Uma luz na escuridão
Lucio Aguiar
Os caminhos lentos, tortuosos por natureza geográfica, fazem das viagens de ônibus à Bicuda algo impressionante: as pessoas não têm pressa, falam alto e nem se preocupam com os repetidos defeitos; pneus carecas, motoristas mal treinados, horários que descombinam, estrada muito ruim e perigosa, tudo isso e mais ainda fazem o deslocamento de alguns 50 km demorar duas horas e meia.
A qualidade dos transportes é horrível e ninguém faz nada. O poder público vomita idéias e projetos de sistema de transportes comparáveis aos de primeiro mundo, mas o que vemos é totalmente o inverso dos discursos.
Os que elogiam a cidade e seus ônibus, provavelmente não são usuários de nenhum dos sistemas públicos.
Moramos perto do céu, enxergamos melhor as estrelas, mas não temos qualidade de vida. É como se o paraíso estivesse contaminado. É como se esses problemas não tivessem solução. É como se ninguém pudesse fazer nada. De fato, nada é feito. Tudo continua exatamente assim.
Ah! A escuridão? Pois é ... Há muito tempo foi construída a rede rural, um sistema importado da Inglaterra, acho que ainda no governo militar. A Inglaterra financiaria a obra, desde que o Brasil comprasse dela, determinados equipamentos que não possuíamos. Simplesmente o Brasil não se preocupou em verificar a qualidade técnica dos equipamentos, nem mesmo se mereciam confiabilidade.
Quando em 78 trabalhava na CELF, participei da construção da rede rural em Conceição de Macabú.
Havia concluído há pouco a Escola Técnica e tive conhecimento de que o sistema bifásico era a pior coisa possível. Foi exatamente esse sistema que o Brasil comprou dos Ingleses.
É uma energia desbalanceada que provoca problemas até na subestação fornecedora. Na Bicuda e localidades falta luz constantemente, existem postes com risco de grande queda.
Galhos que pendem perigosamente sobre a rede de alta tensão, oferecendo grande risco à população.
Em contraponto, apesar de faltar luz durante 24 horas constantemente, a conta no final do mês não diminui nunca...
Há soluções fáceis, simples, rápidas:
1. Criar um grupo de manutenção exclusivo para áreas críticas como a Bicuda e localidades.
2. Fazer um estudo e terminar com o sistema bifásico.
3. Realizar a poda de árvores que comprometem a segurança da rede.
4. Seguir o exemplo do resto do mundo, substituindo os transformadores bifásicos que ainda usam o óleo refrigerante, chamado Ascarel, que é proibido em todo o planeta.
5. Instalar transformadores trifásicos de melhor confiabilidade.
E aí, AMPLA e PMM?
Assim não dá !!!
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