Jardim Sensorial
Daniel Felipe Rocha Matos
Biólogo - Paisagista
Geralmente quando pensamos em paisagismo, nos remetemos a estilos de épocas, ou de diferentes regiões, procurando combinar harmonicamente flores com arquiteturas, sejam estas residenciais ou em espaços públicos. O resultado desta combinação, geralmente é traduzida numa satisfação visual.
Seguindo a lógica de que a visão corresponde, aproximadamente 80% de nossos sentidos, fica fácil concluir que a maioria dos trabalhos realizados no campo do paisagismo, está focada nas diversidades de formas, estruturas e principalmente nas inúmeras variações de cores produzidas pelas flores.
Entretanto, um jardim pode oferecer muito mais do que um atrativo visual. Um exemplo disto é o jardim sensorial localizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
O objetivo de um jardim sensorial é proporcionar aos deficientes físicos, principalmente os visuais, a possibilidade de ter um contato sensorial com as plantas através do olfato, do gosto e do tato, e para os não deficientes, seria o estímulo dos outros sentidos.
Para a confecção do jardim deve-se atentar para a escolha dos vegetais em função do cheiro, textura, sabor e uso (medicinal, culinária ou perfumaria). Segue-se aqui, alguns exemplos de vegetais utilizados:
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| Pelo-de-urso (Ophiopogon japonicus Ker-Gawl) |
Aniz (Ocimum selloi Benth) |
Plantas de tempero: alecrim (Rosemarinus officinalis L.), menta (Mentha sp.), orégano (Origanum vulgare L.) e hortelã (Mentha piperita L.).
Plantas medicinais: falso-boldo (Coleus ambonicus L.), gengibre (Zingiber officinalis L.), guaco (Mikania glomerata Spreng.), patchuli (Pogostemum heyneanus Benth.) e maranta (Maranta arundinaceae L.).
Plantas de perfume: bogari (Jasminum sambac), cravo (Dianthus cariophyllus), madressilva (Lonicera hildebrantiana) e mini-gardenia (Gardenia radicans florepleno).
Plantas de variadas texturas: lança-de-são-jorge (Sansevieria cylindrica), língua-de-boi (Gasteria verrucosa), espada-de-são-jorge (Sanseviera zeylanica) e roel (Rhoeo spathacea).
Plantas aquáticas: água-pé (Eichornia crassipes), ninféia (Nymphae sp.), alface-d`água (Pistia stratiotes), pinheirinho-d`água (Miriophyllum brasiliense) e flores-vermelhas (Ludwigia sedioides).
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| Orégano ( Origanum vulgare L.) |
Íris-amarelo (Ins pseudacorus L.) |
Outra questão a ser abordada, é a estrutura do jardim, devendo ser adaptada de acordo com as necessidades físicas, como: pavimentos diferenciados permitindo a orientacao do deficiente visual, largura dos corredores e altura dos canteiros para as cadeiras de rodas, com corrimão em cada canteiro para apoio.
Nas figuras podem ser vistos alguns exemplares de plantas sensoriais e dois modelos de estrutura de jardim. O modelo que consiste de canteiros de concreto se encontra no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, o modelo com canteiros à base de madeira dormente, é uma adaptação do trabalho da paisagista Walkiria Fernandes.
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