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...Macaé, ano I, Nº 20 - 9 a 16 de junho de 2006
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Zona Urbana

VIOLÊNCIA URBANA - CAUSA E EFEITO

Arq. Moctezuma Pinto
moctezuma@jornalorebate.com
CREA-RJ 83-1-05446-9-D

Nas últimas semanas tivemos um acirramento da violência urbana em várias cidades do Brasil causando indignação, medo, perplexidade e sensação de impotência (nossa e das "autoridades").

Mega-rebeliões programadas por celulares, morticínio nas ruas de SP, terroristas atirando a esmo, espionagem e venda barata de informações no Congresso Nacional (que causaram todo esse terror), quadrilhas e corrupção política generalizada (vide "sanguessugas" e outros...), matança indiscriminada e em série de motoristas no Rio de Janeiro. Quem foge com medo já está condenado à morte pelos bárbaros assassinos, drogados e com ódio, bem armados; assaltos até em quartéis militares; tráfico de armas de guerra, de drogas; altíssimo consumo de drogas pelos filhos da elite que acabam financiando a violência e acirrando as "disputas comerciais"... tudo isso só nas grandes cidades?.... não. Macaé não é diferente.

Nos últimos dias temos tido na cidade um morticínio jamais visto. As mesmas raízes, os mesmos resultados. Mas numa cidade pequena?...

Até a década de 60 o Brasil era de maioria rural e havia uma pobreza simples mas sem a miséria absoluta de hoje. Isso também já está muito debatido na imprensa. O crescimento desordenado, a rápida urbanização, o êxodo para as cidades pela falta de perspectivas no campo levando pessoas sem estudo e profissão urbana a sub-habitar nas cidades. O abandono de projetos habitacionais, a desordem urbana, a grilagem, a favelização (ocupação desordenada e consentida de terras PÚBLICAS ), a anarquia urbana (no comércio, no transporte, etc.), a corrupção generalizada, o aniquilamento da escola pública de qualidade e também da saúde. Parece que as pessoas (sim, pessoas...) só tem direito à fome enquanto alguns corruptos dilapidam e privatizam o Estado, a coisa pública em proveito próprio. Querem uma fazenda no lugar de uma República. Então terão uma revolta na senzala. Serão e já estão sendo engolidos pela horda faminta, tocando o terror.

São ignorantes os que negociam drogas no estrangeiro? São analfabetos de uma favelinha qualquer os que trazem armas pesadas? Os que tem dinheiro pra enfiar o nariz no pó maldito? E esses querem "segurança"? Querem que as crianças da década perdida tenham a mesma educação de seus filhos sem escola e morram educadamente de fome? Querem desfilar com seus carrões e curtir seus bens (muitas vezes obtidos de forma ilícita no apadrinhamento e no acumpliciamento dos podres poderes públicos) e querem separar a malta que mora sobre o esgoto, sem direito a trabalho, profissão, saúde, nada? Eles têm que levar porrada, quietinhos, porque o séqüito quer sossego pra pilhagem?

Quem é mais ladrão, safado ou terrorista? Só os pobres, negros, desprovidos, traídos e abandonados pela politicagem? Ou a elite corrupta que se apossou e saqueia os cofres públicos? Que mata de fome (genocidas)? Que desgraça gerações? Querem segurança, HIPÓCRITAS? Querem a sua policinha repressiva em cima de pequenos facínoras para que seus filhos-de-papai possam curtir o dinheiro que você roubou dos ignorantes? Quer uma cidade só pra você, só sua? Exclusiva?

São os novos castelinhos, os "condomínios fechados", portarias, guaritas, alarmes, cercas elétricas, carros blindados... NADA DISSO ADIANTA. Os ratos terão que sair da toca. Não é mais fácil deixar de ser egoísta (como declarou na tv um imbecil que dizia "pagar os impostos") e fazer algo em proveito do OUTRO, do cidadão (mesmo o pobre é cidadão, sabia racistinha?), do País?

ESCOLA! Profissão! Trabalho! Não há saída. Querem continuar com as concorrências fraudulentas, negociatas com dinheiro "público"? e querem ao mesmo tempo paz! NÃO TERÃO. A fome e a miséria, a bandidagem que VOCÊS "fabricaram" privatizando, roubando no atacado agora está cobrando de vocês a década perdida, o abandono.

Terão que começar do zero. Escola (com educação, alimentação e formação profissional de ÓTIMA QUALIDADE -> Viva Brizola e Darcy Ribeiro), saúde, trabalho... essas "bobagens" com as quais políticos de terceira categoria sempre se elegeram e nada fizeram. Estelionatários políticos. Debocharam inclusive do programa "Fome Zero", do Betinho e de outros tantos que vem avisando... vai estourar. Está impossível.

E Macaé? O que o urbanismo e a arquitetura tem haver com a violência? Basta ver a bosta de cidade em que os desvalidos sobrevivem (aquilo não é habitar...). Ruas de lama, bairros inundados a qualquer chuva com perdas materiais, esgoto brotando por toda a parte, falta total de água potável (por mais de uma semana não entra água nas torneiras), ruas que nem placa nem nome tem... as pessoas sequer tem um endereço decente, um favelão. Foram atraídos para cá pelo sórdido sistema "FOME X VOTO" pra servir de boiada eleitoral numa aventura irresponsável e inconseqüente; pessoas absolutamente despreparadas para a sofisticada indústria do petróleo. E nunca tiveram aqui escola profissionalizante ou algo que os encaminhasse. Transporte humilhante. Tudo de ruim.

A Prefeitura pode e deve transformar esses bairros de periferia em locais decentes e promover a inclusão dessas pessoas (que também são vítimas da violência) no mercado de trabalho. Gerar emprego com essas obras (esgoto, água, habitação popular) e investir pesado em escolas profissionalizantes. Fazer enfim, uma cidade "... para todos". Há programas de verbas federais para isso. Não é só mandar a polícia lá e ficar do lado de cá da ponte esperando um milagre.

Na passeata organizada pelo movimento "Jovens Pela Paz", uma bela iniciativa que será realizada no dia 14/06, com discussões sobre o tema "segurança" pelas autoridades locais no teatro do centro Macaé de cultura, espera-se que se discutam soluções para TODOS os cidadãos, iniciativas efetivas de rever o "apartheid" social que originou e realimenta esse quadro dramático e angustiante. Só não pode é ser "segurança pras elites continuarem roubando e repressão para os pobres".

Viva a REPÚBLICA. Abaixo os senhores de engenho. Viva a democracia e o Brasil.

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