Cocaína sem controle mata mais americanos
Cocaína: Mais mortal do que nunca
Phydias Barbosa
Quando as sangrentas guerras de rua dos 1980 desapareceram do sul da Flórida, pensava-se que o fluxo de cocaína no Estado começava a declinar. Parecia que a mais mortal das epidemias finalmente terminava.
Na verdade, apenas começava. Hoje, ainda é mais mortal do que nunca. No condado de Palm Beach, a Costa do Tesouro, e também em âmbito estadual, o índice de mortes envolvendo crack e cocaína está em seu nível mais alto, de acordo com uma análise do diário Palm Beach Post. Editado naquela região, o jornal relata que as mortes relacionadas com a cocaína têm sido bem maiores nas últimas duas décadas.
Alguns lugares que escaparam da onda e o fluxo de cocaína há cerca de 20 anos, agora registram os mais altos índices de mortes. O estudo inclui comunidades rurais, subúrbios e cidades de tamanho médio, como West Palm Beach.
Policiais designados a combater a droga no estado ignoravam essa tendência mortal, dizendo que estiveram preocupados com abuso de drogas de receita e com o abuso crescente de metanfetamina - embora a cocaína continue a reivindicar muito mais vidas do que qualquer outra droga.
"A tendência é sempre varrer a cocaína para baixo do tapete", disse Doris Carroll, coordenadora comunitária no Palm Beach County Substance Abuse Coalition (Coalizão contra o Abuso de Substâncias Ilegais). O município tem uma lista enorme de residentes que estão em reabilitação de cocaína, bem maior do que para qualquer outra droga, incluindo o álcool. A recente estatística anual por mortes relacionadas à cocaína, compilado pelo Florida Department of Law Enforcement (FDLE), mostra que, em 2004, a cocaína foi detectada em 1.702 mortes na Flórida, enorme crescimento sobre o primeiro pico mortal da droga nos 1980. Em 1988, 1003 mortes foram relatadas. Levando-se em consideração o crescimento da população, o índice estadual aumentou de aproximadamente 7 a quase 10 mortes por 100.000 residentes.
Os dados sobre as mortes, de 1987 a 2004, expõem claramente o avanço mortal da droga, como se expandiu e revelam algumas tendências assustadoras:
. Regiões Rurais e de Subúrbios transformaram-se em focos de cocaína, com mortes ligadas ao tráfico de drogas, numa velocidade sem precedentes.
. A droga, que principalmente vitimava jovens nos seus vinte anos, está agora matando pessoas acima dos 35 e ainda mais idosos. Duas entre cada três mortes, registradas desde o ano 2000, eram dessa faixa etária.
. O índice estadual de mortes por overdose de cocaína aumentou gradativamente desde que a FDLE começou a registrar overdoses desde 2000. Naquele ano, o índice de overdose era de 1,5 mortes por 100.000. Em 2004, aumentou para 3,5. As 1.702 mortes relacionadas à cocaína na Flórida em 2004, incluem 591 overdoses.
Jim McDonough é o antigo Czar contra as drogas no Estado e monitorou o abuso de drogas na Flórida durante sete anos. Antes de aposentar-se em Março - ele está se candidatando a um cargo oficial na Corregedoria de Justiça do Estado - disse que uma das razões do aumento no número de mortes é que viciados mais antigos (e mais velhos) estão finalmente sucumbindo aos efeitos do uso da droga a longo prazo.
Ele comentou que "nos anos 80, muitas pessoas se entregaram à cocaína, escolhendo-a como uma droga de recreio, que produz um efeito eufórico e os deixa mais seguros de si". "As pessoas que abusaram de outras drogas, como a heroína, se viraram para drogas controladas que aliviam a dor e produzem o mesmo efeito entorpecente. São mais baratas e fáceis de adquirir", disse McDonough. Para viciados em cocaína, que é um estimulante, um substituto permanece difícil de se encontrar. Há também um número crescente de pessoas que combinam cocaína com drogas de receita, mostrou a estatística da FDLE.
"O hábito, que pode custar centenas de dólares por dia, espalha-se rapidamente pelos subúrbios, onde o pó ainda provoca uma aura de encanto" , disse o Sheriff do Condado de Palm Beach, Capitão Karl Durr.
Para algumas vítimas das autópsias realizadas no município, a entrada no vício fatal da cocaína foi bem rápido. Para outras, uma batalha que durou décadas. Muitas haviam abandonado suas casas e fam ílias para morar em áreas infestadas por drogas. Uma dessas vítimas foi um pai de família de 40 anos, morador em Wellington. A família pensou que ele tivesse morrido de um ataque do coração enquanto dormia, mas a autópsia revelou uma overdose de cocaína, combinada com a droga oxycodone. Um corretor de hipotecas de Boca Raton, de 50 anos, atravessou a rua enquanto fazia seu jogging costumeiro, só que sem olhar para o sinal. Foi atingido por um carro e atirado a mais de 10 metros. Encontraram cocaína em seu sistema.
Casos semelhantes têm se tornado cada vez mais comuns. O que era normal em áreas metropolitanas há duas décadas, agora ocupa os subúrbios: mulheres dispondo-se a venderem seus corpos para comprar drogas. Além de separar famílias, o uso crônico da cocaína pode matar facilmente, levando o usuário a ataques de coração e derrames. Gradualmente, mas implacável, a droga causa danos irreparáveis ao coração e a outros órgãos importantes. Ainda mais, se combinada com outras drogas ou com álcool.
Miami foi, durante muitos anos, o portão de entrada principal da cocaína nos Estados Unidos. Mas a pressão da polícia no sul da Flórida fez com que a rota mudasse. Os traficantes agora enviam a droga através da fronteira com o México. A partir daí, os carregadores da droga (mulas), dirigem por todo o país entregando cocaína, de acordo com o DEA (Drug Enforcement Agent). Porém, "uma grande quantidade do dinheiro da droga está aqui em Miami e no sul da Flórida ," disse Mark Trouville, chefe da divisão da DEA em Miami.
Controle da Fronteira
Bush afirma que México deve colaborar
O presidente americano, George W. Bush, disse na quinta, 18, que o governo mexicano deve colaborar no controle da fronteira comum, ultrapassada a cada ano por centenas de milhares de imigrantes ilegais.
"Devem fazer sua parte para assegurar que nossa fronteira seja segura. Devem vigiar seu lado da fronteira", defendeu Bush, na localidade de Yuma, no Arizona (sudoeste).
A declaração de Bush foi uma resposta ao anúncio mexicano de que enviará uma nota diplomática manifestando sua preocupação com a decisão do Senado americano de ampliar um muro na fronteira e com outros pontos da reforma migratória que estão sendo discutidos no Congresso.
O presidente apóia a construção de cerca de 600 quilômetros de barreiras e muros ao longo da fronteira com seu vizinho do sul para frear o fluxo de clandestinos, disse seu porta-voz, Tony Snow.
Bush anunciou na segunda-feira (15) o envio de 6.000 soldados da Guarda Nacional para a fronteira com o México.
Ele afirmou ter manifestado ao presidente mexicano, Vicente Fox, que sua política consistia em tratar "as pessoas com dignidade e respeito", mas também recordou que ambos devem "se assegurar de que essa fronteira é segura, o que não ocorre atualmente".
O Senado dos Estados Unidos aprovou uma emenda que prevê a construção de um muro de 595 quilômetros ao longo da fronteira entre o território americano e o México.
A emenda --aprovada pelos senadores por 83 votos a favor e 16 contra-- também dá sinal verde à colocação de barreiras em cerca de 800 quilômetros da fronteira a fim de impedir a passagem de automóveis.
A medida foi proposta pelos republicanos, que são maioria nas duas câmaras que compõem o Congresso.
No início da manhã, o Senado aprovou outra emenda que exclui de eventuais programas de legalização estrangeiros com antecedentes criminais, dentro de um debate acirrado sobre a reforma migratória.
A emenda, proposta pelos senadores republicanos Jon Kyl (Arizona) e John Cornyn (Texas), exclui imigrantes ilegais que tenham sido condenados por um delito grave ou por três delitos menores.
Resta ainda debater cerca de dez emendas relativas à questão migratória, que o Senado quer resolver antes do final do mês.
Protestos
Com uma manifestação em frente à Suprema Corte e ao Congresso americano, centenas de imigrantes, ilegais ou não, iniciaram na quarta, 17, um dia nacional de mobilização para defender a legalização dos estrangeiros em reuniões com legisladores.
Quatrocentos religiosos, sindicalistas, cidadãos americanos e estrangeiros ilegais de 20 Estados reuniram-se com seus representantes e senadores, enquanto o Senado discute uma reforma migratória que poderia legalizar parte dos 12 milhões de imigrantes que vivem sem papéis nos Estados Unidos.
George W. Bush anunciou que irá enviar mais de 6.000 soldados da Guarda Nacional para a fronteira entre os Estados Unidos e o México a fim de conter a imigração ilegal.
Em um pronunciamento em rede nacional de televisão, Bush negou que estivesse promovendo uma "militarização" da fronteira, mas disse que queria usar as tropas para apoiar as patrulhas de controle fronteiriço e que 6.000 soldados serão enviados à região nos próximos dois anos.
"Em coordenação com os governadores [dos Estados da fronteira], até 6.000 membros da Guarda Nacional serão enviados à nossa fronteira sul", afirmou o presidente.
Apesar destas medidas, Bush ressaltou que "os Estados Unidos não vão militarizar sua fronteira sul". "O México é nosso vizinho e nosso amigo."
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