Importante! Mandaram o Gerson embora!
Marcel Silvano
Gente,
acho que a FAFIC está vivendo momentos lamentáveis na sua história. Essa
Faculdade, que no meu ponto de vista, oferece alguns dos cursos mais
importantes para o desenvolver da sociedade e do ser humano está atropelando
e desconstruindo todo e qualquer bom ensinamento que poderia passar para
cada pessoa que por ali anda diariamente para tornarem-se pessoas melhores.
A FAFIC tem cursos importantes como História, Filosofia, Letras, Pedagogia,
Comunicação Social - Jornalismo/RP/Publicidade. Cursos que formam o SER
HUMANO como indivíduo que entende um contexto histórico, que é determinado
em construir rumos diferentes para a sociedade, indivíduos que não são
levados pelo senso comum, que estão sempre baseados em aspectos teóricos e
fundamentados.
Faço esse relato e aponto essas características dos estudantes dessas áreas
do conhecimento humano, para mostrar minha total surpresa e inquietação
quanto à notícia, que pela segunda semana consecutiva a direção dessa
instituição toma medidas unilaterias, infundadas e movidas pela
emoção inexplicável. Talvez nem tão inexplicável assim. Uma faculdade de
ciências humanas que leva a cabo suas picuinhas políticas internas e se
utiliza das piores práticas dos piores políticos eleitoreros e truculentos
que vemos espalhados pelo nosso país a fora. A política interna da FAFIC,
infelizmente faz com que a qualidade do ensino esteja sempre em segundo
plano, a participação dos alunos em 6º plano e a influência de professores
com visão progressista e diferente é rechaçada. O espírito democrático da
instituição que estuda a sociedade, que se aprofunda em questões
comportamentais e organizacionais do homem, esse espírito de democracia e de
aceitação do diferente é nulo. A FAFIC parece mais um centro de treinamento
nazista, ou um ímpério ideológico norteamericano, onde o diferente é mau, é
ruim, é terrorista, é nocivo aos bons modos.
Realmente lamento que essa prática será a que guardarei da minha Faculdade e
a que contarei a todos os meus companheiros de trabalho, aos meus filhos,
netos e parentes, aos meus amigos que ainda pensam em fazer jornalismo numa
faculdade perto de casa, no interior do estado, aos estudantes das escolas
de ensino médio que tenho contatos através do movimento estudantil. Lamento
que o obetivo da Faculdade não seja formar seres humanos capazes de
enfrentar o dia a dia com maturidade, com discernimento, com comportamento
digno de quem tem essa base acadêmica que forma a pessoa para a vida e não
apenas para o mercado de trabalho.
Fico preocupado com isso tudo quando, no apagar das luzes, na calada da
noite, a direçãoda faculdade praticmente expulsa dois professores. Um na
segunda passada, ainda em época de provas finais e outro ontem, quando já
não há mais alunos na faculdade. O primeiro foi Alexandro, prata da casa,
formado ano passado e que sempre cooperou com a instituição, desde a
participação com projetos de cunho nacional, até edição de vídeos para
quaisquer pessoas, alunos professores, coordenadores, filhos, netos... Esse
garoto, estava começando a caminhada acadêmica como professor, quando a
faculdade precisou ele prontamente aceitou cooperar e entrar em sala de
aula. Esse rapaz, prata da casa, não teve seu contrato renovado e foi
proibido de chegar perto dos equipamentos da UNITV. Decisão unilateral,
inexplicada e truculenta, por parte da direção. Para surpresa de
todos, nesta segunda, na reunião do curso de Comunicação Social, o professor
Gerson Dudus foi demitido da faculdade, foi informado que está a
disposição da Fundação e que não era mais professor da FAFIC. Por quê?
Também ninguém entendeu e ninguém quis explicar. Talvez seja porque ele é
uma referência para os alunos. Talvez porque ele acredite em uma outra
proposta de jornalismo. Talvez porque as aulas dele são as mais
freqüentadas. Talvez porque nas questões políticias internas da FAFIC, ele
sempre se posicionou, nunca se omitiu. Mas acho que não foi por nenhuma das
hipóteses levantadas. A mesquinharia á tamanha que o estão responsabilizando
por um "pasquim" surgido na faculdade apontando algumas distorções da
administração, amplamente distribuído e sem assinaturas. A partir daí
começou a caça às bruxas e sempre era ele o principal suspeito. Logo ele que
sempre se posicionou claramente. E as suspeitas não param por aí... Pessoas
ligadas à molvimentos sociais, a partidos de esquerda, e ao próprio Gerson
são acusadas sem fundamentos e injustamente. Acreditem, se quiserem, eu sou
um dos suspeitos e mais uns 2 da minha sala. Isso é um absurdo, é um
desrespeito aos alunos. E ainda mais, essa atitude comprova o esforço para
inibir a emissão de opinião e a livre expressão. Talvez por isso ninguém
tenha assinado aquilo, por prever a represália. E ainda mais, suspeitarem
dos alunos que têm envolvimentos em causas e bandeiras de lutas socias
comprovam qual é o perfil da direção e da FAFIC como um todo. Lamento
estar escrevendo isso, preferia que esse fato não tivesse acontecido e
declaro todo meu apoio ao Gerson Dudus e convoco os estudantes da FAFIC
para uma grande mobilização no retorno às aulas com as seguintes bandeiras:
MANUTENÇÃO DO PROFESSOR GERSON DUDUS; MUDANÇA DE POSTURA DA DIREÇÃO;
RESPEITO AOS ALUNOS E PROFESSORES ELES QUE FAZEM A FACULDADE.
Espero que todos estejam entendendo o que aconteceu e o que está
acontecendo.
Confesso que tenho certo receio com a possibilidade de não querem renovar
minha matrícula, de crairem algum atrapalho por causa deste desabafo.
Mas gostaria de expor essas palavras como uma CARTA PÚBLICA, para que todos
tenham conhecimento de minha indignação e minhas opiniões.
Acredito que esse exercício é natural e é direito e apenas engrandece o
mundo acadêmico. É um apelo para que cada aluno exercite sua liberdade e
mostre que o mundo FAFIC vai sim formar alunos livres, isso que queremos!
Abro também o espaço para todos que quiserem assinar essa carta. Fiquem a
vontade!
*Marcel Silvano*
"O que mais preocupa não é tanto o grito dos violentos,
dos corruptos, dos desonestos,
dos sem caráter, dos sem ética.
O que mais preocupa
é o silêncio dos bons."
Martin Luther King
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