Fundado em 16 de abril de 1932

...Macaé, ano I, Nº 21 - 16 a 23 de junho de 2006
Colunistas
Adriano Benayon
Almir da Silva Lima
Amanda Paiva
Ana Cristina Gama
Ana Lúcia Rabello
Angela Maria
Antenor Costinha
Antonio R. Nóbrega
Bruno Yuri
Cadidja Lima
Camila Santana
Ceci Juruá
Cristina Eringer
Cristina Vieira
Daniel Felipe Matos
Denise Barreto
Fabiana Madruga
Fernando Cruz
Guto Glória Sardinha
Jeanne Dantas
João Carlos de Campos
João Martins
José Milbs
Juliana Nunes
Juliane Veríssimo
Langstain Almeida
Lílian Rodrigues
Luciana Chagas
Lidiane Sato
Manoel Barbosa Filho
Marcel Silvano
Mariana Gama Soares
Mariane Marx
Marino Victer
Marly Santiago
Moctezuma Pinto
Monique Cruz
Patrícia de Alencar
Phydias Barbosa
Rafael Cabral
Renata Celeste
Ricardo Nóbrega
Rodrigo Costa
Stéfhanie Zanelli
Suzana Novaes
Thadeu Rabelo
Thaís Velloso
Vera Lúcia Gama

Achados e Perdidos, grande vencedor do 10º Festival Internacional de Miami

Phydias Barbosa,
de Miami

Na semana passada, 6 de Junho, estive conversando com meu amigo de muitos anos, o cineasta José Joffily, um pouco antes da projeção de seu filme "Achados e Perdidos", no Festival de Cinema Brasileiro de Miami. Perguntei o que achava do seu próprio filme e ele, muito firme, disse: "Jamais ganharia um Festival como esse!. É um filme muito triste!"

Assistí ao filme em silêncio profundo, lembrando das palavras de Joffily. Entretanto, ao invés de achá-lo triste, tive a oportunidade de testemunhar um dos mais fortes daquele Festival até então.

Surpreendentemente, foi eleito o melhor do Festival. O longa metragem, baseado na obra de Alfredo García-Roza, também levou o prêmio de melhor atriz para Zezé Polessa.

O filme relata o drama de Vieira (Antônio Fagundes), delegado aposentado, e sua namorada prostituta (Zezé Polessa), assassinada logo no início da trama. Joffily introduz seus protagonistas de maneira bastante convincente, situando o casal como mais que meros tipos, mas sim figuras dotadas de facetas, contando com intensa cumplicidade entre a dupla de atores.

O diretor trabalhou optando por enquadramentos que privilegiaram o retrato do universo dos personagens. Filmou em apartamentos, bares e inferninhos numa Copacabana particular de Vieira e Magali, onde o casal interage em sua intimidade. A eficácia desses momentos iniciais também fica bastante evidente com a narrativa indo e voltando no tempo, com flashbacks apresentados de forma clara, com uma montagem ágil e convincente.

O elenco se fecha com a excelente participação de Flor (Juliana Knust), personagem cujas intenções se declaram óbvias desde as primeiras aparições.

Achados e Perdidos, embora com algumas pequenas falhas de roteiro, deixou uma impressão que o situa como uma boa adaptação de livro.


ZEZÉ POLESSA
(Melhor atriz do Festival de Miami)

Maria José de Castro Polessa (Rio de Janeiro RJ 1953). Atriz. De grande intensidade interpretativa, Zezé Polessa apresenta um leque de recursos técnicos que permite-lhe ir da comicidade irreverente à emotividade com segurança.

Estréia em 1973, em Drácula, de Bram Stocker. No ano seguinte atua em Às Armas e em Os Infortúnios de Mimi Boaventura, ambos de Miguel Oniga. Seu desempenho como Mimi Boaventura, lhe vale o prêmio da crítica carioca como revelação do ano. O crítico Yan Michalski a considera a principal atração do espetáculo, e a define: "... uma jovem atriz que resolve todas as suas tarefas interpretativas com uma surpreendente segurança, autoridade e versatilidade. Dotada de grande facilidade de composição corporal, de um rosto muito expressivo e de uma forte presença física, Zezé Polessa merece ser acompanhada com atenção nos seus próximos trabalhos".

Seguem-se Os Peixes da Babilônia, de Miguel Oniga, 1975, A Fabulosa História de Melão City, do grupo Contadores de Histórias, 1977, e Balaço Barco, do grupo Saltimbancos, 1977. Em 1979, atua em O Despertar da Primavera, de Frank Wedekind, do grupo Pessoal do Despertar, direção de Paulo Reis. No ano seguinte, protagoniza Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque. Seguem-se Moço em Estado de Sítio, de Oduvaldo Vianna Filho, 1982, Mabel Mabel, criação coletiva, 1982, e O Círculo de Giz Caucasiano, de Bertolt Brecht, como Grusha, com o Pessoal do Despertar, 1983. Atua nas comédias A Família Titanic, de Mauro Rasi, e Folias do Coração, de Geraldo Carneiro, ambas em 1983. Faz espetáculos infantis dirigidos por Lúcia Coelho. Em 1984, atua em Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, com o Pessoal do Cabaré. Seguem-se El Grande de Coca Cola, de Naum Alves de Souza, e Rita Formiga, de Maria Gladys e Domingos de Oliveira, em 1986, Ensaio nº 4 - Os Possessos, de Dostoievski, direção de Bia Lessa, e Jou Jou Balangandãs, musical de Antônio Pedro, em 1987, e Noel Rosa - um Musical, de Joaquim Assis, 1988. No mesmo ano recebe o Prêmio Mambembe pela interpretação em Delicadas Torturas, de Harry Kondoleon. O crítico Macksen Luiz considera que a atriz "reinventa-se em cena, com pleno domínio corporal e sutil manuseio de intenções".2 Em 1992, é premiada pelo espetáculo infantil A Mulher que Matou os Peixes, de Clarice Lispector, com direção de Lucia Coelho.

Depois de Mephisto, de Klauss Mann, 1993, e Lágrimas Amargas de um Guarda Chuva, de Eid Ribeiro, 1995, Zezé Polessa interpreta a poetisa Florbela Espanca em Florbela Espanca, a Bela do Alentejo, de Maria da Luz, com direção de Miguel Falabella. O crítico Macksen Luiz considera que a atriz "tem interpretação intensa, cheia de detalhes e nuanças, mostrando-se em cena com a autoridade de uma atriz com inteligente sentido de humor".3 Bárbara Heliodora observa que a atriz percorre "um leque considerável de emoções e alguns belos momentos de repouso, mais preciosos por serem conquistados por figura tão nervosa e agitada".4

Em 1998, Polessa atua em O Submarino, de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, e, dois anos depois, em Crioula, de Stella Miranda, e Os Monólogos da Vagina, de Eve Ensler. A crítica Bárbara Heliodora avalia que a atriz "sobressai tanto pelo domínio técnico que tem da cena como pela variedade de climas e tons, em que brilha um humor contagiante".5 Em 2002, faz o infantil O Fantasma do Theatro, adaptação de Claudio Botelho para o texto de Justin Locke, em que conduz o espetáculo, estabelecendo uma relação direta com o público.

Em 2006, ganha o prêmio de melhor atriz do Festival Internacional de Miami


Suicídios de Guantánamo serviram como propaganda

Uma propaganda extrema. Dos três detentos que se enforcaram na prisão de máxima segurança americana de Cuba, dois eram sauditas e um iemenita. Eles se suicidaram em suas celas e deixaram bilhetes escritos em árabe. Há quem acredite, dentro dos Estados Unidos, que as mortes resultaram do desespero de pessoas que acreditavam que nunca seriam julgadas.

Esse gesto também está sendo analisado como uma forma de propaganda extrema, a fim de manipular a opinião pública.

Num detalhe burocrático internacional, o que chamou a atenção para o fato dos três árabes mortos é que a lei islâmica determina que o enterro seja feito até 24 horas depois da morte, acontecidas dia 10 de Junho. Entretanto, os militares americanos conseguiram que um imã (sacerdote religioso) decretasse um prazo maior para os enterros, de modo que as autópsias possam ser feitas.

O contra-almirante Harry Harris, chefe da Força Conjunta encarregada do campo de prisioneiros, manteve sua tese, numa conferência de imprensa através do telefone, da qual participaram jornalistas do La Opinión, New York Times, Los Angeles Times e O Rebate Online. Ele disse que "os suicídios não foram atos de desespero, foram atos de guerra".

"Os restos mortais estão sendo tratados com todo o respeito", continuou. "Temos um assessor cultural assegurando que os restos sejam tratados da maneira cultural e religiosa apropriadas".

Entenda o assunto Guantánamo:

Desde setembro de 2001 os EUA lançaram sua guerra global contra o terrorismo. As forças militares e de segurança capturaram, prenderam, interrogaram, trasladaram e eliminaram milhares de supostos terroristas em dezenas de países.

Centenas de homens permanecem reclusos, sem assistência legal, sem uma acusação formal, sem a proteção da Convenção de Genebra para prisioneiros de guerra e para prisioneiros sem acusação. A base naval dos Estados Unidos em Guantánamo, Cuba, foi escolhida para abrigar esses infelizes.

No mês de Maio passado, houve enfrentamentos entre alguns detidos e sua custódia militar. O incidente começou porque alguns prisioneiros fingiram que estavam cometendo suicídio, de acordo com funcionários da prisão que moram na cidade de Santiago de Cuba.

Mesmo assim, Josha Denbeaux, advogado que representa alguns poucos prisioneiros nos tribunais americanos, disse à cadeia de TV CNN que os presos de Guantánamo "estão em condições terríveis, isolados sem notícias do mundo exterior, sem noção do que lhes acontecerá". Não era bem essa vocação internacional de local de torturas e condições inunamas que esperava José Marti quando compôs o poema Guantanamera. Lembram?, "Guajira, Guantanamera"...

Leia outros artigos de Phydias Barbosa

Configuração mínima: 800x600. Recomendamos o Mozilla Firefox. Clique aqui para baixar a versão 1.5
Criação e manutenção Artimanha