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'...Macaé, ano I, Nº 47 - 22 a 29 de dezembro de 2006
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DIA DOS ARQUITETOS E DOS ENGENHEIROS.
REPRESENTATIVIDADE JÁ!!!

Na segunda-feira , 11 de dezembro, comemoramos o dia dos arquitetos e dos engenheiros. Parabéns a todos os colegas!

São esses profissionais que idealizam, projetam, constroem, produzem enfim tudo que nos cerca na vida moderna (urbana ou rural). De nossas cidades, habitações, prédios, ruas e avenidas, as instalações, pontes e viadutos, estradas de ferro e rodovias, nossas máquinas, veículos, a complexa indústria do petróleo, a indústria química que nos dá todos os materiais, da construção aos bens de consumo e até nossos alimentos (agricultura e indústria alimentícia). Produzem tecnologia de ponta, como no caso da indústria da informática e softwares (programas). Fazem pesquisa, produzem nossa riqueza.

Às vezes estamos tão acostumados com as “engenhocas” desses profissionais que nem nos damos conta, em nosso dia-a-dia, da importância deles. Em alguns casos, como na crise do “apagão aéreo”, que afetou todo o tráfego aéreo do País e abalou a confiança dos usuários da aviação no tocante à segurança de vôo , só foi percebida a partir da falha, colapso ou ausência de tais profissionais e seus equipamentos. Radares, computadores, o programa de análise das informações e os próprios aviões são a mais pura engenharia nas suas mais variadas especializações.

Vimos aqui na divisa de Cabo Frio (RJ) com o Distrito de Barra de São João (Casimiro de Abreu - RJ) a simples interdição da ponte que liga os dois municípios e atende a uma grande área como Unamar e Tamoios (Distrito de Cabo Frio), Búzios, região dos Lagos (RJ) de um lado e Rio das Ostras e Macaé, do outro.

A irresponsabilidade com a administração pública, a falta de manutenção, falta de verba para essa rubrica (MA-NU-TEN-ÇÃO), a falta de fiscalização com o peso das carretas que ali trafegam (pois houve a queda da ponte na BR-101 federal que desviou o tráfego e sobrecarregou a velha ponte “Estadual”) prejudicou enormemente a população que ali reside e trabalha na indústria do Turismo (Rio das Ostras) ou do Petróleo (Macaé). “Deixa cair que depois a gente vê” com uma empreiteira de “emergência” ......... Uma volta de mais de 100 km ou atravessar o rio São João em balsas improvisadas ou barcos cedidos pela pref. de Cabo Frio com fiscalização da Capitania dos Portos.

Todo esse prejuízo às pessoas e aos cofres públicos, tal como nas outras crises (as estradas federais estão um caos) mostra a PERDA DE ESPAÇO POLÍTICO nas DECISÕES que ENVOLVEM ENGENHARIA E ARQUITETURA .

Como se sabe, burocratas, leigos, políticos, economistas, banqueiros e toda a espécie de corja que não tem compromisso algum com a qualidade, com a profissão, tomam as decisões em termos de orçamento , em termos de urbanismo (FAVELIZAÇÃO E FALTA DE ESGOTO TRATADO). O mesmo acontece com os médicos quando se trata de decidir sobre saúde . Tudo que é tipo de moleque e vagabundo mete a colher, dá palpite, toma decisões com critérios criminosos, descompromissados com o objetivo final, que é a população.

Manipulam os orçamentos públicos, destroem cronogramas, adiam o inadiável e fica a engenharia e a arquitetura com a responsabilidade de remediar o caos, de aparecer na hora da desgraça, de dar solução a qualquer custo, na emergência.

NÃO PODEMOS MAIS PERMITIR QUE LEIGOS FAÇAM ANARQUIA COM NOSSA PROFISSÃO . Muitas vezes os engenheiros, concursados ou em cargos de confiança, não podem falar, criticar ou até mesmo denunciar pois podem sofrer sanções administrativas ou perseguições políticas. Mas quase nunca são eles que decidem e quase nunca são ouvidos, não com o peso político que as decisões merecem. A área técnica não é considerada pois os que decidem são leigos, ignorantes na matéria e não tem os mesmos critérios. E dinheiro público é farra nesta republiqueta da impunidade.

É preciso, urgentemente, que os órgãos e entidades de classe como o Conselho Profissional (CREA), os clubes e associações profissionais (Clube de Engenharia, IAB – Instituto de Arquitetos do Brasil), associações de construtores, de empreiteiros, sindicatos (SARJ e SENGE), sindicatos de funcionários públicos de engenharia (como o SEAERJ) possam se unir e atentar para essa falta de representatividade, falta de peso político , nas decisões que envolvem nossas responsabilidades que estão aí expostas à execração pública na busca de culpados para esse caos na infra-estrutura que surpreendeu os brasileiros.

Os Ministros irresponsáveis e inconseqüentes da Tesoura, os Congressistas Federais e Estaduais, os pagadores de juros, enfim, é que são os causadores dessa explosão de incompetência que tanto prejudica e infelicita o povo brasileiro.

Que nossas entidades apareçam para gritar mais por nós, cobrar mais dessa máfia de políticos, exigir mais, entrar mais na justiça, denunciar mais e ... brindar menos, menos tin-tins coniventes.

A engenharia e a arquitetura estão na lama, públicamente enxovalhados, por causa de omissão daqueles que, sorridentes nos coquetéis, não souberam ou não quiseram defender o espaço político da classe nas decisões nacionais e os patifes de ocasião, os inconseqüentes tomaram a dianteira. Todos decidem sobre engenharia, orçamentos públicos, metas, obras, prioridades MENOS os engenheiros.

Ainda somos poucos na política e nas decisões. E são muitos, talvez, nas assessorias.... caladinhos!

Antes de procurar as empreitadas é preciso cessar essa anarquia total e reassumir o controle daquilo que envolve a honra de nossas profissões e a vida dos brasileiros.

Urge reverter essa falha.


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