Perdão
Guto Glória Sardinha
O tempo passa, o tempo voa e vamos seguindo numa boa. Numa boa, porque com o passar do tempo, vamos adquirindo experiências e, erramos menos. Há quatorze anos, o Brasil estava passando por uma grande crise política, até então, nunca visto. Pela primeira vez em nossa história republicana, um presidente foi destituído por um processo de impeachment. Injustamente, o presidente Fernando Collor foi afastado.
O jovem presidente, que sonhava tornar o Brasil realmente independente, começou a se unir com lideranças de esquerda que tinham o mesmo propósito. Imagine, conseguiu ganhar as eleições com a direita e quis, governar com a esquerda. Quando apareceu em manchete, no Jornal do Brasil, de mãos dadas com Leonel Brizola inaugurando um Brizolão, pensei: Esse não dura muito tempo. Vão derrubá-lo como todos os outros que tentaram derrubar esse poder econômico que vai além de nossas fronteiras,
Não deu outra. Esse poder econômico que detém o monopólio de comunicação em nosso país, começou um processo de desmoralização do jovem presidente.O povo, sem cultura e educação, mas educado, serviu de manobra política para a derrubada. Os caras pintada mais pareciam estar num desfile de escola de samba do que em um ato político. Era uma festa.
A mídia conseguiu acabar com os dois. Tanto com Collor, quanto com Brizola. Ao ponto, do político mais bem intencionado do país, Brizola, perder uma eleição para presidente e ficar atrás do Enéas.
Enxergando essas manobras, no dia do impeachment, quando todos estavam pedindo a cabeça do presidente, fui, neste mesmo jornal, corajosamente, defender o presidente. Fiz um artigo, em que contava a história de nossa república. Onde, só cinco presidente, haviam terminado o mandato. Todos que queriam a independência de fato, haviam caído desmoralizados ou mortos.
O Lula, como sempre muito esperto, vendo que, se incomodasse os poderosos, seria mais um. E, deslumbrado com o poder, preferiu se unir à direita, apesar de ter sido eleito em uma coligação de partidos de esquerda. Tomou um caminho contrário ao presidente Collor. Tanto é assim, que os escândalos em seu governo, perto dos de Collor, são muito maiores. E, ele continua presidente, com o único objetivo de enriquecimento ilícito, usando a máquina governamental. Eu se fosse ele, teria vergonha de dizer que, o melhor de seu governo foi a Bolsa Família que, através desse projeto o povo brasileiro está mais alimentado. O povo não quer esmola. Queremos emprego, educação, investimento na agricultura para darmos trabalho ao homem do campo, habitação e reforma agrária. Esmola ele pode dar para a Bolívia, nós, não precisamos porque temos disposição para o trabalho. Queremos emprego! O país está parado. Sem desenvovimento. Um país dessa envergadura como o nosso, não pode crescer 2,3% em um ano. É incompetência. Falta gerenciamento. Falta decência e, este homem que aí está, não tem e não merece outra chance.
O povo brasileiro é sábio. Após quatorze anos, depois de toda maracutaia desse governo, perdoou o ex-presidente Collor, dando-lhe uma votação esplendida em Alagoas, quando saiu vitorioso nas urnas da eleição para o Senado. Amanhã também, pela generosidade do nosso povo, perdoaremos este que aí está, Lula, pela sua ignorância.
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