|
Arq. Moctezuma Pinto
moctezuma@jornalorebate.com
ROUBARAM O POR DO SOL !!!

As tardes de verão em Macaé (RJ), dita “capital do petróleo”, não mais serão as mesmas no pontal da Lagoa de Imboassica, final da praia do Pecado, bairro Morada das Garças.
É que o projeto que vem sendo executado por empreiteira contratada da Prefeitura Municipal de Macaé foi modificado no seu conteúdo e na sua implantação. Ficou muito pior...
O referido projeto é uma intervenção urbana (a 1ª em tantos anos ...) na orla da lagoa e na praia do Pecado. Previa, no lado da praia, ciclovia, calçada, ap. de ginástica e quiosques (obra sendo executada) e no pontal, aonde havia bares (barracões), seria feita uma grande praça com um obelisco (até de gosto duvidoso) e 3 quiosques PEQUENOS, no mesmo padrão dos da praia, para indenizar os donos dos antigos bares e atender ao público.
Nesse local chegou a ser construído o 1º dos quiosques, dando frente pra rua e com um deck suspenso nos fundos, com vista pro mar, explorando o desnível entre a Av. Atlântica e a areia da praia. E também uma torre de guarda-vidas, mais alta, igual ao conjunto que foi construído em frente ao Hotel San Diego na mesma praia.
Quanto a enorme praça, que seria uma excelente opção aos inúmeros freqüentadores e banhistas dessa junção da Lagoa de Imboassica com o Mar, onde se vê ao longe a pista que vai para o Parque de Tubos da Petrobras (no outro extremo da Lagoa), o bairro Mirante da Lagoa, ao fundo (nas tardes de tempo limpo) a Pedra do Frade (um dos símbolos da cidade) e toda a cadeia de montanhas da região serrana de Macaé ...; esse enorme espaço livre foi ocupado, invadido por um paliteiro de postes de concreto, balcões de alvenaria com a construção (antes não prevista) de quiosques GIGANTESCOS nos mesmos moldes dos anteriores porém 4 vezes maiores, eliminando a vista do pôr-do-sol e da Lagoa, de quem vem da av. Atlântica. Só poderá ver essa imagem quem estiver depois desses MONSTRENGOS , na areia à beira da Lagoa.
A praça foi eliminada e o espaço distribuído totalmente para a ganância comercial , o gigantismo desproporcional e a deformação do projeto original que PRESERVAVA O ESPAÇO PÚBLICO , a vista livre (conforto ambiental, lembram???) e a paisagem natural .
Essa decisão anacrônica, antes de ser atribuída a profissionais do projeto, tem a característica de MEGALÔMANOS DO PODER , já que arquitetura não tem nem nunca teve força política e argumentos nas decisões sobre projetos arquitetônicos ou urbanísticos.
Aquilo não é “implantação” num espaço, característica de um projeto de arquitetura. É simplesmente uma agressão, uma estupidez proporcional à boçalidade de quem ocupou e descaracterizou esse enorme espaço. De quem jogou fora o espaço alheio, a vista panorâmica. Simplesmente dividiu-se a largura por quatro e puseram os monstrengos. Algum dos áulicos incompetentes deve ter perguntado: -“ não caberia mais um?”. Não poderiam ser “maiores”? porque não botam logo um TAPUME e cobram ingresso? Porque não a “muralha de macaé”?
E pior que a má qualidade continua na especificação da construção, que acabou em tragédia, com o desabamento do primeiro dos telhados que estava sendo montado na última sexta-feira 24/11/06, causando a morte do mestre-de-obras e ferimentos graves em mais operários. Segundo um dos acidentados que voltou ao local no domingo 26/11, o mestre teria dito que “aumentaria o tamanho dos parafusos por conta dele ...” para dar “mais segurança”, pois ele estava com medo. Que Deus proteja a sua família, em Pernambuco.
Nem isso essa Prefeitura foi capaz, ou seja, exigir da empreiteira que contrate em Macaé. Fica o desemprego aqui na periferia e os operários amontoados num alojamento (em frente ao bar do Pedrinho na entrada da Lagoa) e longe de suas famílias. Dupla miséria.
Referia-se o falecido mestre aos “parafusinhos” usados para segurar toda essa enorme estrutura, que não conseguiu pular da laje à tempo e as vigas e caibros desmoronaram atingindo sua cabeça, jogando-o ao solo do térreo com apenas metade das telhas (e do peso) colocadas sobre as ripas, um simples telhado de meia-água. Mas, traiçoeiro, joga sua estrutura sobre uma viga de madeira simplesmente “encostada” e aparafusada em dois postes redondos de concreto. Cizalhamento? O “que que” é isso?
E o perigo continua , pois os outros quiosques são do mesmo “estilo”, oferecendo risco de desmoronamento dos telhados e ameaçando a vida dos usuários e incautos que estiverem ali em baixo. PERIGO! AFASTEM-SE! OBRA MUNICIPAL EM ANDAMENTO ... SALVEM SUAS VIDAS E DE SUAS CRIANÇAS. No verão, a tragédia é anunciada . E o “canteiro de obras” é aberto, com materiais espalhados pela rua entre transeuntes;
Na “visão de escritório”, burocrática e confortável do ar-condicionado, não foram ver, reparar, analisar os “ventos dominantes” e ao distribuir seus monstrengos gigantinhos desperdiçando e espaço, puseram algumas das águas de telhado na posição frontal para o sudoeste, que em dias de temporal, é o vento mais agressivo da região e poderá levantar aquele telhado como uma vela de prancha laser...
Decisão infeliz; implantação infeliz; tamanho inadequado; montagem infeliz; morte e ferimento de operários; risco iminente para futuros usuários; construção que causa repulsa e ameaça a vida; tampa a paisagem e prejudica o conforto ambiental; há que voltar atrás e rever tudo. Façam os quiosques pequenos e nas laterais; Ponham de volta a praça do pontal...
DEVOLVAM O PÔR-DO-SOL DOS MACAENSES!!!!!
Outros artigos |