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...Ano I Nº 13 - 21 a 28 de abril de 2006

A REPRESENTAÇÃO DEMOCRÁTICA É UM FARSA

por Langstain Almeida

A democracia representativa é uma farsa. O povo elege os legisladores e governantes para representarem seus reclamos públicos e estes agentes políticos só defendem mesmo seus interesses pessoais que só são satisfeitos pelas propinas proporcionadas pela plutocracia capitaneada pelos bancos.

É tão forte a força corruptiva dos bancos que estas entidades transformaram em letra morta o Código de Defesa do Consumidor. Uma fila de clientes dura o tempo que a ânsia de lucro dessas casas de agiotagem definir. Uma conta-corrente, saqueada por culpa de tecnologia do próprio banco, só é indenizada se convier ao interesse dessa sociedade mercantil de crédito.

A taxa de abertura de uma conta-corrente e sua tarifa mensal é estabelecida pelos bancos sem qualquer respeito à livre concorrência que eles eliminaram logo no princípio do governo de Fernokin Henrikô em 1996.

Dos Poderes que constituem a República, o sistema financeiro é o mais forte deles ao cobrar os juros mais caros do mundo, estabelecidos na média de 44.7% aa. Só Angola na África é que quase empata com o Brasil ao cobrar juros médios de 43.7% aa.

Não adiantaria algum deputado probo alegar que em 81 países os juros anuais são inferiores a 10%. Os bancos nem ligariam para essas críticas bem intencionadas! À noite, na telinha das televisões, esses monstrengos financeiros estariam sendo defendidos indiretamente pelos telejornais mercenários.

A terceirização da força de trabalho no governo terra-arrasada de Fernokin Henrikô, foi uma derrota brutal da classe trabalhadora, imposta pelos cala-bocas distribuídos aos senhores membros do Poder Legislativo. Foi o que concluíram os calejados analistas em negócios secretos!

Talvez se esteja equivocado pela clara possibilidade de esses senhores congressistas terem premiado a banqueirada com a tal da terceirização do trabalho, só pelos belos olhos azuis dos donos dos carcanhóis. Os representantes do povo nunca receberiam qualquer propina para votar contra os direitos sagrados dos trabalhadores. Fariam isto nada! Haja vista a reeleição de Fernokin, aprovada exclusivamente pelo amor à pátria ostentado pelos senhores legisladores...

Os líderes sindicais calaram diante da aprovação da lei de terceirização do trabalho, unicamente por respeito à lei do silêncio. Disse isto uma sumidade em poluição sonora no Brasil...

São muitas a firmas de fachada fornecendo trabalhadores aos bancos. Vez por outra uma dessas firmas quebram e os direitos dos trabalhadores vão pro brejo. Se a empresa nada tinha de patrimônio, nada pode pagar. O jeito é o trabalhador deixar pra lá seus direitos de indenização...

Os salários dos terceirizados são pagos pelos banqueiros na bacia das almas, por um preço três vezes inferior ao indispensável a um viver digno. Esse fenômeno salarial só acontece por pressão de uma deliberação estética. As salas dos banqueiros são belíssimas com seus cofres secretos por trás de portas ilusórias; as favelas dos trabalhadores são uma anomalia de casas amontoadas. Por uma decisão de bom gosto, os congressistas só podem mesmo homenagear o belo... que está por dentro dos cofres.

A taxa básica de juros no Brasil é a mais alta do mundo. É com fundamento na porcentagem dessa taxa que o governo remunera os títulos da dívida pública dos quais os banqueiros são os maiores proprietários.

Eu gostaria que os leitores não supusessem que o Ministro da Fazenda e o Presidente do Banco Central pagam tão bem aos banqueiros unicamente por retribuição à inchação das contas secretas deles lá nas Bahamas e ilhas Cayman.

Dizem os bem-intencionados que esses senhores só são honestos porque não gostam de dinheiro... Palotikin e Henrike Merelikin odeiam dinheiro! Que o comprove o passado de cada um destes patrióticos cidadãos... A voz do povo tem razão: eles são honestíssimos desde o período em que um foi prefeito de Ribeirão Preto e o outro, Presidente do banco Boston!

O Presidente da Federação dos Bancos berrara na maior cara-de-pau que os juros são altos no Brasil por força da carga tributária, da dívida pública e do recolhimento compulsório. Se não houvesse esses estorvos, certamente a banqueirada emprestaria o dinheiro do povo ao próprio povo a juros médios de 10% ao ano, como fazem os bancos de 81 países, mesmo pagando tributos e fazendo recolhimentos compulsórios.

É inegável que esses argentários fazem essa estripulia toda com a escala dos juros, por culpa de nossa leniência política. Se a gente se inspirasse na capacidade de indignação dos franceses, os juros no Brasil baixariam mais do que eructação de cobra.

Na Venezuela bolivariana, a taxa de juros em 2005 baixou a dois décimo (0,2% aa.), ensejando um crescimento de 9,2% do PIB. Na Cuba que não exporta renda para as elites do 1º Mundo, o crescimento do PIB em 2005, foi de 9% aa. No Brasil dos Lurrikins, dos Fernokins, dos Sarneykins, dos Alquimikins, dos Calheirokins, o crescimento do PIB foi de 2,5% em 2005, ganhando só do Haiti, a terra saqueada pela plutocracia estadunidense desde tempo imemorial.

Em 2005, Lurrikin Dolarikô, seguindo o bom exemplo de Fernokin Henrikô, socara nos bolsos dos banqueiros cerca de 160 bilhões de reais. É dinheiro pra burro! Para juntar tanta mufunfa, Lurrikin em companhia de Palotikin tirara essa dinheirama toda dos hospitais, da assistência médica, do reajuste da aposentadoria dos velhos do INSS, dos investimentos em obras públicas, da moradia, da educação e do reajuste dos salários do funcionalismo, et cetera e tal.

Muita gente anda dizendo por aí que Lurrikin dera esse dinheiro todo aos banqueiros exclusivamente para se mostrar a Buxikin e a Tony Blekin. Se o guru moral de Lurrikin fora Dirceunikin, ninguém há de duvidar da inigualável honestidade do Presidente Dolarikô! Para maiores esclarecimentos, consulte-se o sumo expert em mensalão: senhor Roberto Jéferson.

Eu de minha parte, aposto que Lurrikin não contabiliza um só vintém em conta secretíssima de qualquer paraíso fiscal. O reforço do que digo se encontra na eficientíssima CPI dos Bingos que não encontrou nada, absolutamente nada contra Lurrikin, embora este malabarista estivesse por longo tempo cercado pelos co-usufrutuários do valerioduto. Lurrikin seria o leão de barriga vazia deixando de participar do rasga-rasga do boi, excepcionalmente por respeito ao estatuto de defesa dos animais...

Terá sido a força dos 160 bilhões a causa da declaração de honestidade de Lurrikin e seus auxiliares diretos pela dita CPI!? Será que os 160 bilhões de reais calaram bocas, apagaram notícias e degeneraram CPIs, para no silêncio de bolsos discretos, Lurrikin e sua gente serem declarados honestíssimos!?

Não creio que o ex-metalúrgico esteja enriquecendo como Pinochekuzã enricara na época da ditadura no Chile. Lurrikin traiu o ideário das esquerdas, mas nunca trairia seu bolso vazio enchendo-o com o dinheiro do povo. Disto todos temos certeza...

Alguém que agora mesmo vai passando por trás de minha cadeira dissera baixinho:

"Esse ex-operário é honesto que só rato em armazém de queijo!"

Se a banqueirada é doida por dinheiro, como é que eles enricariam Palotikin e Lurrikin só por que estes homens públicos lhes deram uma boladinha de 160 bilhões de reais agora em 2005, afora as boladonas que já lhes haviam sido doadas por estes humanos governantes nos anos 2003 e 2004.

Dizem os videntes em corrução que Fernokin é hoje um dos mais rico da América Latina só não constando da revista Fortune por ato de extrema discrição. Será que Lurrikin teve inveja e resolveu derrotá-lo nessa belíssima corrida do ouro!?

Nunca se vai saber de nada porque nada as CPIs podem apurar se para tanto teriam de atravessar a barreira dos 160 bilhões de reais!

Se os 80 milhões de miseráveis que infernizam a segurança da sociedade, não sabem reivindicar, quem por eles derrubaria a República das Elites para impor o governo do bem-estar coletivo!? Se isto é impossível, todos nós somos obrigados a continuar debaixo da enganação do sistema de comunicação elitista, que retrata nosso país como rico e feliz num eterno céu de brigadeiro. Os 80 milhões de miseráveis são apenas seres virtuais para essa mídia boa até demais em manipular a verdade. Esse sistema de comunicação elitista vê o Brasil pelos olhos humanitários da banqueirocracia!

A imagem da sociedade que nosso consentimento político deixou que se criasse, substantiva-se na contradição dos 80 milhões de barriga seca com os bolsos cheios dos que pegaram nos 160 bilhões...

Só existe esse legislativo moralmente flácido e esse executivo historicamente corrupto, porque nós somos ideologicamente ingênuos e politicamente individualistas. Quando nós soubermos decidir em nosso próprio favor, faremos como os franceses fazem agora quando lutam pela derrubada do Estado neoliberal e pela reconquista da sociedade do bem-estar geral.

É indispensável que cada um se esforce para sair da inocência política. Quando todos formos ideologicamente livres, a sociedade do bem-estar brotará de nossas próprias mãos como os pães das de Cristo no instante da multiplicação.

Se os candidatos depois de eleitos só agem em prol de seus interesses pessoais, seria tático que nós eleitores também agíssemos em favor de nosso progresso e da segurança coletiva.

Se Garotinikin ou Alquimikin ou Lurrikin for eleito, só dá pros cofres dos banqueiros. E tome miséria social e violência contra a classe-média! Se quisermos romper com essa máquina de produzir miseráveis, teremos de buscar um candidato ou candidata a presidente que ostente um passado de luta em favor do social. Não é fácil encontrar tão digno candidato porque o melhor pro político é mesmo estar sempre metido no miolo do Poder.


Langstain é autor d'A DOMINAÇÃO DO TERCEIRO-MUNDO, publicação da editora Alfa-Ômega, com venda pelo Portal www.alfaomega.com.br

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