ZONA URBANA
Arq. Moctezuma Pinto
moctezuma@jornalorebate.com RIO DAS OSTRAS (RJ):
INTERVENÇÃO URBANA DA PREFEITURA TRANSFORMA A VIDA DAS PESSOAS
A cidade de Rio das Ostras, conhecida dos Cariocas como um local aprazível para se andar à vontade nos fins de semana e férias de verão, freqüentar belas praias e ótimos restaurantes com a tradição de iguarias do mar, até dez anos atrás era um Distrito do Município de Casimiro de Abreu assim como seu vizinho litorâneo Barra de São João.
Um lugar para se "esquecer" o apartamento e o trabalho e andar entre o verde e suas recortadas praias, algumas de mar calmo, ideal para crianças e idosos e outras para surf e esportes náuticos, de mar aberto, como a praia de Costa Azul.
A vila nasceu como tantas outras, na passagem dos tropeiros que vinham de Campos e Macaé (RJ) em direção à antiga Capital da Província, a cidade de Niterói.
A antiga estrada Niterói - Campos, asfaltada, transformou-se na atual Rodovia Amaral Peixoto. Com a maior autonomia dos veículos e a criação da BR-101 o então Distrito praiano teve um período de estagnação. Suas ruas eram de terra, algumas casas de veraneio e um comércio insipiente voltado apenas para o verão.
Após a lei Federal dos royalties do petróleo (uma luta vencida pelo então governador do Estado Sr. Leonel Brizola) os municípios litorâneos da Bacia de Campos começaram a receber verbas percentuais desta imensa riqueza regional, mesmo quando retirado do mar, para investir em infra-estrutura e urbanismo. A vizinha e bilionária Macaé é a que mais recebe sendo a maior base de produção de petróleo do Brasil, concentrando 82% da produção nacional. E Macaé fica a apenas 25 km de Rio das Ostras.
Aumenta a procura por imóveis para quem vem "de fora" (Rio de Janeiro e outros Estados) para trabalhar na indústria do petróleo somando-se ao aumento do turismo e também à vinda de famílias inteiras da Região Metropolitana seja pelo fator trabalho ou pela violência urbana na Capital.
A cidade não suportava tal crescimento. Não havia NENHUMA infra-estrutura. Nem água, esgoto, calçamento nas ruas, abastecimento no comércio. A água, o MAIOR PROBLEMA DA REGIÃO, era distribuída em caminhões-pipa a preços exorbitantes, captada em nascentes da região (sem tratamento algum) ou num posto da CEDAE ( Cia. Estadual de Água e Esgoto) em Macaé.
Veio a luta pela emancipação e o Distrito virou Município. E o melhor que poderia acontecer, servindo de exemplo, era a continuidade administrativa e o planejamento. O primeiro mandato organizou a administração pública e enfrentou a questão da água (o Prefeito foi assassinado assumindo a vice com a mesma coragem), implantou uma infra-estrutura provisória no Centro. O segundo e terceiro mandatos (com o prefeito Sabino re-eleito) soube aproveitar os recursos como um bem público e implantou ações em todo o Município, até mesmo no Distrito de Mar do Norte (limite de Macaé) com asfaltamento e calçamento de ruas (COM infra-estrutura de esgoto, sem a necessidade de "quebra e refaz", crime comum nas obras públicas).
Prédios novos da administração pública, amplos e adequados, como a Prefeitura nova e a sede da Câmara Municipal no bairro de Costa Azul, cemitério novo, secretaria de Fazenda no Centro; intervenção firme na caótica Avenida que corta todo o Centro, na verdade a Rodovia Estadual Amaral Peixoto (municipalizada neste trecho urbano) e duas avenidas laterais, onde fica o comércio principal. Disciplinou o estacionamento, dividiu o espaço entre os veículos e pedestres, criou calçadas adequadas, semáforos e guardas de trânsito em todas as esquinas, ciclovia, tudo com agradável projeto urbano que através de "esses" em lugar da antiga reta interminável, faz com que os veículos REDUZAM a velocidade. Todos os equipamentos urbanos seguem a um padrão de beleza plástica que ao mesmo tempo agrada ao usuário e identifica a cidade. Pontos de ônibus cobertos (com recuos de forma a não atrapalhar o fluxo de trânsito), guaritas da GM, bancos, pontos de táxi; padronização dos quiosques nas praias do Centro.
Na praia de Costa Azul um show de arquitetura com o projeto da orla, belíssimos quiosques junto à praia, ciclovia, calçadão e a av. Atlântica com piso diferenciado. Terminando na praça da Baleia, um canto agradável entre o verde e o mar com enorme escultura de uma baleia e espaço para shows de jazz e outros estilos de música. Tudo acompanhado de ótimos restaurantes e pousadas, graças a esta intervenção urbana e investimentos.
Todas as ruas do Centro e bairros adjacentes e metade de Costa Azul foram calçadas, asfaltadas, receberam rede de água e esgoto, iluminação, sinalização de trânsito e urbana e tratamento paisagístico. O transporte coletivo atende a todos os bairros. Vieram novas agências bancárias e comércio de todo o tipo que não deixa a desejar das grandes cidades. Foi construída uma variante urbana (via de contorno do Centro) que tira o transito pesado do centro comercial, para quem segue para o trevo de Rio das Ostras ou Br-101 rumo à Casimiro de Abreu. E também obras como a estação de tratamento de esgoto e o emissário submarino (píer de Costa Azul), redes de abastecimento domiciliar de água e de coleta de esgoto em toda a cidade. Conforme terminava a parte subterrânea vinha o calçamento com meio-fios padronizados, ralos de águas pluviais e iluminação pública. Rua por rua, bairro por bairro. Parecia que a cidade estava em guerra.
Reformaram e construíram escolas públicas e o centro universitário que abriga a Universidade Federal Fluminense (núcleo local). Viraram a antiga vila de cabeça pra baixo e a transformaram na melhor cidade da região pra se viver. Isso é que é decisão política. Obstinação pelo verdadeiro bem coletivo. O investimento do dinheiro público em qualidade de vida.
A atual administração, do prefeito Balthazar (eleito com o apoio do antecessor pref. Sabino) continua realizando o mesmo projeto de longo prazo, isto é, infra-estrutura urbana. Está em construção a duplicação da ponte junto ao Rio das Ostras, entre o bairro Costa Azul e o Centro, antigo gargalo no intenso tráfego de Macaé para esta cidade. O projeto também é diferente, na sua beleza plástica, do que se costuma fazer, pelo jeito uma marca urbana de Rio das Ostras, a arquitetura.
Essas obras atraíram investimentos tanto no comércio como no setor hoteleiro e turístico; valorizaram os imóveis e incentivaram as construções nos inúmeros loteamentos antes estagnados. Durante essas três administrações foi feita uma nova lei de uso do solo e para a construção civil com ênfase no verde e no meio ambiente.
Rio das Ostras hoje é uma cidade que se destaca entre todas da região pela sua qualidade de vida, de moradia ou comércio e lazer. Faz realmente a diferença para melhor graças à contribuição da arquitetura e urbanismo e também à sensibilidade dos vereadores e prefeitos que deixaram fluir nossas idéias, transformadas em lei ou em projetos urbanísticos. Parabéns aos arquitetos que para isso contribuíram. Parabéns aos vereadores que na decisão política consideraram a arquitetura como prioridade na solução de tantos problemas. Parabéns aos prefeitos que com visão de longo prazo souberam usar com maestria a arquitetura nas suas ações administrativas.
O povo que veio morar e investir em Rio das Ostras agradece. Um belo exemplo a ser seguido.
Veja outros artigos de Moctezuma Pinto |