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...Macaé, ano I, Nº 17 - 19 a 26 de maio de 2006

Maria e o SIM

Maio é um mês todo especial, onde homenageamos Maria, mãe de Deus e nossa mãe. Este mês guarda dias de encantos, de segredos, de mistérios e principalmente de fé. Pensemos no mês de maio de 2006: rebeliões, ataques incontroláveis na maior cidade da América Latina, crime organizado, instituições fragilizadas, violência...

De maneira especial, pensemos no Sim de Maria. Um anjo, Gabriel, diz tudo o que o Pai havia preparado para ela. E o que a jovem Maria respondeu? "Faça-se em mim segundo a vossa vontade".

Com esse gesto, Maria diz sim ao projeto de Jesus para a humanidade. Sim à ruptura com um modelo de humanidade antiquado e imoral. Doando-se de corpo e alma às transformações que Jesus realizou na terra desde o nascimento. Ela ousou a enfrentar todas as dificuldades desde a perseguição, passando pelas negações de porta em porta, até dar à luz em um estábulo. Assim Maria parte para o enfrentamento, para a mudança e o combate ao sistema cruel, desigual e autoritário daquela época. Isso apenas com um SIM.

Mas não foi fácil e muito menos em vão. O projeto de Cristo ultrapassa gerações e chega ao século XXI com as mesmas dificuldades, embora apareçam tão maquiadas que quase não são percebidas.

Jesus, aos 12 anos, ensinava aos sacerdotes e mestres e já encantava com sua sabedoria. Ele também expulsa, os que faziam do Templo Sagrado balcão de negócios, mercado. Cristo afronta os governantes por não darem assistência aos mais pobres, como Ele fez. E diz a todos que "todas as vezes que fizerem aos pequeninos é ao PAI que estão fazendo". E pede aos homens que partilhem, que acolham o estrangeiro, que cuidem dos doentes.

O SIM foi a tudo isso.

Foi ao projeto do Reino de Deus. Que nada mais é que um mundo onde os homens sejam iguais; uma sociedade onde as palavras de ordem sejam a partilha, a justiça, a paz e o amor; a sociedade que valorize a essência do ser humano e não o simbolismo do dinheiro; um mundo que o acúmulo de capital não exista e por isso não seja motivo de guerras e discórdias; enfim, um mundo que não exista m ais de 200 milhões de jovens vivendo na pobreza extrema.

Somos chamados à responsabilidade de dizer SIM, 2006 anos depois. SIM a vida, SIM a justiça e a paz, SIM a IGUALDADE.

Enquanto isso o mundo passa por mais um mês de maio e não consegue assumir radicalmente o projeto do Cristo, abraçado por Maria. E assim, hoje o que temos, segundo a ONU, são m ais de 200 milhões de jovens de 15 a 25 anos vivendo na pobreza extrema, 130 milhões analfabetos, 88 milhões estão desempregados e 10 milhões estão contaminados com o vírus da Aids, 160 milhões de crianças sofrem de desnutrição, 11 milhões com menos de 5 (cinco) anos morrem por ano devido a doenças que podem ser prevenidas.

E a opção da humanidade é o capitalismo cruel e a globalização desigual. Enquanto houver uma pessoa morrendo de fome no mundo, o SIM de Maria ainda não foi compreendido e o projeto de CRISTO é abortado.

Mas ainda há tempo, converter-se é dizer sim como Maria. Aceitar incondicionalmente ser instrumento de transformação da realidade, construtor do Reino de Deus e estar empenhado em derrotar o império do capital, a real configuração do Mal nos dias de hoje.

Marcel Silvano
Corrdenador da Pastoral da Juventude
Vicariato Litoral


Poder popular, o maior poder

Expectativas de um espaço democrático

Marcel Silvano

Um instrumento de transformação muito valorizado porém pouco potencializado nos dias de hoje é a mídia, seja ela escrita, falada, televisiva... Mas ao passar dos tempos, com o desenvolvimento dessa ferramenta na sociedade, aliado aos avanços tecnológicos, o que seria para transformar foi transformado. A mídia se torna fonte de paralisia social. Apresentada pelos quatro cantos como o quarto poder, ela se une aos outros três: poder executivo, poder legislativo e poder judiciário, como um único bloco, monopolizando e impondo regras com suas propagandas, programações e notícias direcionadas.

O bloco dos 4 poderes está a cada dia mais unido e imbuído em oferecer menos consciência e liberdade. O poder executivo priva o povo à educação popular de qualidade, à distribuição de terra e de riquezas consistentes; o legislativo, formula as leis para a pequena elite; o judiciário é tão distante do conhecimento popular que só funciona para quem poder contratar um bom advogado; e o poder midiático propaga a cultura dos dominadores e a programação carregada de ideologias elitistas de forma tão veemente que convence o pobre de que a vida é o que se vê e não o que se vive. A velha história do simulacro. Isso em todas as esferas, Federal, Estadual e Municipal.

Iniciativas de resistências apresentadas, como o retorno do O REBATE, surgem como esse resgate do sonho de liberdade e de consciência popular. A mídia on-line, quando interessada em propagar as diversas opiniões, as diferentes angústias de setores da sociedade que se encontram à margem dos poderes tradicionais, as rádios e tv´s comunitárias, os fanzines e jornais oriundos de Diretórios Estudantis e Centros Acadêmicos, Grêmios Estudantis, Sindicatos, Movimentos Populares, esses exemplos dão esperança de que um dia o povo poderá mostra o que querem dos poderes que aí estão.

O povo deve estar organizado em torno da democratização plena da nação. E uma forma de começar é a democratização da mídia. Mas os movimentos, as lideranças populares precisam assumir esses espaços e exporem suas opiniões e lutas. Um apelo especial é à juventude, que encontra em pouquíssimos espaços midiáticos sua linguagem, sua cultura. Quase nenhum veículo apresenta os anseios da juventude como educação de qualidade, universidade pública, gratuita e democrática, qualificação e acesso ao mercado de trabalho e o anseio da juventude em protagonizar as ações voltadas para esse setor estratégico da sociedade.

Enfim, há uma inversão de valores de poder que foi implementada e legitimada pelo bloco dos 4. Mas a defesa mais importante e fundamental é a do maior poder, ao qual não cabe classificação ordinária, é o poder popular. O poder do povo deve direcionar os rumos da sociedade. Entretanto é necessário estar atento ao paradoxo de que o próprio povo ainda não acredita em seu poder. Por isso fica o estímulo, que o povo retome a auto-estima e acredite no poder popular. Que, quando for reconhecido como o poder fundamental, aí sim teremos as tão faladas cidadania plena e democracia plena.

Essas são algumas das expectativas surgidas a partir desse espaço democrático.

Por Marcel Silvano
Coordenador da Pastoral da Juventude do Vicariato Litoral da Diocese de Nova Friburgo e Estudante de Jornalismo

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