A fumaça do tabaco mata crianças
Cada segunda criança se torna um fumante passivo na casa paterna. Devido aos enormes riscos à saúde,
isto é uma grave irresponsabilidade
Marly Santiago
O feto da gestante fumante não recebe oxigênio suficiente e seu peso, por ocasião do nascimento, se reduz em até 10%. Pela falta de oxigênio, podem ocorrer danos cerebrais! Podem ocorrer, ainda, outras conseqüências, tais como: uma alta taxa de mortalidade em recém-nascidos, partos prematuros e desenvolvimento intelectual e emocional deficiente, assim como distúrbios de comportamento. Mas não somente o fato da mãe ser uma fumante ativa ou passiva durante a gravidez pode levar a danos vitalícios, a graves deformações e até à morte da criança antes ou após o parto. O sêmen de um homem viciado em nicotina já é suficiente para provocar um aborto, danos hereditários e levar a um índice maior de câncer infantil. Até mesmo a infertilidade feminina pode ser conseqüência do tabagismo.
Em países do terceiro mundo, as despesas com o tabaco nas famílias de baixa renda se fazem em detrimento da nutrição infantil. Segundo uma estimativa (ver fonte abaixo), 500.000 crianças morrem anualmente de inanição, porque seus pais são levados a fumar.
Fumantes, assim como os fabricantes e comerciantes desta droga de extermínio em massa, são responsáveis por crianças doentes, deformadas, com danos cerebrais e subnutridas.
Várias vezes gestantes e mulheres com crianças me contaram o quanto sofriam ao serem expostas com tanta freqüência à fumaça do cigarro. Há crianças que, ao serem perguntadas o que desejam para seu aniversário, manifestam o desejo de viver sem a tara do fumo.
Principalmente em consideração às crianças, é uma irresponsabilidade continuar legitimando o fumo pelos seguintes motivos:
- devido a possíveis danos hereditários por meio do esperma do tabagista;
- devido a danos causados ao feto pelo fumo ativo ou passivo da gestante;
- devido a danos causados à saúde da criança por inalação direta da fumaça do tabaco.
Pelo hábito de fumar em público, cria-se na juventude a impressão de algo normal e inofensivo." Se realmente fosse algo tão nocivo, com certeza o Estado já o teria proibido ", pensa a criança.
Portanto, a barreira que leva a este vício é bem menor.
A propaganda enganosa do tabaco atua na criança (e não somente nela) em um nível que, de modo geral, não pode ser notada.
Na realidade, o consumo de cigarro só tem efeitos maléficos ao bem-estar da sociedade - destruição da natureza em função da plantação do tabaco, danos catastróficos à saúde, incêndios devido às pontas de cigarro desprezadas, divisão da sociedade em fumantes e não-fumantes.
A propaganda do tabaco refere-se, em tom sigiloso, à documentação estratégica da indústria do tabaco e que é dirigida diretamente ao público infantil e juvenil. Chamo a isto de sedução de menores ao consumo de drogas! É inacreditável que este tipo de delito contra crianças conte com a anuência do Estado!
Muito já foi escrito sobre como a mãe contribui para os defeitos congênitos do filho, seja por alimentação errada, fumo, bebidas ou drogas. Agora, os cientistas estão estudando o papel do pai. O fundamento é simples: defeitos congênitos resultam de óvulos ou espermatozóides danificados antes da fertilização. As futuras mães sempre foram avisadas que, fumando durante a gravidez, correm maior risco de ter um bebê com baixo peso. As advertências impressas nos maços de cigarros não mencionam que pais fumantes também podem ser a causa do baixo peso no recém-nascido. Um subproduto da nicotina no sêmen de fumantes talvez explique por que os fumantes geram filhos de peso baixo ao nascer. Além disso, existe a influência do fumar passivo, isto é, a fumaça de cigarro do marido respirada pela esposa grávida.
Um estudo realizado na Universidade de Boston mostrou que ratos machos - expostos ao óxido nitroso antes do acasalamento - produziam crias de menor peso e desenvolvimento mais lento do que as crias de machos não expostos ao gás.
Outra pesquisa, na Universidade de Maryland, revelou que ratos machos - expostos a níveis mínimos de chumbo - produzem crias com graves alterações no desenvolvimento cerebral. O mesmo estudo mostrou que crias de machos expostos à morfina tinham mais dificuldade em aprender.
Doses baixas cumulativas de radiação também podem provocar danos. Uma pesquisa realizada na Inglaterra constatou que os filhos dos operários da usina nuclear de Sellafield eram 8 vezes mais propensos a contrair leucemia do que as crianças cujos pais não trabalhavam na usina.
Os cientistas não sabem explicar todos os mecanismos que prejudicam os espermatozóides. Segundo uma das teorias, o sêmen, por sofrer divisões antes da ejaculação, é especialmente vulnerável à ação de produtos químicos e à radiação. O material genético contido nos espermatozóides pode ser prejudicado. Segundo outra teoria, produtos químicos tóxicos no sêmen podem passar diretamente para a mulher e prejudicar o óvulo ou o aparelho reprodutor.
Quaisquer que sejam os mecanismos, há provas suficientes para mostrar que as estratégias de saúde na área de reprodução não podem ignorar o pai. Na década de 70, o pesticida dibromocloropropano foi proibido quando ficou comprovado que causava esterilidade permanente em agricultores nos Estados Unidos e na Costa Rica. Considerações de ordem política explicam a relutância do governo norte-americano em aceitar a ligação entre exposição ao herbicida Agente Laranja (dioxina) e defeitos congênitos. Um estudo recente mostrou que os filhos de soldados que, no Vietnã, foram expostos ao Agente Laranja, tinham mais probabilidade de sofrer malformações (pé torto e problemas cardíacos) do que os filhos dos outros veteranos.
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Fonte: " Study: Smoking by adults kills hundreds of kids " Boston Herald
" Rauchen vor Kindern ist ein Mordversuch, da jeder die Folgen kennt " (Fumar na presença de crianças é uma tentativa de assassinato, pois todos conhecem as conseqüências)
Dr. Max Daunderer em Klinische Toxikologie
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