O excesso de informação cega à inteligência
Jandir Nicoli Junior
11/04/2006
Nos dias de hoje, fala-se muito em globalização e na acelerada expansão dos meios de comunicação, ou mais precisamente, sobre como a informação e as novas tecnologias de acesso a elas redesenham as relações de poder entre nações, organizações e indivíduos, e como influenciam exageradamente os cidadãos .
Quando perguntamos algo ao professor em sala de aula, estamos pedindo informação, quando assistimos televisão ou um filme, estamos adquirindo informação. Ao ler um jornal, uma revista, sabemos que algum tipo de informação é transmitida.
No entanto, "o excesso de informação esmaga a consciência interior e funciona como um hipnotismo que poda a autonomia pessoal" (autor desconhecido), consequentemente tornando o cidadão incapaz de entender a realidade que essa informação pretende oferecer-lhe (A inteligência ficou cega de tanta informação ).
Não precisamos saber de tudo, muito menos acompanhar todos os acontecimentos externos, o que realmente precisamos é reunir informação na medida certa, para tomar decisões corretas, ou seja, extrair conhecimento de dados para seguir uma direção. O que é importante nem sempre é urgente!
A informação é o conhecimento útil com objetivo de melhorar a qualidade de vida, mas o que presenciamos é uma avalanche de informações inúteis e muito lixo cultural no jornalismo moderno, é preciso estar atento para chegar à boa informação e descobrir a verdade das notícias, para não limitarmos a capacidade de pensar e agir por nós mesmo.
A mídia e os outros processos tecnológicos são apenas instrumentos da necessidade humana, no entanto, estão cada vez mais exercendo poder exagerado sobre o cidadão. Utilizam o espaço de maneira semi-hipnótica para fins mercantis, gerando nas pessoas, em especial nos jovens, necessidades artificiais, ídolos de barro e o que é ainda pior, criando emoções falsas. Para o capitalismo doentio, " onde tudo tem valor ", é uma boa opção de negócio para os que lucram com esse tipo de informação, mas é certo que muito breve passaremos por uma decadência cultural e social generalizada, e isso é prejudicial a todos.
Segundo Juarez Moreira (2004), em sua obra: TEMPO-DE-ESCUTA, é essencial levar as pessoas a serem ouvintes libertos e interrogantes, trocar informações valiosas e se conscientizar da importância de escutar bem, para êxito profissional e social, criando uma nova mentalidade.
Ainda que, muitas vezes induzidos a renunciar a direção da própria consciência, compreendemos que os meios de comunicação social são incapazes de neutralizar a necessidade de viver a vida diretamente, e que os processos de comunicação mais importantes são os não verbais. Para Noam Chomsky, a mídia é sensível a pressão popular , mas apenas o "ativismo social" não basta, é preciso exigir uma postura mais ética dos meios de comunicação, na nova era das comunicações precisamos deixar de ser "capturados" para o comércio de grandes grupos econômicos, não ter a conduta comandada por programas de auditório e impedir que informações inúteis sejam vendidas com tanto "labor" como hoje.
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