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...Macaé, ano I, Nº 29 - 11 a 18 de agosto de 2006
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Jovens precisam votar em projeto de nação

Marcel Silvano

Falta de representantes, descrédito nas instituições, o desmoronamento do sonho de um Brasil democrático plural, do povo para o povo. A falta de esperança de que em um futuro próximo veremos mudanças significativas e reais na vida de cada cidadão e cidadã brasileiros. Esses são alguns dos mais brandos sentimentos que inundam o coração dos jovens brasileiros diante das eleições que se aproximam.

A juventude não encontra em nenhum dos candidatos ao executivo, seja da união, seja dos estados, nem na maioria dos candidatos ao legislativo, propostas consistentes de políticas públicas que garantam a esse setor da sociedade brasileira. Não existem propostas de ofertar ao jovem e à jovem acesso à educação pública gratuita e de qualidade, que garantam o direito inalienável à vida, visto que no Brasil 70% das mortes por armas de fogo são de jovens entre 15 a 27 anos. Não são vistas discussões dos candidatos e nem nos programas de governo que apresentam ao país sobre como abrirão espaço no mercado de trabalho para os jovens poderem buscar a tão sonhada independência dos pais. Entre outros direitos cada vez menos presentes à vida de cada jovem.

2006 é um ano fundamental para que o Brasil avance nas propostas de políticas públicas para a juventude. Como já cantarola por aí o grupo Titãs há quase duas décadas "a gente não quer só comida, a gente quer comida diversão e arte/ a gente não quer só comida, a gente quer saída para qualquer parte".

É hora de entoarmos o canto de libertação.Queremos ser livres da escuridão, onde ninguém nos vê, só a criminalidade que está por aí mais organizada que as instituições legítimas. E a criminalidade enxerga no escuro. Esse deve ser nosso grito. A juventude tem que buscar ser luz, luz que direcione todos os caminhos dos rumos do país. O Brasil deve se pautar no futuro e naqueles que irão desenvolvê-lo quanto o tempo chegar.

Por isso não é hora de votar nulo nem branco. É hora de conhecer e apresentar propostas de nação que nós queremos. Precisamos pensar o Brasil como brasileiros. Não adiantar ter a certeza de estar acertando quando votando nulo uma nova eleição seja necessária, com outros nomes.

Que visão mais personalista essa a de se mudarem os nomes dos candidatos mudaremos a realidade, surgirão melhores nomes. Que visão mais retrógrada e destoada do processo político que atravessamos. Estamos preocupados com nomes, com candidatos, com fulano ou ciclano. E não ligamos nada pros projetos de nação de cada candidato. Mudaríamos os nomes e não as propostas

O desafio agora é outro. Qual o projeto de nação sonhamos? Qual projeto de nação cada candidato apresenta? Qual dos projetos mais se assemelha com aquele que acreditamos ser necessário?

Quando estamos empenhados em votar nulo, ou em não votar, ou em dizer que nada presta, talvez seja porque não estamos empenhados em construir uma nação. E se constrói uma nação fortalecendo os instrumentos populares: eleições, plebiscitos, assembléias populares, movimentos estudantil, sindical, da igualdade racial, de direitos humanos, feministas, dos que lutam pela terra com dignidade, entre outros tantos no Brasil.

Tudo isso foi uma conquista, um avanço, uma revolução. O Brasil tem hoje movimentos com o MST, partidos como o PT, PSOL, PSTU, instrumentos como o voto direto para os cargos públicos, eleições. E isso tudo surgiu com muito suor dos que ainda estão aqui e sangue daqueles que se foram pela luta por tudo isso. E a vontade popular sempre foi essa. Decidir, participar, escolher, dirigir seu país, estado, município. E isso nunca foi mais real e possível que hoje.

É necessário lutarmos por avanços nesses instrumentos. Avanços que melhorem a vida de todos. Avanços que tornem o futuro mais saudável e justo. Avanços que nos façam acreditar que o povo brasileiro sabe dirigir o Brasil por suas escolhas e posicionamentos.

Por isso vote em outubro em um projeto de nação. Aquele que te faça pensar não em interesses individuais, mas nos interesses de seus filhos e netos. É o futuro deles que está em jogo, é o país que eles receberão e que escolheremos para eles.


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