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...Ano I Nº 8 - 18 a 25 de março de 2006

Acontecências

por José Milbs


Justiça Brasileira:

JOVEM MÃE ESTÁ PRESA EM SP, HÁ 120 DIAS POR EXPROPRIAR UMA LATINHA DE MANTEIGA. ENQUANTO ISSO, EM BRASILA, DUDA DEBOCHA E SORRI...

Uma jovem mãe, Angélica, entrou num Supermercado em São Paulo. Comprou pão, tendo ao lado seu filho menor. O olhar puro do seu filho, ela flagrou, num pote de manteiga. A criança tava com fome e também sentia desejos de manteiga.

Num lance, misturado com amor e delito, a pobre senhora "furtou" a caixa de manteiga. Ao sair foi abordada, humilhada e presa. O juiz do feito diz que ainda não relaxou a prisão desta mãe, por que o dono do Estabelecimento esta fazendo pressão para não soltar a infeliz.

Enquanto isso, em Brasília, o Duda Mendonça ri e debocha de todo mundo, apoiado no S.T. F que lhe deu concedeu este direito. Os donos do Batton Mouche gastam milhões em paises europeus e as mulheres dos Petroleiros da P 36, ainda lutam por seus direitos.

Porque tanta justiça para uns e nenhuma para todos? (José Milbs, ex-acadêmico de Direito)...

Nota: Podia estender esta matéria mais deixo ao leitor esta missão. Pensei até e peticionar ao juiz paulista pedindo clemência para a dona Angélica e que ele acionasse a Receita Federal para uma devassa no Supermercado. È capaz da própria latinha de manteiga não ter sido comprada com o devido imposto recolhido. Mas deixe para "eles"...

Meu avô Mathias Lacerda, que foi fazendeiro (sem ser latifundiário), vereador e Juiz dizia: Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão...


Despedida do mestre capitão Antonio Carlos de Assis...

O mês de março ainda esta começando e me deu vontade de ir à cidade. Rever velhas ruas enfeitadas pela sofisticação e poder abraçar antigos amigos que ainda circulam ou perambulam pelo centro frio de Macaé. As conversas não mudam e rever estes papos faz parte da existência de qualquer cidade de interior. O mesmo vento ameno que vem do encontro do Rio Macaé com as águas esverdeadas do Oceano trás até meu olfato a sutileza da harmonia natural que o homem ainda não conseguiu destruir nesta cidade de esquecimentos eternos...

Soube da presença de Antonio Carlos de Assis e rumo para uma visita. Anuncio minha chegada e a sua companheira é avisada de minha chegada ao prédio. Imagino um rápido olhar dela e o consentimento de minha ida ao seu aposento. Falavam para mim de sua doença, de sua cadeira empurrada por outros e até do "perigo de salvar-se" dos males que seu corpo tinha sito vitima nos últimos meses.

Em poucos minutos me vejo sentado em sua sala à espera de sua presença. Capitão vem ao meu encontro. Nada de cadeiras de rodas, nada de pijamas e longe de um abatimento corporal. Um simpático enfermeiro o segue com os braços abertos para evitar o tombamento de seu corpo. Nada acontece. Capitão chega para meu cumprimento com o mesmo olhar que conheço a mais de 40 anos. Com o mesmo sorriso que faz com que sua beleza não se esvai. "Nada de parecer cambaleante na presença do velho amigo". Deve ser seu pensamento ao sentar-se a minha frente. Estava ali o seu companheiro de grandes jornadas sociais e políticas e este não seria nunca o momento de uma flacidez corpórea. Capitão estava firme, pensamento provocado por minha voz amigo lhe fez falar com a firmeza que sempre torneou sua existência.

Elegantemente estende suas compridas pernas que tanto estonteou mulheres e provocou nos homens por onde passou ciúmes e olhares de desconfianças e, mansamente me fala de sua doença. Está a minha frente o mesmo Antonio Carlos dos anos 60 e 70. Mesmo olhar que tanta alegria e sorrisos amenos foram provocados em Cláudio Moacyr, Cláudio Upiano, Euzébio Mello e Filinho Monteiro. O mesmo semblante que conquistou o carinho de Carlos Augusto Tinoco Garcia, Paulo Rodrigues Barreto, Álvaro Paixão Junior e do Desembargador Ronald de Souza. Este Antonio Carlos de Assis estava ali, vivo tentando balbuciar carinho com a minha presença e falando de seus filhos com o mesmo brilho que sempre fluía nos anos de suas infâncias. Orgulhoso das duas filhas que são famosas no mundo artístico e das inteligências dos dois meninos frutos de seu amor pelas mulheres que tiveram o privilegio de deitar-se com ele. Capitão não estava morrendo como queria alguns agoureiros dos plantões das esquinas macaenses. "Tinha perigo de salvar-se" e se salvava na sutileza de seus gestos infantis que os longos dedos ainda relampejavam quando se sua fala e gestos. Ainda dava cartas e jogava de mão o velho comandante das noites...

Mineiro de Leopoldina Antonio Carlos de Assis ousou desafiar a velha sociedade macaense dos anos 60. Uma sociedade bolorenta e cheia de preconceitos. Uma sociedade onde pobre e negra não podia freqüentar seu clube social e que mulher separada era barrada em suas festas. Uma sociedade porcamente falsa, traiçoeira e fedorenta mais que podia comprar perfumes caros. Capitão veio, e nesta falsa sociedade fez o rebuliço que o Colunista de Acontecencias nos anos 60. Euzébio Luiz da Costa Mello, chamaria de "avesso do avesso". Como nos personagens de "TEOREMA" ele foi espacejando o preconceito e se firmando como vencedor.

Cercado de todo tipo de gente sempre era manchete no O REBATE nos anos 60 e responsável por longas e inteligentes crônicas do BOM FUTEBOL que sempre determinava o destino das belas jogadas do futebol arte macaense nestes anos. Responsável por longas e inteligentes crônicas do BOM FUTEBOL que sempre determinava o destino das belas jogadas do futebol arte macaense nestes anos.

Raciocínio rápido e olhar que fala foi temido por políticos que se enriqueceram com o desvio de dinheiro público e que se afastavam dele com receio das descobertas de suas falcatruas. Fui sem amigo e jamais o vi participar de qualquer tipo de deslize com o erário público. Vereador, líder empresarial, sua existência marcou uma época de grandes transformações na cidade. Cercado de ricos e pobres ele, elegantemente sem perder a pose, me disse que iria para o Rio de Janeiro. Talvez com o intuito natural que comanda o fim dos grandes elefantes: Capitão vai ao encontro da cidade grande. Macaé ficou pequena. Capitão ainda vive, viva Capitão...

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