Movimento Juventude pela Paz
Marcel Silvano Galera,
a situação da violência no Brasil está nos preocupando bastante. Há muito
tempo já haviamos constatado que vivemos um colapso social e que é
impossível pensar em paz ou ao menos na não-violência sem um equiíbrio
social consistente. Mas essa constatação é um tanto quanto longínqua quanto
paramos para pensar em quantos jovens morrem diariamente por armas de fogo.
Sei que é difícil ter essa noção do número de jovens, principamente porque
quanto vêm estampados nas páginas policiais, não interessa se é jovem, se
trabalha, se mora com a avó, já aceitamos aquele fato pelo cômodo
pensamento: "é envolvido com o tráfico, ninguém morre à toa", mesmo que essa
pessoa fosse apenas suspeito, como está havendo por aí. Se te acham
suspeito, te matam!
Estou colocando algumas questões, que podem ser igualmente questionadas
porque um grupo de jovens(alguns como eu, fazem parte deste grupo de
discussão, outros não) tentou olhar a realidade das mortes por armas de fogo
em Macaé, em nossa volta. E qual a melhor forma de se saber de morte em
Macaé: Jornal o Debate. Assim, não foi difícil perceber pelas manchetes que
diariamente morrem muitos jovens, de 16 a 25 anos das formas mais brutais,
aqui mesmo em Macaé.
Na semana passada, o Colégio Estadual Luiz Reid suspendeu às aulas na quarta
feira porque um alunos havia morrido no dia anterior, na Nova Holanda. No
dia seguinte no retorno às aulas os colegas de sala do menino tentavam
esquecer o fato cruel para um jovem de 16 anos que convivia com eles todos
os dias, mas era impossível não comentarem sobre o ocorrido. Esse exemplo
foi dado por alguns membros do grêmio do colégio.
Assim, passando pela morte de mais dois jovens na favela da linha ao
entardecer de uma quinta-feira além de mortes de jovens em bairros como Novo
Cavaleiros e Riviera Fluminense(estes não vão pro jornal) podemos afirmar
que a juventude macaense está em alerta, está morrendo.
Por isso, a galera se reuniu e pensou em um momento de reflexão de toda a
sociedade macaense, jovens e seus pais, professores, diretores de escolas,
sociedade civil organizada, poder público.No dia 7 de junho, faremos uma
grande manifestação pela PAZ batizada de MOVIMENTO JUVENTUDE PELA PAZ onde
iniciaremos com uma passeata pelas ruas do centro da cidade, saindo,
provavelmente da Imbetiba em direção ao Teatro Municipal. No teatro teremos
um momento de repensar nossa atuação na construção da paz.
Teremos representantes das polícias além de uma pessoa que falará sobre
EDUCAÇÃO PARA PAZ/ CULTURA DA PAZ. É um espaço para vencermos paradigmas
como: "A violência é culpa apenas do poder público!"; "Morreu é porque tinha
culpa!"; e o pior pensamento: "Não posso fazer nada!". Depois do painel
teremos uma banda macaense para encerrar o ato.
Aproveito esse e-mail para convidar a todos para participarem da preparação,
que sei que está em cima, mas por isso demanda de calor humano. E peço
também sugestões para o MOVIMENTO JUVENTUDE PELA PAZ.
Na próxima semana, eu, Fabrício, Evandro, a galera do Luiz Reid e outros
companheiros que deve estar esquecendo estaremos passando nas escolas e
convocando os alunos, conversando com as direções para a possibilidade de
direcionarem os professores e alunos a participarem, indo às rádios e
jornais, enfim, iniciaremos uma grande campanha pra dizer que nós, jovens,
reconhecemos o problema, nos preocupamos com ele e nos colocamos à
disposição para pensar, propor e ajudar na implementação de medidas
consistentes de construção da Paz.
É muito importante também, lembrar que o momento não é de jogar a culpa em
um ou outro. Mas sim de mostrar que, enquando sociedade, enquanto jovens,
enquanto pais, enquanto educadores, queremos cooperar com a mudança deste
lamentável quadro. Por isso peço que pensem propostas e não agressões,
lembrem-se que o ato é MOVIMENTO JUVENTUDE PELA PAZ então nada mais correto
que mostrarmos desde já como fazer.
MOVIMENTO JUVENTUDE PELA PAZ
DIA 07 DE JUNHO
16:30 HORAS(CONCENTRAÇÃO NA ORLA DE IMBETIBA)
Saudações,
Marcel Silvano
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