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...Ano I - março de 2006

Viagem

Por Lúcio Aguiar

Saindo de Macaé pela aroeira em direção a Córrego do Ouro, Glicério, Frade..., você encontra bem antes, logo após a Ponte das Neves, uma estrada à esquerda.

Nessa estrada você perceberá a sinuosidade das curvas pedindo muita atenção.

Logo de início você vai deparar com uma gigantesca chaminé do tempo do império, o torreão.

Começa a subida da serra. A mata, ainda nativa, produz grande encantamento.

No final da serra, deparamos com a santa, um pequeno oráculo construído por um devoto.

Continuamos, agora descendo a serra em direção à areia branca, um lugar pitoresco, simples e aconchegante.

Chegamos à Bicuda Grande e seguimos até o Baião, nome da ponte que cruza o rio Macaé.

Mais alguns quilômetros e subimos outra pequena serra, com curvas e mais curvas. Começamos a avistar algumas casas bem longe uma das outras, e de vez em quando, algumas pessoas.

Lugar de imensas montanhas de granito em formato de pirâmide, vista de inigualável beleza:

águas límpidas, muitos pássaros, pessoas simples, silêncio e muito, muito verde, muitas cachoeiras, algumas imensas.

Você joga uma sinuca no Leôncio, enquanto toma um banho na ponte. Almoça na Pensão da Alice, depois curte as estrelas e descansa na pousadinha Piunga.

Você está na bicuda pequena!


O hoje apesar do ontem

Coisas da Bicuda Pequena

Ainda não era 1960, quando a concursada do estado escolhia sua primeira escola. Que lugar é esse, que temos de pegar um trem e depois viajar 18km a cavalo??? E ela fez tudo isso levando uma nova idéia, uma educação bem diferente da de hoje. A escola era novinha, daquelas feitas pelo estado, uma escola de interior, de crianças risonhas e até de adultos na sala de aula. Já se falava, mesmo naquela época, em alfabetização de adultos.

Ali a professora ficou por mais de 20 anos e formou inúmeras turmas na arte de ler e escrever. Muitos de seus alunos seguiram em frente nos estudos, mas a grande maioria ficou pelo caminho, pelo caminho do casamento, da necessidade de trabalhar, pela impossibilidade real de se formar em alguma coisa. Eu mesmo estudei nessa escola, com a mesma professora desse colégio de interior, saí para a vida de estudante. Na cidade com uma formação firme, correta e eficaz.

Estamos hoje 40 anos à frente. A escola não é nem o mesmo prédio, nem é do estado, não tem nem a metade dos alunos daquela época. E ainda temos a maioria de adultos sem a mínima noção de alfabetização.

Os alunos moram muito afastados da escola, tendo sido criado pela prefeitura um sistema de transportes "gratuito", mas esse gratuito custa aos cofres públicos uma pequena fortuna, além dessas "kombis" serem distribuídas por apadrinhamentos políticos.

E os estudos ??? E os resultados ???

A verba perdida nesse transporte daria muito bem para escolas serem construídas, ou até mesmo reabrirem tantas outras abandonadas e mais próximas da comunidade.

Com certeza algum interesse escuso há em manter a centralização em algumas escolas e distribuir alunos através desse tranporte que, além de inseguro, gera muito mais recursos para uns do que para todos.

Até breve, e que deus nos ajude!


Justiça, ordem ou castigo ?

Coisas da bicuda pequena

Eu era criança, bem pequeno ainda, quando um italiano chamado Franco Ciprianni começou a fazer uma linha de transporte entre a bicuda pequena e Macaé. E isso não tem 50 anos!!!

Era uma kombi ainda de pára-brisas bi-partido e tinha duas cores.

A viagem demorava as mesmas duas horas e meia que demora hoje, logo o povo estava acostumado àquele transporte e isso chamou a atenção de possíveis concorrentes..

De um momento para outro, sorrateiramente, colocaram um ônibus para fazer essa linha que era do italiano. Ele nem foi convidado a fazer parte do novo transporte, simplesmente foi tirado do seu pioneirismo através da opressão, que sempre funcionou na bicuda.

E aí se passaram os anos com a empresa Cachoeiros. Hoje, por obra do destino e daquela justiça que poucos dão valor, vejo a Viação Cachoeiros de Macaé ser usurpada do seu direito de rodar pelas novas leis municipais de transporte coletivo.

Os usuários continuam com os mesmos problemas: ônibus velhos, muitos defeitos e o histórico de que essa empresa que entrou é campeã em reclamação em todo lugar que trabalha.

Que saudades do italiano!!!


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