Brasileira pode pegar prisão perpétua
Phydias Barbosa
A sentença da brasileira Andréia Schwartz, 31 anos, pode variar de 15 anos a prisão perpétua, principalmente por causa das acusações de venda e posse de drogas e lavagem de milhões de dólares numa suposta rede de prostituição de luxo no centro de Manhattan. A capixaba está presa na cadeia de Rikers Island (NY) e terá a primeira audiência no dia 28 na Suprema Corte. As brasileiras Cláudia Figueira de Castro, 27 anos, e Marta Nóbrega, 37, além da coreana Minatee Park, 29, são acusadas de trabalhar para Andréia e aguardam audiência em liberdade, após pagar fiança.
O caso
Andréia Schwartz foi presa no dia 02 de junho. Os policiais estavam disfarçados e se apresentaram como clientes, tendo visitado diversas vezes o apartamento de Cláudia, localizado na esquina da Rua 58 com a Sexta Avenida, a uma quadra do Central Park.
De acordo com os registros do depoimento, Andréia teria dito à polícia que liderava a rede de prostituição há um ano e meio, mas teria lucrado 1,5 milhões de dólares desde 2001. O valor do programa com as garotas variava de $700,00 a $1.500 e $2.000 se fosse realizado com duas garotas. Prostituição nos EUA é considerada crime, com pena de um ano.
Segundo Andréia, ela usava o dinheiro que ganhava para pagar as prestações de seu apartamento, estimado em 1.2 milhões de dólares. A promotoria acusa Andréia de tentar comprar, com suposto dinheiro ilegal que pertencia a um grupo de investidores italianos, um andar inteiro no Hotel Plaza, um dos prédios históricos de Nova York. O apartamento é avaliado em 350 milhões de dólares.
Durante a operação no apartamento de Andréia, a polícia encontrou 17 sacos de cocaína. A brasileira admitiu a venda de cocaína aos seus clientes à polícia. Ela disse que "não me considero uma traficante de drogas". A pena nesse caso pode variar de 15 anos a prisão perpétua, a depender da quantidade de drogas apreendida. Por se tratar de delitos graves nos EUA, a Justiça recusou o pedido de liberdade mediante o pagamento de uma fiança. Os bens de Andréia foram temporariamente congelados.
Defesa
Andréia Schwartz está sendo defendida pelo advogado Andrew Hoffmann. Ele nega as acusações e diz que a brasileira é vítima de uma "ação exagerada e imprecisa" da polícia norte-americana.
Segundo Hoffmann, Andréia estava envolvida apenas em transações imobiliárias e nunca teve problemas policiais ou com a Justiça nos quase seis anos em que vive legalmente nos EUA. Andréia se casou com um americano que trabalha no mercado financeiro e foi transferido para Hong Kong há um ano. Hoffmann insistiu que Andréia é inocente e vítima de preconceito, garantindo ter provas de que os policiais estão mentindo e que isso já teria ocorrido outras vezes.
Hoffmann declarou que entrará com pedido de liberdade à Justiça dos EUA para que seja feito pagamento de fiança. "A verdade será restabelecida. Nós contestamos categoricamente as acusações", disse.
A história sobre Andréia Schwartz virou sensação nos jornais populares, em programas de televisão americanos, e nos principais jornais no Brasil. A rede ABC instalou uma torre móvel de transmissão em frente ao prédio da brasileira. Outro tablóide fazia trocadilho na primeira página com "Million Dollar Baby", do filme de Clint Eastwood.
Pesadelo
A brasileira Claudia De Castro, acusada por prostituição de primeira classe, declarou-se inocente, dizendo às lagrimas "não fiz coisa alguma" e que sua prisão foi "um pesadelo". Em menos de 24 horas após pagamento da fiança, Claudia De Castro disse ao jornal norte-americano Daily News que nunca foi paga pela prática de sexo e que não trabalha para sua amiga Andréia Schwartz, acusada de comandar suposta rede de prostituição de luxo em Manhattan.
A brasileira falou sobre sua prisão e o impacto que a noticia causou na sua família no Brasil. "Não fiz coisa alguma. Somente vim aos EUA para trabalhar e estava pensando no meu futuro. Sinto-me terrível sobre o que aconteceu e sinto nojo do que as pessoas que eu conheço estão pensando sobre mim, especialmente no Brasil".
"É um pesadelo", acrescentou. "Quando fecho meus olhos, não posso acreditar nisso. Parece um sonho. Estou preocupada com minha mãe, minha irmã, com o que elas estão pensando e como podem estar se sentindo", afirmou.
Prisão
Os policiais prenderam Claudia quando ela tentava pegar algumas roupas para Andréia Schwartz no seu apartamento da Rua 58. A promotoria acredita que De Castro trabalhava como garota de programa para Schwartz. "Nunca tinha sido presa antes, e essa é a pior experiência da minha vida e nunca mais esquecerei isso", disse.
De Castro chegou em Nova York em maio de 2005 e um mês depois mudou-se para o apartamento de Andréia, na Oitava Avenida, após encontrarem-se por meio de amigos. Ela disse que Andréia era amigável, mas que esteve fora do país durante a maior parte dos nove meses em que viveu lá. "Algumas vezes nós saímos juntas, e ela sempre estava rodeada de pessoas e meninas, mas eles eram pessoas normais, da universidade", disse De Castro. "Alguns eram ricos, mas eu somente a vi com um homem. Ela teve o mesmo namorado durante muitos meses e sempre estava fora viajando com ele".
De Castro disse que falou com Andréia algumas vezes desde que deixou o apartamento em março. "Quando eu ouvi que ela tinha sido presa, fiquei muito chocada", disse. "Sabia que ela tinha dinheiro, mas não sabia da onde vinha. Pensei que tudo pertencia à ela. Ela nunca me deu dinheiro algum".
De Castro disse que seu namorado de nove meses, que é da Pensilvânia, está chateado sobre os acontecimentos e que agora está com ela. De Castro mora com Allan Santos, 25, um amigo do Brasil que ela conhece há nove anos. Santos veio para Nova York em 2003 e ele estuda propaganda e marketing no City College.
O casal tem negócios juntos, e importam roupas de banho de marca do Brasil. Santos disse "as acusações são ridículas. Ela é uma pessoa adorável e eu nunca ouvi nenhum comentário ruim feito a respeito dela. Nós vivemos juntos, então eu saberia se ela estava envolvida em qualquer coisa desse tipo". Ele acrescentou que "viu Andréia em clubes, mas não a conheço realmente. Ela é somente uma garota que quer divertir-se em Nova York
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