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...Macaé, ano I, Nº 15 - 5 a 12 de maio de 2006

O erro grave da AIDS

Como foi possível acontecer?

Marly Santiago

Um pesquisador de inibidores da protease analisa como cientistas brilhantes chegaram a considerar doenças comuns, não-infecciosas, como sendo causadas por um vírus inofensivo, e como atribuíram poderes fantásticos e patogênicos a esse vírus.

A hipótese do HIV como causa da AIDS não é apenas o maior erro científico e médico do século XX; é também o maior embaraço. Cheguei à conclusão de que a magnitude desse embaraço representa o maior obstáculo para a exposição dos seguintes fatos simples, claros e óbvios:

  • a AIDS não é contagiosa;
  • a AIDS não é sexualmente transmissível;
  • o HIV não provoca a AIDS;
  • os medicamentos contra AIDS estão matando pessoas.

É surpreendente que não exista um só estudo na vasta literatura médica e científica mostrando:

a) um grupo de adultos ou crianças soropositivos com vida mais curta ou pior qualidade de vida que um grupo de adultos ou crianças soronegativos, ou

b) um grupo de adultos ou crianças soropositivos que tomem medicamentos contra AIDS com vida mais longa ou melhor do que um grupo similar de adultos ou crianças soropositivos que não tomem esses medicamentos.

Para contrabalançar a reação natural de descrédito, proponho um desafio simples, que deveria minar sua crença nos axiomas centrais da AIDS. Pense no nome de uma ou mais pessoas que, comprovadamente, mostraram que o HIV causa AIDS, ou que AIDS é contagiosa, ou sexualmente transmitida, ou que os medicamentos contra AIDS realmente promovem vida e saúde. A tarefa não é descobrir uma lista de pessoas que fizeram essas afirmações. Essa lista é bem longa. Não, a tarefa é achar os nomes de pessoas que provam que essas afirmações são verdadeiras ou, pelo menos, prováveis.

Estudei a AIDS desde o início e não consegui encontrar nomes nem documentos contendo provas que sustentem os axiomas da AIDS. Na realidade, não conheço uma só pessoa que tenha encontrado os nomes e os documentos.

Por que, então, lemos nos jornais, escutamos no rádio e vemos na televisão a cada dia uma ladainha crescente de horrores sobre a AIDS e estatísticas do HIV? Por que praticamente todos os médicos e autoridades da saúde pública declaram sua lealdade inabalável ao dogma do HIV e aos axiomas da AIDS? A resposta é simples.

A propaganda é uma indústria multibilionária porque funciona. Nos últimos 19 anos, os norte-americanos gastaram com seus impostos mais de 60 bilhões de dólares com a AIDS. É possível comprar muita propaganda com essa quantia. Esses 60 bilhões dos impostos não incluem os bilhões de dólares que a indústria farmacêutica gastou em produtos direcionados à AIDS ou os bilhões de lucro que embolsaram na venda desses produtos. Em comparação, os norte-americanos gastaram 22 bilhões de dólares para colocar o homem na Lua. Esse dinheiro valeu alguma coisa - chegamos à Lua. No entanto, com os bilhões de dólares da AIDS ainda não obtivemos nenhum sucesso.

As dezenas de bilhões de dólares do HIV sustentam os mais de 100.000 médicos e cientistas que construíram carreiras e reputação simplesmente aceitando o dogma do HIV e os axiomas da AIDS. Porém, com esse dinheiro, os 100.000 cientistas e médicos não produziram provas mostrando que os axiomas da AIDS são fatos científicos ou, pelo menos, prováveis de corresponder à verdade. Freqüentemente, Peter Duesberg, o famoso professor titular de Biologia Molecular e Celular da Universidade da Califórnia, diz a respeito dos fundos para a AIDS: "Eles gastariam bilhões para estudar o HIV na Lua, se quisessem, mas não podem gastar 50.000 dólares para provar que estão errados."

Se você acredita que a Ciência se dedica à livre troca de idéias e está empenhada em um debate aberto, você tem que acordar. Uma coisa que os críticos descobrem rapidamente é que os papas do dogma do HIV nunca respondem às críticas específicas sobre os axiomas da AIDS.

Os poucos cientistas que questionam o dogma do HIV e os axiomas da AIDS, rapidamente descobrem que não conseguem mais levantar fundos para suas pesquisas. Para salvar suas carreiras, a maioria deles pára de fazer perguntas embaraçosas e se prostra diante do ídolo de ouro do HIV. Os poucos corajosos (ou teimosos) que defendem seus princípios são forçados a garimpar dinheiro do jeito que for possível para continuar suas pesquisas. No laboratório de Duesberg, por exemplo, dependemos da generosidade de indivíduos ricos, fundações privadas e doações gerais.

Entretanto, mesmo que você obtenha o dinheiro para fazer o trabalho, não vai conseguir publicar os resultados em nenhuma revista científica ou médica americana e não será mais convidado para encontros profissionais. Se você questiona publicamente o dogma HIV, corre o risco de sofrer ataques, acusações de homofobia e de estar desencorajando as pessoas a tomar medicamentos benéficos e usar preservativos.

Com tantas carreiras dependendo do dogma do HIV e dos axiomas da AIDS e bilhões de dólares investidos neles, é fácil perceber o que está em jogo. Se alguns, ou todos os axiomas da AIDS estão errados (e tenho certeza que estão), então estamos diante do maior erro do século XX. Seria preciso coragem e integridade sobrehumanas da parte dos inúmeros membros do governo, diretores dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), Centros para Controle das Doenças (CDC), médicos, cientistas, profissionais da saúde, jornalistas, celebridades e cidadãos comuns para admitir que cometeram um grande erro - que entenderam tudo errado a respeito da AIDS.

Muitos críticos bem informados acham que os bilhões de dólares que estão em jogo são o maior obstáculo para terminar com a insanidade da AIDS. Esse dinheiro é, certamente, uma poderosa arma a serviço do sistema HIV/AIDS. No entanto, penso que são, simplesmente, o sentimento de humilhação e o medo do ridículo o maior obstáculo para o fim desta insanidade. É o medo de estar tão obviamente errado a respeito da AIDS que mantém a boca fechada, o dinheiro fluindo e a retórica da AIDS subindo a picos estratosféricos absurdos.

Os médicos que sabem ou suspeitam da verdade estão envergonhados ou com medo de admitir que os testes do HIV são inválidos e que os medicamentos contra AIDS prejudicam e matam pessoas. Somos ensinados a temer os anticorpos e a acreditar que anticorpos do HIV anunciam uma infecção viral letal a surgir semanas ou anos mais tarde na pessoa, por mais saudável que esteja. Quando você aponta aos profissionais da saúde que os anticorpos são a própria essência da imunidade antiviral, esses argumentos provocam desprezo ou um silêncio perplexo.

Os NIH, os CDC e a Organização Mundial da Saúde estão aterrorizando centenas de milhões de pessoas no mundo inteiro com a política temerária e absurda de equiparar sexo à morte. Ligar o sexo à morte colocou essas organizações numa situação impossível. Seria embaraçoso demais para elas ter que admitir tão tarde que estão erradas, que a AIDS não é sexualmente transmitida. Tal admissão poderia até destruir essas organizações ou, pelo menos, pôr em risco sua futura credibilidade. A autopreservação obriga essas instituições a, não apenas manter, mas até ampliar os erros. Isso ajuda a aumentar o medo, o sofrimento e a miséria no mundo - a antítese de sua razão de ser.

A única maneira de nos libertarmos do erro grave da AIDS e acabar com a tirania do medo que o protege, é abrir um debate internacional e discutir livremente tudo a respeito da AIDS. Teremos que descobrir um modo de fazer isso minimizando o sentimento de vergonha daqueles que mais arrogantemente abraçaram o modelo do HIV e o sentimento de raiva daqueles que mais seriamente sofreram com esse modelo. Mas a raiva deve ser deixada de lado rapidamente. É um erro destacar os vilões e quem deve ser punido. O erro da AIDS é um fenômeno sociológico cuja responsabilidade é compartilhada um pouco por todos.

Em última análise, o erro da AIDS não é, na verdade, relativo à saúde e à doença, nem à ciência e à medicina. O erro da AIDS está relacionado à saúde das nossas democracias. É pouco provável que o erro da AIDS tivesse acontecido e se mantido numa democracia saudável, em que um debate contínuo de todos os assuntos importantes é vigoroso e aberto, em que a crítica floresce e os críticos não são apenas tolerados, mas encorajados e admirados.

Uma democracia saudável exige que os cidadãos mantenham um olhar crítico, desconfiado até, sobre as instituições, de maneira a prevenir que se tornem os regimes autônomos e autoritários que são hoje. O erro da AIDS mostra que precisamos repensar e reestruturar nossas instituições de governo, da ciência, da saúde, do ensino superior, do jornalismo e dos meios de comunicação. Precisamos reestruturar os processos de editoração e financiamento científico para que não promovam e protejam algum dogma específico, determinada corrente de pensamento ou excluam idéias conflitantes. Um jornalismo robusto e realmente investigativo precisa ser ressuscitado, premiado e incentivado.

Finalmente, como cidadãos, devemos reassumir a responsabilidade pela nossa própria saúde e bem-estar e pela saúde das nossas democracias.
_____
Fonte: Rethinking AIDS , vol 8:7, julho 2000
David Rasnick tem doutorado em química e biologia pelo Instituto de Tecnologia da Geórgia, em Atlanta, EUA. Trabalhou durante muitos anos na indústria farmacêutica, desenvolvendo e pesquisando inibidores da protease, uma família de medicamentos usados na "terapia de coquetel" do HIV. Está trabalhando atualmente com Peter Duesberg na Universidade da Califórnia, em Berkeley, EUA.

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