola se submeteria a uma cirurgia plástica. A irmã dela, Fernanda, disse que ela sempre reclamava que estava acima do peso. A mãe sabia da cirurgia, e tentou fazê-la desistir da idéia. A cirurgia seria no sábado, mas o suposto médico transferiu para o domingo, porque ele estava sem seringas. Luis Carlos pediu que Fabíola comprasse as seringas. "Minha mãe disse que a falta de material era um sinal de que ela não deveria fazer a cirurgia, mas ela foi adiante mesmo assim. Ela disse que a operação seria feita num basement (porão), onde não havia nenhum equipamento. Disse que era clandestina".


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