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Fabíola sabia que a cirurgia seria feita em local clandestino

Da Redação Internacional de O REBATEOnline
Phydias Barbosa


Fausto de Paula, irmão de Fabíola, que morreu após fazer lipoaspiração

A morte da brasileira Fabíola de Paula, 23 anos, ocorrida após complicações durante uma cirurgia de lipoaspiração, chocou a comunidade brasileira. A opinião de alguns é de que vaidade tem limite. Rosiane Gomes da Silva, moradora de Danbury, era amiga de Fabíola, e também ficou chocada com a sua morte, que aumenta a preocupação com a saúde da comunidade brasileira. Assim como outros brasileiros, ela também acha que Fabíola confiou demais em Luis Carlos Ribeiro, o suposto cirurgião plástico. Ele não é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Rosiane e Fabíola se conheceram há 2 meses, através de Viviane, amiga em comum das duas, que mora em Newark, New Jersey. "Nunca conversamos sobre cirurgia plástica". Fabíola só havia dito para Rosiane que a plástica no nariz, também feita por Luis Carlos, havia dado certo. Ao olhar as fotos de Fabíola, os comentários foram de que ela não precisava de lipoaspiração. "Ela tinha um corpo muito bonito". Muito vaidosa, Fabíola se cuidava muito. Segundo Rosiane, Fabíola costumava brincar, dizendo que cerveja engordava, por isso só bebia uísque. Rosiane ficou chocada ao saber da morte de Fabíola. "Ainda não sei direito a causa da morte dela. Cada hora alguém fala uma coisa diferente". Rosiane acredita que Fabíola tenha feito a cirurgia por impulso. "Não se pode confiar em qualquer pessoa. O caso da Fabíola deve servir de alerta".

Sociedade de Cirurgia Plástica desconhece trabalho de Luis Carlos

A advogada Distrital do Condado de Middlesex, Martha A. Coakley, declarou que a morte de Fabíola aumentou a preocupação com a saúde das pessoas da comunidade brasileira que fazem cirurgias plásticas com pessoas de fonte duvidosa. Uma mulher, que teria feito uma cirurgia plástica com Luis Carlos Ribeiro, está hospitalizada com infecção generalizada. O suposto médico e a mulher não tinham uma lista com o nome de clientes, o que faz a advogada Martha Coakley supor que muitas outras pessoas se submeteram a cirurgias plásticas com ele. "Achamos que o número de pessoas é grande", disse Martha. Ilma Paixão, antiga presidente da Associação Brasileira e Americana de Framingham, entrevistou Luis Carlos na semana passada, para um canal de TV a cabo local. O suposto cirurgião teria alertado as pessoas para não procurarem médicos que não tivessem licença para exercer a profissão. Ilma ouviu falar que ele tinha uma reputação muito boa no Brasil, e ficou chocada quando soube de sua prisão. Luis Carlos não está registrado na Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, com sede em São Paulo. O porta-voz da sociedade, Raul Kury, disse que duas perguntas foram feitas, quando soube do caso: "ele é membro da nossa associação? Sabemos que não. Ele é médico? Isto eu não posso dizer".

Mãe tentou fazê-la desistir da idéia

Fabíola era natural de Sancrelândia, Goiás, uma cidade rural. Tatyane Ferreira Costa era amiga de infância de Fabíola, e contou que todos gostavam dela, na cidade. Ela ficou surpresa ao saber que Fabíola se submeteria a uma cirurgia plástica. A irmã dela, Fernanda, disse que ela sempre reclamava que estava acima do peso. A mãe sabia da cirurgia, e tentou fazê-la desistir da idéia. A cirurgia seria no sábado, mas o suposto médico transferiu para o domingo, porque ele estava sem seringas. Luis Carlos pediu que Fabíola comprasse as seringas. "Minha mãe disse que a falta de material era um sinal de que ela não deveria fazer a cirurgia, mas ela foi adiante mesmo assim. Ela disse que a operação seria feita num basement (porão), onde não havia nenhum equipamento. Disse que era clandestina".


BRASILEIROS COMEÇAM A ABANDONAR RIVERSIDE

Por: Angela Schreiber, especial para o REBATE ONLINE


Luciana e César, repórteres do Planeta Brasil da Rede Globo Internacional

A comunidade brasileira de Riverside, New Jersey, não sabe mais como agir. Desde o dia 26 de julho, quando o prefeito Charles Hilton aprovou uma lei totalmente anti-imigrante, os brasileiros estão sofrendo perseguições constantes. Alguns estão de partida para outros estados, e outros estão voltando para o Brasil, tamanha é a humilhação que vêm sofrendo. Nem mesmo a equipe de reportagem do Planeta Brasil, da Globo Internacional, escapou das atitudes vergonhosas dos americanos. Uma passeata está sendo organizada, e já existe até uma coalizão, disposta a dar um basta na lei.

O dia 24 de agosto pode ser decisivo para a população brasileira de Riverside, quando então a lei terá as duas principais emendas votadas: uma que multará os comerciantes que contratarem imigrantes ilegais e a outra que proibirá os proprietários de imóveis de ter imigrantes ilegais como inquilinos. "Cada dia têm mais brasileiros indo embora", afirmou Angelina Aparecida Guedes, a Cida, brasileira que tem um salão de beleza. Ela tem vontade de vender o salão e voltar para o Brasil, porque a clientela, basicamente brasileira, diminuiu muito. "Vive-se dos imigrantes".

O brasileiro Weder Silva trabalhava para Cida. Embarcou para o Brasil no domingo, 13, cansado de sofrer humilhações. "É constrangedor. Três vezes que saí na rua, os americanos fizeram gestos para eu ir embora. No Brasil, pelo menos, não vou ser humilhado", desabafou. Ele até pensou em ir para outro estado americano, mas questionou: "será que não acontecerá o mesmo?" Segundo Weder, todos os brasileiros estão com medo de sair às ruas. Os repórteres César Augusto e Luciana DeMichelli, da Globo Internacional, também foram desrespeitados pelos americanos. Enquanto gravavam o programa Planeta Brasil, um americano passou em frente à câmara, como se ninguém estivesse filmando. Um americano perguntou a César: "você está pensando que isso aqui é o Brasil?" O repórter se sentiu muito desrespeitado. "Os imigrantes têm que ser respeitados, independente do status. Está havendo um desrespeito em relação aos brasileiros". César declarou também que Riverside foi a primeira cidade onde ele e Luciana foram desrespeitados pelos americanos.

Uma passeata está programada para o dia 24 de agosto. Kellen Silva disse que a polícia está checando as placas dos carros. Ela acha que a lei pode ser revertida, mas disse que "não vai ser fácil". Maria Aparecida Gonçalves embarcou para a Flórida na sexta-feira, 11, de tanto medo que tinha de sair na rua. "Acho que os imigrantes não vão conseguir reverter a situação", afirmou, preocupada.

Lei é anticonstitucional

O americano Dave Verduin, em conjunto com comerciantes, todos imigrantes, organizou a Coalizão de Riverside dos Comerciantes e Proprietários de Imóveis, para tentar derrubar a lei. O trabalho está sendo supervisionado pelo advogado Andrew Viola. Dave trabalha como intérprete. Morou 20 anos no Brasil, e acha que a lei é anticonstitucional. "A lei não está boa, foi feita diretamente contra os comerciantes e os proprietários de imóveis". Ele destacou outro ponto da lei, que na sua opinião, não está bem explicado. "A lei não define bem o que é um imigrante ilegal. Só quem pode dizer isto é o governo federal". Dave disse ainda que os comerciantes de Riverside podem entrar com uma queixa por perdas e danos. "A cidade estava morrendo, antes da chegada dos imigrantes. O preço das propriedades pode cair. Eles não estão pensando nisso".

Numa cidade da Flórida, uma lei semelhante foi aprovada, mas não tornou-se efetiva. "A cidade teve a sabedoria de retirar a lei antes que o processo fosse para o tribunal. Custa muito caro à cidade ir para o tribunal, é preciso contratar advogados". Dave disse também que "talvez nem a imigração saiba definir um imigrante ilegal. Existem muitos tipos de vistos diferentes".


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