O julgamento
Guto Glória Sardinha
O direito de defesa é um direito assegurado pela lei a toda pessoa, para que defenda a si ou a seus bens, contra ataques ou imputações delituosas que lhe sejam dirigidas ou atribuídas.
E, para isso, temos a profissão de advogado e, pela qual ,me formei, para ser um auxiliar da justiça, cuja missão consiste em assistir e representar na justiça as pessoas que se apresentam a ele para defendê-lo perante as diferentes jurisdições.
Na páscoa desse ano, quando os sinos proclamavam a aleluia, vi um boneco de palha sendo malhado e queimado por uma multidão. Era a malhação do Judas, uma tradição extremamente popular na Península Ibérica que se radicou por toda a América Latina a partir dos primeiros tempos da colonização.
Judas Iscariotes traiu Jesus, entregando-o aos seus inimigos por trinta moedas de prata. Judas será o meu primeiro cliente, pois, durante dois mil anos, vem sendo malhado sem ter tido o direito de defesa que lhe é assegurado por lei. Sei que não será nada fácil, pois, o seu crime, foi delatar o filho de Deus, Jesus Cristo.
Procurei ver, por qual ramo do direito iria fazer a defesa. E, pelos Direitos Humanos irei me aprofundar fazendo uma pergunta: " quem nunca pecou que atire a primeira pedra? "
Segundo Thomas Hardy, em seu romance "Judas, o obscuro" que ilustra a visão pessimista do autor, as ações humanas são condicionadas pelo meio, pela hereditariedade e o destino. Em razão disso, para defendê-lo, vou fazer um breve relato da sua vítima.
"Jesus, judeu da palestina, fundador do Cristianismo, filho de Deus e redentor da humanidade, nasceu em Belém, no ano quatro de nossa era, levado para Nazaré, berço de sua família, aí viveu com sua mãe Maria, e seu pai putativo, José, exercendo a profissão de carpinteiro, a mesma do seu pai. O início de sua atividade apostólica deve se situar por volta de vinte e oito de nossa era. A novidade da pregação cristã e a abolição das distinções que separam os homens e a existência do laço entre o amor a Deus e o amor ao próximo. A sublimidade da mensagem de Jesus e também sua reputação de taumaturgo, provocaram inicialmente a adesão dos mais humildes. Mas Jesus se chocou com vários de seus contemporâneos, que consideravam sua mensagem politicamente perigosa. Ele se opôs a chefes religiosos, fariseus, saduceus por causa de seu legalismo e concepção do messianismo. Finalmente, dois ou três anos de e apostolado itinerante, ele foi vítima de uma coalizão entre dirigentes Judeus e a autoridade romana sensível àquilo que pudesse favorecer o nacionalismo Judeu. Foi preso e crucificado como agitador público por ordem do Procurador romano Poncio Pilatos, que, antes da condenação perguntou ao povo o veredicto, morte ou salvação? Morte! Respondeu o povo."
É claro, que nada justifica uma traição mas, diante da grande ameaça que Jesus representava para os poderosos, e que, ainda vemos nos dias de hoje, que contra a força não há resistência, mas cedo ou mais tarde, ele, Jesus, seria pego. O que Judas fez foi antecipar uma situação, por fraqueza humana, diante de uma recompensa de trinta moedas de prata, ou até pelo meio que estava vivendo onde, existia, uma grande propaganda enganosa por parte dos poderosos. Sem querer fazer nenhuma acusação para defender o Judas, mas Pedro também pecou ao se acovardar com a negação a Jesus por três vezes. E, no entanto, o consideramos um santo. Também acho que deva ser, pois, como Judas, se uniu a Jesus Cristo, para pregar o amor ao próximo. O Judas traiu mas se arrependeu, pagando com sua própria vida e sem gastar um tostão das pratas recebidas, o mal que fez ao Senhor.
Caros jurados, que o ato de Judas sirva-nos de lição para que não haja mais traições. Mas, peço que deixemos a hipocrisia de lado e absolvamos este cidadão aqui na terra,pois, lá no céu, deve estar ao lado de Jesus, perdoado pelo mesmo, que sempre pregou o amor e o perdão, chorando e dizendo: - Eu pequei e me arrependi mas, a humanidade continua pecando e não se arrepende.
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