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...Macaé, ano I, Nº 15 - 5 a 12 de maio de 2006

A Volta da Ameaça Alada

Daniel Felipe Matos

Apesar desta coluna ser dedicada ao paisagismo e ao conhecimento, em geral, de diferentes plantas de ornamentação, o assunto de hoje diz respeito a questões de utilidade pública, entretanto, tendo como foco, os vegetais. Para ser mais preciso, aqueles vegetais que tem como característica, acumular água em seus tanques, como as bromélias.

Foi noticiado, há alguns anos, que as bromélias eram uma das grandes responsáveis pelos surtos de dengue. A planta, por uma precipitada associação com a dengue, se tornara no alvo de ataques que beiravam a histeria.

A Sociedade Brasileira de Bromélias - SBBr, no sentido de informar aos seus membros e à sociedade sobre a realidade, fez os seguintes esclarecimentos:

- A água com sedimentos orgânicos ou com matéria em suspensão é evitada pelo mosquito.

- É fato comprovado que Aedes aegypti tem preferência por recipientes artificiais e com água limpa.

- Na natureza, um equilíbrio é obtido, pelo complexo sistema ecológico estabelecido no tanque das bromélias.

- É claro que as bromélias chamadas tanque, acumulando água em suas rosetas, podem se tornar eventuais meios de criação de mosquitos.

O levantamento de focos do mosquito, realizado em 2001 pelo PEAa-Rio (Plano Municipal de Erradicação do Aedes aegypti), feito no trabalho casa a casa, demonstrou que 70% das larvas do mosquito encontram-se nos pratos que servem como suporte aos vasos de plantas.

As bromélias não são criadouros preferenciais, porém quando existe oferta grande deste tipo de depósito, ela pode representar até 10% dos focos.

Pesquisas realizadsa pelo grupo de trabalho de entomologia do PEAa-Rio mostraram que a rega de bromélias com uma solução de água + Hipoclorito de Sódio a 2% (água sanitária comercial), na diluição de 1ml de água sanitária para 500ml de água é eficaz como larvicida, ocorrendo a mortalidade de 100% das larvas nas primeiras 24 horas. A mesma solução também foi utilizada com êxito com outras plantas.

Além destes cuidados, outras medidas, também bastantes simples, podem ser utilizadas para se reduzir o ciclo do mosquito, como a troca de água regularmente ou, em caso de dificuldade desse procedimento, aspergir periodicamente um inseticida natural.

Uma receita para um inseticida natural seguida pelos diversos floricultores é: colocar 40g de fumo de rolo em 2 litros de água morna ou fervida de um dia para o outro. Ou com solução de água sanitária (uma colher de chá de água sanitária para um litro) duas vezes por semana.

A água nos suporte devem ser trocada deve ser trocada, pelo menos, duas ou três vezes por semana. Caso não haja possibilidade de tal atividade, deve-se colocar areia no suporte.

Pesquisas estão sendo desenvolvidas para o combate em outras frentes de ataque, como a síntese de uma espécie de "ovicida" (agente químico capaz de matar o inseto em sua fase de desenvolvida embrionária ainda dentro do ovo). Estudos sobre a composicão bioquímica da casca do ovo do Aedes aegypti estão sendo realizados justamente para se ter conhecimento deste, para futuramente servir como um instrumento para confecção de um possível "ovicida"- disse a pesquisadora do Instituto de Química do Centro de Tecnologia da UFRJ, Glória Regina.

Quanto a manutenção dos jardins de espaços públicos é de responsabilidade do Estado ou do Município, a quem cabe decidir os produtos e técnicas a serem utilizados. Sabe-se hoje que o combate a esses focos é possível e não obriga à destruição de plantas de qualquer natureza. A legislação ambiental protege não só as bromélias, mas todo e qualquer tipo de vegetação porque reconhece a importação dos vegetais na natureza. É crime ambiental extrair ou destruir bromélias dos ambientes naturais.

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