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A CLASSE MÉDIA NA GUERRA CIVIL
Langstain Almeida*
O Primeiro Comando da Capital (PCC) comprovou agora no meado de maio de 2006 que é mais forte do que o Estado republicano, mesmo que este ente de direito público disponha de Forças Armadas e da Força Policial interestadual, estas, com efetivo cabal em torno de 400 mil homens. O PCC possui um efetivo de combate reduzido, mas conta com a cumplicidade material e moral de 80 milhões de miseráveis. Desta quantidade de excluídos, 10 milhões com idade entre 14 e 30 anos, estão disponíveis para o ataque. Com um coquetel molotov na mão, toda unidade de criatura é perigosíssima!
Nas favelas e nos bairros favelizados pela dominação estrangeira, o militante pececizado está em seu habitat natural! protegido pela empatia dos esfomeados que não podem pegar em arma: velhos, mulheres e meninos.
Descreva-se uma hipótese para efeito de melhor compreensão do atual carroção social:
Um voluntário da força ofensiva do PCC vem perseguido por uma patrulha do Estado Elitista. Em dado momento, pára em frente de uma casa quase em ruína. Bate palmas. A dona surge na porta da frente. O perseguido fala:
- Eu sou um dos conscritos pelo PCC! Quero guarida...
- Oh! meu filho... entre e se esconde por trás desse guarda-roupas velho - oferece a mulher abrindo a porta imediatamente para o ingresso de um rapaz moreno claro com feições afiladas.
Dez minutos depois chega a patrulha e o comandante chuta a porta da casa intimando a moradora:
- Neste mocambo fétido, porventura se escondeu um negrão vagabundo ligado ao maldito PCC? Diz logo desgraçada velha, senão quebro teus dentes com o coice deste fuzil.
A dona da casa fingindo tranqüilidade e raiva do PCC, retruca:
- Faz obra de uns oito minutos que passou correndo por ali um cabrão com cara de ser do bando do amaldiçoado PCC! Se ele houvesse vindo até minha porta, eu teria jogado água fervendo na cara dele. Foi um miserável desses que há cinco dias estuprou minha neta. Seu tenente! aonde achar esse monstro mate e me mande um orelha como troféu. Faça isto... Entre aqui pra sala de minha casinha enquanto eu faço um chá de boldo para o senhor - oferece a matrona... afetando lealdade.
- Muito obrigado - agradece o oficial. - Eu já vi que nesta favelona desconchava, a senhora é a única simpática à causa da Força Pública.
- Pois não, meu senhor! seja feliz em sua missão salvadora... - desejou a anciã engrazando o militar.
Logo após à retirada da polícia, bate à porta da mesma casa, um grupo de 10 recrutados pelo PCC, cujo cabeça pergunta:
- Será que a senhora poderia informar se por aqui passou um bando de macacos fardados?
- Faz uns cinco minutos que eles entraram naquele beco sem saída. Vocês vão por aquela viela secreta, que pegarão os bandidos da polícia satisfatoriamente desprevenidos - explicou a anciã com entusiasmo.
Lá de trás do móvel deteriorado, o rapaz grita:
- Hei! Eu vou também. Ainda tenho um coquetel molotov e uma peixeira aguçada dos dois lados!
A orientação da velha, fundada no ódio ao rico abstrato, proporcionaria uma emboscada da qual nenhum policial poderia escapar. As cenas que foram teatralizadas nessa passagem, tanto aconteceriam na transcursão de uma guerra civil no Brasil, quanto se sucedem constantemente no Iraque e no Afeganistão.
Guerrilha urbana!? Ganha este tipo de guerra de movimento quem contar com a complacência dos habitantes da cidade. Mesmo um ajuntamento demasiadamente inferior ao exército inimigo, torna-se invencível se fruir da simpatia da população. Um exemplo irrefutável foi o da resistência no Vietnam e o da invencibilidade dos guerrilheiros socialista na Revolução chinesa de 1948.
O exército mais bem equipado do mundo encontrar-se-á previamente derrotado por combatentes que se entrincheirarem nos labirintos imperceptíveis do coração humano. A melhor casamata numa guerra de guerrilha é a solidariedade incondicional das pessoas do país em conflito.
O acordo da oligarquia governamental de São Paulo com a cúpula do PCC foi um fazimento político ditado pelo estado de necessidade. Se o Estado federado, com sua polícia já vencida pela corrupção, não podia vencer a multidão pececista, a solução era mesmo baixar a cerviz e por pressão da pax romana , aceitar as condições infligidas pelo ídolo dos 80 milhões de vítimas das elites egocentristas. Caso a paz não tivesse sido firmada com a urgência requerida, com a decorrência de mais alguns dias, não mais seria possível conter a onda gigante dos famélicos em açougada de vingança por todos os recantos do país.
Fernando Henrique Cardoso lá de Nova York deitou entrevista pregando 'o enfrentamento da polícia com os bandidos'. O senhor FHC se vivesse aqui no Brasil com o salário de professor universitário aposentado, na certa tragaria a suspensão das hostilidades mais ligeiro do que nós o fizemos.
Esse escrevinhador de histórias de Trancoso sobre seu governo predatório, se habitasse em São Paulo com sua renda mensal fabulosa, ligeirinho ligeirinho teria tolerado o pacto sujo: Lembo/PCC. E o faria precisamente para salvar o uso e gozo dos milhões de dólares, cuja dúvida da empalmação ainda permanece suspensa no ar por força da rejeição de todas as CPIs investigativas, sucessivamente reapresentadas na transcursão de seu governo para esclarecer as suspeitas de escamoteação do patrimônio público.
Longe do teatro da carnificina; levando viva de nababo; cercado por teias de ouro trançadas pelas privatizações cartas-marcadas, evidenciara-se oportuno ao senhor Cardoso pregar a guerra fratricida. Seria uma forma de ocultar sua máxima contribuição para o alastramento da miséria nacional...
Se o senhor Henrique morasse num edifício classe média de São Paulo, teria esboçado uma opinião bem diferente, justamente pelo temor de ser assassinado por mãos desconhecidas. Ele saberia o risco que estaria correndo num cenário de guerra intestina.
Caso o senhor Fernando Henrique, em tempo de convulsão social, tivesse de parar seu carro numa das sinaleiras da Paulicéia ou precisasse comprar pão todas as manhãs na padaria do bairro, ele logo aquilataria o risco de ser morto a pauladas por dois famulinos enlouquecidos pela morte do pai inocente.
Se esse ex-presidente fosse obrigado a pechinchar o preço de um remédio, de farmácia em farmácia, ou carecesse comprar mantimentos em feira-livre para economizar algumas moedas, na certa teria aturado o acordo promíscuo do governo do Estado com o PCC. E o teria feito por Sua Excelência compreender que num processo de cataclismo social, tanto ele quanto qualquer um de nós poderíamos levar uma facada nas costas unicamente por ato de vindita de um dos 80 milhões de desgraçados que ele tanto ajudou a miserar.
Os 80 milhões de famulinos embuçam um ódio atávico a nós da classe média supondo que nós sejamos ricos e também, os grandes culpados pela miséria deles. Esta multidão de despossuídos não pode molestar a classe 'A' por esta dispor de carros blindados; nem pode violentar a oligarquia política por esta dispor de seguranças e da proteção do Estado; e não pode muito menos se aproximar das elites econômico-financeiras, por estas senhoras usufruírem de veículos blindados, seguranças, helicópteros e jatos particulares. A classe média é mesmo a mais vulnerável... Daí a dedução de que a classe média deve ser a mais interessada na abolição das causas da miséria que são a fonte geradora do PCC e de outras excrescências morais semelhantes.
É preciso tapar todos os furos do processo de produção brasileiro e obstruir as sangrias das exportações, provocadas pelas filiais estrangeiras e pelos trustes das commodities. Num tempo de construção do Estado do bem-estar social, nós não podemos nos descuidar de expungir todos os desvios éticos da oligarquia política.
Eis o exemplo de um enorme furo que vem de tempo em tempo ocasionando crise econômica no setor agrícola:
O truste das commodities paga 10 dólares por saca de soja livre ao produtor. A mesma saca de soja é vendida na Bolsa de Londres por 72 dólares e 05 cêntimos. Se o processo eleitoral não fosse uma ribalta só para candidatos elitistas e o povo brasileiro pudesse empossar no comando da nação um governo socialista, a exportação da soja seria feita por uma cooperativa mista, administrada pelo Estado e pelos produtores rurais. Como os trustes estão livres para atuar no Brasil, o da soja, na safra 2005, assaltou os produtores com o consentimento do subserviente ministro da Agricultura, e depois mandou o contribuinte arcar com o prejuízo dos grandes e médios produtores deste grão. Um rombo econômico da envergadura do provocado pelo truste do agronegócio, induz o alastramento da miséria na zona rural com repercussão nos aglomerados urbanos. A China gostaria de ter comprado soja diretamente ao governo brasileiro que não pôde vendê-la por ser a exportação de commodities um açambarcamento dos trustes. Este país asiático teve mesmo que comprar essa commodity diretamente ao truste dos grãos!
Nós classe média precisamos urgentemente mudar nossa atuação política, sob pena de levarmos o país à mais esdrúxula guerra civil da história mundial: a batalha dos famintos contra a classe social mais espoliada pela plutocracia. Uma guerra civil sem projeto de poder, dos estômagos vazios contra os que ainda têm alguma coisa para comer. É forçoso mudar já já nossa cabeça política, de onde emergirá a energia para a virada de ponta-cabeça do modelo econômico e político do Brasil.
Pela supressão das causas da miséria nacional, banir! a corrupção de todas as esferas da administração pública, especialmente do Congresso Nacional. Proscrever as negociatas do Banco Central com os bancos privados em torno dos títulos da dívida pública e do sobe-e-desce do dólar. Extirpar o cartel de preços dos trustes da exportação de commodities , essencialmente dos atuantes na agropecuária. Impossibilitar a continuação do truste dos remédios, responsável pela venda de seus produtos por preço muito acima dos custos de produção. Amputar a maracutaia das filiais daqui com as matrizes sediadas no Primeiro-Mundo. Acachapar os juros de 10% ao mês até se nivelar aos europeus de 6% ao ano. Anular o direito de os governadores de Estado isentarem indústrias e firmas mercantis do pagamento de impostos, regalia esta que enseja grandes trapaças e conseqüentemente, concorrência desleal para o comércio que paga imposto. Nacionalizar os lucros da Petrobrás restabelecendo seu monopólio sobre as jazidas de petróleo e gás. Nacionalizar a Vale do Rio Doce e todos os minerais estratégicos, precipuamente os de ferro, nióbio e quartzo. Nacionalizar a editoração de livros didáticos e literários. Instituir cinco minutos obrigatórios em horário nobre na mídia elitista, para incentivo à leitura. Hoje cerca de 90% das editoras de repercussão no país, estão sob o poder das elites primeiro-mundianas. Nacionalizar a água doce, a mata amazônica, a energia elétrica, estradas de ferro e de rodagem. Fortalecer os direitos dos trabalhadores e de seus sindicatos, instituindo o voto obrigatório em suas eleições internas. Reduzir a jornada de trabalho até atingir a taxa aceitável de 5% de desempregados, como meio de compensar a maximização da produtividade proporcionada pela informatização do processo de produção.
Com a aplicação da energia elétrica à indústria, se a jornada de trabalho não tivesse sido reduzida de 12 para 8 horas diárias, o desemprego na época teria chegado a um teto em torno de 20%. Em permanecendo a mesma jornada de trabalho atual, a concentração da renda elevará a miséria a taxas insuportáveis provocando o surgimento de outros PCCs no Brasil e, rebeliões espontâneas em outras capitais derredor do Planeta, umas e outras da estofa dos incêndios nos arredores de Paris.
No esforço pela obliteração das causas da miséria que suscitou o surgimento do PCC e de todas as outras formas de violência social, exigir que o Estado assuma a obrigação de oferecer à população: saúde pública, assistência médico-hospitalar e aposentadoria amplas e irrestritas. Proporcionar educação boa e gratuita a todas as camadas sociais. Oprimir esse Congresso Nacional impatriótico até que a terra deixe de ser mercadoria e passe a ser um meio de produção ao alcance de todo brasileiro que nela quiser promover a sagrada semeadura. Reduzir a remessa de lucro à quantia equivalente à remuneração da poupança européia. Fixar o câmbio de acordo com os interesses da economia nacional. Revogar a isenção de impostos na exportação, complementando esta ação patriótica com a ab-rogação do direito de estes trustes reterem os dólares da exportação por 210 dias nos cofres de suas matrizes. Este privilégio descabido força o Banco Central a aumentar os juros básico com a finalidade única de atrair dólares especulativos.
Ainda no empenho nosso pelo esfacelamento da miséria, transformar o capitalismo selvagem da atualidade num processo de produção nacionalista, subordinado aos interesses da nação. Reduzir os bancos estrangeiros aqui sediados a simples agências sem direito a realizar empréstimos.
Se nós classe média conquistarmos essas vitórias delineadas nessa resenha, simplesmente estaremos obrigando o Brasil a usar o mesmo mapa-da-mina que foi adotado pela Inglaterra, pela França, pelos Estados Unidos, pelo Japão, pela China, pela Rússia e por Cuba, até atingirem a condição de países com alto índices de desenvolvimento humano.
Proclame-se a verdade insofismável. Uma nação que atinge um alto grau de desenvolvimento industrial e tecnológico, sem que suprima a pobreza de seu povo, é irrefutavelmente uma nação espoliada pela corrupção da oligarquia política e pelo cartel de preços dos trustes internacionais.
Foi segurando firme a bandeira do protecionismo que as nações desenvolvidas substantivaram o bem-estar de seu povo. O livre cambismo é bom para a plutocracia dos países ricos e péssimo para os pobres dos paises pobres. Os governos do Terceiro-Mundo que adotam a liberdade de comércio, só o fazem por pura corrupção. Até hoje os Estados Unidos e a Europa conservam o protecionismo comercial em favor de seus agricultores, mesmo que desfavoreçam a pretensão de domínio global dos trustes das commodities .
É nas paradas dos semáforos, nas entradas das lojas e supermercados, nas calçadas e praças, que os famulinos convivem diariamente com a classe média, constituída dos profissionais liberais; do industrial e comerciante pequenos; dos quadros médios e superiores do comércio e da indústria; e das equipes medianas e elevadas da função pública.
Um confronto entre as Forças Militares e o PCC não permaneceria circunscrito a estas duas facções. Ficou patente pelas escaramuças de maio que o conflito tendia a se alastrar por todo o país. Os 80 milhões de excluídos estão espalhados do Rio Grande do Sul ao Amapá. Na medida em que a polícia fosse matando inocentes, o ódio dos famintos iria empurrando novas falanges para a retaliação. Nós da classe média que não temos carros blindas e nem grupo de seguranças armados, seríamos as grandes vítimas juntamente com nossos familiares.
O recurso de defesa da classe média não é pedir a cabeça dos convocados pelo PCC. Outros famulinos substituiriam os degolados! A saída acertada seria exigir a punição severa de todos os corruptos de todas as instâncias dos órgãos públicos do país.
A solução provisória ou definitiva contra o crime organizado num Estado de Direito, só é aceitável pela aplicação da lei, sem que se deixe de perseguir a extinção definitiva dos magmas do vulcão social. Uma das saídas desse emaranhado de insegurança geral será por meio de leis que não tenham caráter elitista e que derroguem os privilégios das elites econômicas, mancomunadas com as do Primeiro-Mundo desde o tempo da Ditadura Militar em 1964.
Privilegiar o social acima muito acima das ambições de acionistas especuladores, deve ser o alicerce primordial do projeto de nação da classe média brasileira.
Nós classe média nunca tivemos um projeto de sociedade. Sempre lutamos por nossa realização pessoal indiferentes a esse processo de produção que miserabilizou 80 milhões de brasileiros e continua a vomitar milhões deles ininterruptamente. Ou alcançamos uma consciência política que nos leve à sociedade do bem-estar, ou as elites espoliativas mergulharão nossa pátria no sangue dos inocentes.
Se nós somos a cabeça pensante da nação, então é a nós que cabe mostrar o caminho da salvação. Usando a internet , lendo jornais, revistas e livros anti-elitistas, nós encontraremos as trilhas de um outro mundo possível. Acessemos pela web : Prensa Latina, Telesur, Círculo Bolivariano de São Paulo, jornal O Rebate, Brasil de Fato..., que encontraremos os materiais de construir uma consciência política nacionalista.
Quanto mais despojos em decomposição, mais corvos em bando a se servirem! Se o governo paulista eliminar todo comando do PCC e todos os elementos que o integram, a miséria social produzirá outro PCC com um comando mais requintado e melhor estruturado. Não adianta a oligarquia governamental enganar o povo através de conversa diversionista da mídia mercenária. Os PCCs só serão extintos quando a miséria for extinta juntamente com a corrupção das elites. A máfia italiana surgiu e se afirmou sobre a miséria provocada pela II Guerra Mundial. Só acabou quando fora implantado o Estado do bem-social na Itália e em toda a Europa Ocidental.
Nós classe média que dinamizamos este país, precisamos adquirir vontade política para abolir esse sistema econômico que produz ininterruptamente a miséria que gera o PCC e os assaltos diuturnos por todas as cidades grandes e médias do país.
Para começarmos a mudar o Brasil, necessitamos mudar nossa conduta política fazendo a autocrítica de nossas ações pretéritas.
Em 1964, nós classe média apoiamos incondicionalmente a Ditadura Militar, atemorizados pela ameaça de um comunismo inexistente. Enquanto a gente se sentia salvo do bicho-papão soviético, as elites econômico-financeiras por intermédio de generais fantoches, subordinavam a economia do país ao domínio das elites do Primeiro-Mundo. À medida que nós íamos sendo iludidos pelas televisões coloridas e pelo som estereofônico das vitrolas importadas, as elites e os ditadores endividavam o país para que os trustes internacionais continuassem a remeter dólares para suas matrizes.
Como nas ditaduras a censura é total, não se sabe se os generais fizeram isso com o Brasil, por corrução ou forçados pela ideologia da submissão aos ianques. Por não ter havido nenhuma CPI no tempo da ditadura, é de se supor que todos saíram empanturrados de dólares!
Até Maluf, imposto pela Ditadura como governador de São Paulo, deixou o governo como um cidadão honestíssimo, unicamente por obra e graça da censura! Por milagre da censura, Pinochet também saiu do governo do Chile como um homem probo, até que o Ministério Público estadunidense descobrisse cerca de 100 milhões de dólares em contas secretas dele.
Em 1984, nós classe média defendemos um projeto de democracia política ao encher ruas e praças pelas 'Diretas Já'. Com este movimento cívico, cortamos o cangote da Ditadura. Fizemos história boa! Hoje os nossos descendentes citam esse instante de elevação patriótica como ato de heroísmo nosso. A gente fica tão orgulhoso... deste único ato de civismo, praticado em 118 anos de República!
Se nós classe média, no governo apátrida de FHC, tivéssemos enchido as ruas do Brasil com nossa presença, como fizeram os franceses no começo de 2006, teríamos mantido nossa aposentadoria e nosso plano médico intocáveis e ambos, como obrigação de Estado. Teríamos evitado a negociata da privatização da Vale. Teríamos mantido o monopólio da Petrobrás e a integridade dos direitos trabalhistas. E os juros cobrados sobre nossos empréstimos obedeceriam a taxa de 6% ao ano, vigente no mercado internacional. Teríamos evitado o agravamento da miséria social, fato que teria sido o mais importante de todos.
O PCC só existe porque existe a miséria social. O PCC é poderoso porque é poderosa a miséria social. O PCC existe de forma potencial em todos os Estados do país porque a miséria existe de forma cruel em todos os recantos da território nacional.
Cabe a nós classe média tomarmos posse de nosso país para impor um regime socialista governando um processo de produção nacionalista, sem furo econômico de qualquer espécie, com toda arrecadação nacional retornando ao povo sem qualquer nesga de corrupção. Os venezuelanos há pouco tempo se apossaram de seu país. Os bolivianos se iniciaram agora mesmo a se apropriar de seu país. Os cubanos são donos de seu território há 45 anos. Nós podemos ser donos do Brasil logo que o tomemos da dominação estrangeira. Nós precisamos reconquistar para nosso uso e gozo com total segurança, as ruas, calçadas e praças de nosso país!
Se nós não somos banqueiros; não somos acionistas do truste do agronegócio; não somos acionistas da indústria farmacêutica; não temos nenhuma participação nos fabulosos lucros que o capital estrangeiro extrai da pele suada do povo brasileiro, então não temos por que votar nos candidatos dos partidos que sempre governaram em favor das elites espoliantes. Busquemos nossos candidatos nos partidos de esquerda. Erramos com Lula da Silva tentando acertar pela esquerda. Tentemos novamente com quem tem raízes profundas na esquerda, seja homem ou mulher. Podemos errar novamente, mas novamente teremos tentado acertar. Só não podemos passar mais um recibo de bobo votando mais uma vez nos candidatos das elites matreironas!
Quem entalhou no corpo social do Brasil esses 80 milhões de míseros seres, foram os partidos desses candidatos elitistas que mais uma vez pedem o nosso voto, para mais uma vez continuar enchendo os bolsos nos cofres do imperialismo financeiro e no caixa 2 dos tubarões da dominação estrangeira.
Estamos entristecidos por ter permitido nos últimos 40 anos, que as elites tenham nos iludido com promessas de camelô, enquanto ensamblavam na corporatura da nação os 80 milhões de desvalidos que se espalham por morros, favelas, praças, ruas e calçadas de nosso país. Afora esses 80 milhões de famulinos, os grandes derrotados fomos nós da classe média... Que o diga o achatamento de nossa renda a partir da dissolução da União Soviética! Sem o contra-peso dessa potência nuclear, as elites mundiais se sentiram vitoriosas, momento em que aguçaram suas desvairadas ambições de lucro contra os ativos da classe média terceiro-mundiana. Aí tome espoliação, até que a classe média da Venezuela desse o troco elegendo Chávez e a da Bolívia fizesse o mesmo elegendo Morales. Toda América Latina vai virar para a esquerda nestes dez anos, até implantar o Estado do bem-estar social.
Todos esses males serão extintos por nossa conscientização política. Avante! companheiros, pela integração da América Latina!
Langstain é autor do romance de combate: A DOMINAÇÃO DO TERCEIRO-MUNDO, com venda pelo Portal: www.alfaomega.com.br
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