OS ALTOS INDICES DE INSUFICÊNCIA RENAL CRÔNICA
Cristina Vieira
O Brasil tem cerca de 200 mil vítimas da doença renal crônica - responsável pela perda total da função dos rins. (Fonte, OMS, 2006).
Deste total, cerca de 70% morrem antes de iniciar a diálise, porque os primeiros sintomas do mal aparecem quando o paciente já está bastante debilitado. Os demais, mesmo com o tratamento, sofrem forte abalo emocional e social que poderia ser evitado se eles tivessem acesso à informação.
A doença renal crônica está incluída entre os males considerados "traiçoeiros", porque os seus primeiros sintomas só aparecem quando a capacidade dos rins já está reduzida a 25% do normal.
Nesse estágio, o paciente tem cansaço e falta de ar por causa da elevação da pressão arterial, inchaços, palidez (ou cor de palha), coceiras e manchas, sente vômitos, náuseas, azia e mau hálito, tem diminuição da quantidade de urina, câimbras e possibilidade de fraturas freqüentes, anemia, fraqueza e insônia.
Cerca de 70% dos renais crônicos estão na fase mais produtiva da vida, porém são na maioria carentes. É que as freqüentes sessões de hemodiálise às quais precisam se submeter semanalmente impedem que tenham emprego fixo e renda mensal que garanta suas necessidades básicas de sobrevivência.
Alem disso, o emocional do doente renal crônico, seriamente afetado por causa das implicações sociais provocadas pela doença. Implicações estas como abandono familiar, perda do poder de mantenedor da família, onde o homem que antes mantinha a família com seu trabalho agora passa a ser um doente que não tem mais como contribuir para a subsidência da família.
Os relatos são dramáticos, a uma fragmentação muito grande da família quando surge o problema renal Crônico.
Neste sentido é que sempre procuramos salientar a importância de se investir em prevenção, pois se houvesse por parte do governo políticas serias de prevenção, problemas como estes poderiam ser adiados ou então até poderiam deixar de existir. Estou falando no sentido de vulgarizar essa doença, suas causas e conseqüência, informar a população da importância do rim em seu organismo, pois como muitos pensão ele não é so um órgão responsável pela filtragem do sangue, é muito mais do que isso.
Com relação a adotar medidas mais criteriosas de avaliação e de prevenção, no sentido de estar identificando um possível Diabetes ou uma possível Hipertensão Arterial antes mesmo de tornar-se dependentes de medicação.
O governo investe valores relevantes em medicação para essa população, estou aqui me reportando aos pacientes Hipertensos e Diabéticos e também os pacientes ou melhor pessoas que estão em tratamento diálico.
Se houvesse uma preocupação maior com a prevenção das causa destas doenças, poderíamos ter um baixa relevante nestes valores sem deixar de mencionar o que é mais importante que é uma qualidade de vida melhor para o cidadão que é um direto do governo assegurado na constituição.
Então porque isso não esta acontecendo? Realmente essa é uma pergunta que me faço todos os dias quando vejo o sofrimento das pessoas e das famílias que passam por estes problemas. O que pode ser dito neste caso; é que não há um interesse maior em investir no cidadão, ou que as políticas feitas são elaboradas para pobres, ou seja, políticas pobres para pessoas pobres, e isso que os governantes querem nos passar através de seu atos. Pois não investem em educação, nem em saúde. Pois de alguma forma é lucrativo manter tudo como esta.
Infelizmente essa é uma dura realidade, mas não podemos ficar clamando por aquilo que já foi nos concedido, pelo menos no papel, que é o direito a uma vida digna e uma qualidade de vida melhor; como a vida emita a arte, na musica não poderia ser diferente também, onde diz :" a gente não quer so comida" Isso mesmo nos queremos mais, o principal que é ser gente com direito de gente, de ser humano, e não como peças de um jogo de interesses.
Cristina Vieira, Assistente Social, registro no CRESS nº 2705, com atividade laboral na área de saúde, com especialização em terceiro setor.
Carreira desenvolvida na área de Educação popular e na área de saúde/ Coordenação de áreas/ Recrutamento/ Seleção de profissionais/ Conhecimento e aplicação das diversas metodologias sociais / Assessoria e Elaboração de Projetos de prevenção e projetos sociais de inclusão social/ Graduada em Serviço Social com experiência na área de nefrologia e acompanhamento pós e pré-transplante renal. |