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...Macaé, ano I, Nº 19 - 2 a 9 de junho de 2006

Movimento Juventude pela Paz

Marcel Silvano

Galera,

a situação da violência no Brasil está nos preocupando bastante. Há muito tempo já haviamos constatado que vivemos um colapso social e que é impossível pensar em paz ou ao menos na não-violência sem um equiíbrio social consistente. Mas essa constatação é um tanto quanto longínqua quanto paramos para pensar em quantos jovens morrem diariamente por armas de fogo. Sei que é difícil ter essa noção do número de jovens, principamente porque quanto vêm estampados nas páginas policiais, não interessa se é jovem, se trabalha, se mora com a avó, já aceitamos aquele fato pelo cômodo pensamento: "é envolvido com o tráfico, ninguém morre à toa", mesmo que essa pessoa fosse apenas suspeito, como está havendo por aí. Se te acham suspeito, te matam!

Estou colocando algumas questões, que podem ser igualmente questionadas porque um grupo de jovens(alguns como eu, fazem parte deste grupo de discussão, outros não) tentou olhar a realidade das mortes por armas de fogo em Macaé, em nossa volta. E qual a melhor forma de se saber de morte em Macaé: Jornal o Debate. Assim, não foi difícil perceber pelas manchetes que diariamente morrem muitos jovens, de 16 a 25 anos das formas mais brutais, aqui mesmo em Macaé.

Na semana passada, o Colégio Estadual Luiz Reid suspendeu às aulas na quarta feira porque um alunos havia morrido no dia anterior, na Nova Holanda. No dia seguinte no retorno às aulas os colegas de sala do menino tentavam esquecer o fato cruel para um jovem de 16 anos que convivia com eles todos os dias, mas era impossível não comentarem sobre o ocorrido. Esse exemplo foi dado por alguns membros do grêmio do colégio.

Assim, passando pela morte de mais dois jovens na favela da linha ao entardecer de uma quinta-feira além de mortes de jovens em bairros como Novo Cavaleiros e Riviera Fluminense(estes não vão pro jornal) podemos afirmar que a juventude macaense está em alerta, está morrendo.

Por isso, a galera se reuniu e pensou em um momento de reflexão de toda a sociedade macaense, jovens e seus pais, professores, diretores de escolas, sociedade civil organizada, poder público.No dia 7 de junho, faremos uma grande manifestação pela PAZ batizada de MOVIMENTO JUVENTUDE PELA PAZ onde iniciaremos com uma passeata pelas ruas do centro da cidade, saindo, provavelmente da Imbetiba em direção ao Teatro Municipal. No teatro teremos um momento de repensar nossa atuação na construção da paz.

Teremos representantes das polícias além de uma pessoa que falará sobre EDUCAÇÃO PARA PAZ/ CULTURA DA PAZ. É um espaço para vencermos paradigmas como: "A violência é culpa apenas do poder público!"; "Morreu é porque tinha culpa!"; e o pior pensamento: "Não posso fazer nada!". Depois do painel teremos uma banda macaense para encerrar o ato.

Aproveito esse e-mail para convidar a todos para participarem da preparação, que sei que está em cima, mas por isso demanda de calor humano. E peço também sugestões para o MOVIMENTO JUVENTUDE PELA PAZ.

Na próxima semana, eu, Fabrício, Evandro, a galera do Luiz Reid e outros companheiros que deve estar esquecendo estaremos passando nas escolas e convocando os alunos, conversando com as direções para a possibilidade de direcionarem os professores e alunos a participarem, indo às rádios e jornais, enfim, iniciaremos uma grande campanha pra dizer que nós, jovens, reconhecemos o problema, nos preocupamos com ele e nos colocamos à disposição para pensar, propor e ajudar na implementação de medidas consistentes de construção da Paz.

É muito importante também, lembrar que o momento não é de jogar a culpa em um ou outro. Mas sim de mostrar que, enquando sociedade, enquanto jovens, enquanto pais, enquanto educadores, queremos cooperar com a mudança deste lamentável quadro. Por isso peço que pensem propostas e não agressões, lembrem-se que o ato é MOVIMENTO JUVENTUDE PELA PAZ então nada mais correto que mostrarmos desde já como fazer.

MOVIMENTO JUVENTUDE PELA PAZ DIA 07 DE JUNHO 16:30 HORAS(CONCENTRAÇÃO NA ORLA DE IMBETIBA)

Saudações, Marcel Silvano

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