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Construindo um IAI Kfir-C7 1:32 - Parte II
( modificação do kit Dassault Mirage V - Revell 1978)
Por Alexandre Almeida Rezende
ETAPA 16: PARTES TRANSPARENTES
As partes transparentes do kit estavam totalmente opacas provavelmente devido ao excesso de cola ou qualquer outro produto químico que reagiu nestas peças. Foram novamente confeccionadas usando a técnica do "Vacuo-form" utilizando-se chapas de plástico acetado transparente. Devidamente recortadas após o processo, foram isoladas (para pintura) a armação da cobertura e o pára-brisa, e posteriormente, foram confeccionados os detalhes: alça de fechamento (com arame), espelhos retrovisores (em plástico transparente) e trilhos de encaixe da cobertura da cabine. O pára-brisa recebeu dois detalhes em aviônicos (internos à cabine feitos com alumínio).
ETAPA 17: ALONGAR O CONE DO NARIZ
O nariz do avião MIRAGE V apresentava-se curto em relação ao nariz do KFIR-C7, e calculando-se a escala percebeu-se que o mesmo deveria ser alongado em 18 mm. Com um molde em papel posteriormente transferido para chapa de alumínio, cortou-se um retângulo que devidamente enrolado na medida do diâmetro do nariz e colado com "Super-Bonder", foi encaixado entre a fuselagem e o nariz do modelo, sendo ajustado com Putty e lixado, caracterizando assim o efeito de alongamento do nariz.
ETAPA 18: HASTE DO TUBO DE PITOT PRINCIPAL
A haste do tubo de pitot original do kit estava quebrada, mas de nada serviria, pois a haste do KFIR é bem diferente do MIRAGE V no que diz respeito ao comprimento e localização (é encaixada embaixo do bico, no nariz do avião).
De posse de um sprue submetido ao calor de uma vela, amolecendo o plástico, moldou-se uma nova haste do tubo de pitot que precisou de algumas lixadas para seu encaixe angulado no nariz do modelo. (Foram feitas seis hastes até conseguir uma satisfatória).
ETAPA 19: BARBATANAS DIANTEIRAS NO NARIZ DO MODELO
Observando um desenho, cortou-se estas barbatanas (localizadas no nariz do avião, bem próximas ao bico), em chapa de alumínio e, com uma pequena dobra, conseguiu-se uma superfície para colá-la (após ter sido lixada). São dois no total.
ETAPA 20: SONDAS DE PRESSÃO À FRENTE DO PÁRA-BRISA
São dois no total e se localizam à frente do pára-brisa dianteiro do avião. Usei arame de clips devidamente cortados, dobrados e limados. Com o auxílio de uma agulha, foram furados dois pequenos orifícios na chapa de alumínio (que alongou o nariz do modelo), onde se encaixaram estes novos tubos de pitot (com cola).
ETAPA 21: SENSORES DE PRESSÃO
O KFIR tem dois sensores de pressão localizados na parte de cima da fuselagem. Para o kit eles foram fabricados usando sprue derretido com auxílio de uma vela e devidamente moldado para posteriormente ser colado na fuselagem.
ETAPA 22: DENTE NO BORDO DE ATAQUE DAS ASAS
As asas do KFIR diferem-se das do MIRAGE pelo fato de possuírem um dente à meia envergadura que melhora a aerodinâmica em vôo supersônico (o MIRAGE possui um dente em corte nas asas que criava um fluxo no delta, ajudando na sustentação). No kit os dois dentes em corte foram fechados com resina acrílica e lixados (poderia ser com putty, mas eu não possuía o material na ocasião). Após isto, foi feito um molde em papel e depois transferido para a chapa de alumínio originando o novo dente do bordo de ataque; bem pontudo e saliente à asa. Foram colados com cola de resina e novamente lixados.
ETAPA 23: CAIXAS DE RODAS
As caixas de rodas do kit da REVELL apresentavam-se com poucos detalhes para um kit 1:32, por isso decidi melhorá-las.
Através de fotos pude detalhar melhor as caixas de rodas usando fios elétricos, borrachas e pequenos pedaços de alumínio devidamente cortados e pintados que resultaram num aspecto bem melhor. Uma curiosidade é que as portas das caixas do trem de pouso traseiro foram presas com pequenas chapinhas de alumínio que proporcionaram um efeito "hidráulico", ou seja, elas têm suspensão própria. A caixa de rodas dianteira também foi fabricada em chapa de alumínio, colada internamente à fuselagem e também detalhada (embora não se possa ver devido a porta do trem de pouso estar fechada), mas logo debaixo do trem de pouso traseiro foi colado algumas peças plásticas (de garrafas plásticas de refrigerante) e chapinhas de alumínio que moldaram os cilindros hidráulicos e pistões de ar de recolhimento do trem de pouso.
 
ETAPA 24: TREM DE POUSO
O trem de pouso do KFIR difere-se do MIRAGE por ser mais reforçado para pistas de areia e para agüentar mais peso em armamentos. O trem de pouso do kit (dianteiro e traseiro) estavam quebrados; necessitavam de reforma e reforço para igualar-se ao do KFIR (e também para suportar o peso do kit).
 
Com cargas usadas de caneta Bic, foram cortados os cilindros do trem de pouso traseiro e com chapinhas de alumínio, confeccionou-se as dobradiças da suspensão. Os braços hidráulicos foram feitos de arame de clips, juntamente com detalhes da fiação feitas com arame bem fino e maleável. Foram colados com cola de resina e testados para suportar o peso final do kit.
 
O trem de pouso dianteiro foi reformado usando-se chapa de alumínio com reforço triangular, e a fiação de freio foi feita usando arame bem fino. Os dois faróis dianteiros foram feitos com pedaços de sprue colando-se um celofane e chapa de acetado transparente como lente; seu suporte foi feito com alumínio e colado com Super-bonder. O conjunto final (caixa de rodas/trem de pouso) ficou satisfatório após a pintura.
  
ETAPA 25: DETALHAMENTO GERAL
Haviam detalhamentos gerais necessários a fazer como antenas UHF, geradores de fluxo de ar na calda, pára-choque de calda, luzes de navegação, carenagem Doppler , receptor de alerta de visão frontal e algumas pequenas entradas de ar.
· Antenas UHF: Todas feitas em chapa de alumínio coladas com Super-bonder;
· Geradores de fluxo de ar na calda: Todos feitos em chapa de alumínio e colados com cola de resina;
· Pára-choque de calda: Feito em chapa de alumínio e colado com cola de resina;
· Luzes de navegação: As vermelhas foram feitas com plástico de lanterna de automóveis e a verde com plástico de garrafa de refrigerante;
· Carenagem Doppler: Já veio pronta com o kit do MIRAGE (peça no 88) e não era usada no kit; precisou apenas de lixamento para diminuir um pouco seu tamanho; foi colada com cola de fusão e calafetada com cola branca;
· Receptor de alerta de visão frontal: Feito com tampa de caneta Bic (cortada);
· Pequenas entradas de ar: Feitas em chapa de alumínio pelo mesmo processo das entradas de ar maiores;
ETAPA 26: CABIDE CENTRAL DE BOMBAS
O cabide central de bombas original do kit teve que ser todo reformulado para o padrão usado pelo KFIR. Para isto o mesmo foi cortado em 3 pontos eliminando-se a parte traseira e as duas restantes separadas. Com pedaços de sprue colados, calafetados com putty e devidamente lixados, moldou-se os seis suportes individuais das bombas que, receberiam posteriormente duas pequenas chapas de alumínio furadas nas pontas e com pequenos pedaços de arame de clips colados, resultando nas pinças de trava das bombas. Com fios bem finos e pequenos pedaços de arames, fabricou-se os conectores elétricos de cada suporte das bombas. Com um sprue mais largo, confeccionou-se a parte inferior do cabide central (que é levemente arredondado) colando-o no cabide em sua porção inferior, observando a separação existente, e após a secagem, foi totalmente calafetado com putty e devidamente lixado. Com uma lima foram feitos dois entalhes na parte superior do cabide para receber duas travas que fixam o mesmo à fuselagem. Estas travas foram feitas com sprue devidamente lixado para dar o formato necessário à fixação.
ETAPA 27: OUTROS CABIDES DE ARMAMENTOS
Os outros cabides de armamentos (seis no total) são:
· Portas mísseis e atuador do elevon: já vieram prontos no kit, só necessitaram de lixamento e separação apropriados;
· Porta-tanques de combustível: foram retirados de dois lançadores de foguetes SNEB que vieram junto com o kit original. Os pontos de fixação dos tanques foram feitos com chapas de alumínio e pintados de preto fosco.
· Cabides extras: são presentes somente no KFIR-C7 e localizados abaixo das entradas de ar principais. No kit original vieram dois cabides para bombas que deveriam ser colocados logo atrás do cabide central (lateralmente) na versão do MIRAGE Israelense (o kit da REVELL permitia na época montar uma versão francesa ou israelense). Estes cabides foram lixados reduzindo-se e adequando-se o tamanho, posteriormente, foram adicionadas duas pequenas chapas de alumínio furadas nas pontas e com pequenos pedaços de arame de clips colados, resultando nas pinças de trava das bombas. Todos os cabides foram colados com cola de fusão.
  
ETAPA 28: TANQUES EXTRAS DE COMBUSTÍVEL
Os tanques de combustível originais do kit eram do tipo "supersônico" com capacidade para 500 litros e com cabides de fixação próprios. Embora esses tipos de tanques também são usados pelo KFIR, decidi mudá-los para o padrão também muito usado pelos israelenses: capacidade de 550 litros com aletas laterais para melhor o fluxo de ar e cabide de fixação à parte. A confecção dos cabides já havia sido solucionada na Etapa 27, e os cabides originais dos tanques foram retirados, foras e corrigidos as imperfeições com massa putty. As aletas laterais foram confeccionadas com molde em papel e posteriormente cortadas em chapa de plástico acetado, sendo coladas com Super-bonder.
 
ETAPA 29: MÍSSEIS AR-AR
O kit do MIRAGE apresentava dois mísseis SIDEWINDER (AIM-9B) que estavam em péssimo estado de conservação e necessitavam de reforma. Como estava fabricando um C7, e este normalmente, leva mísseis de fabricação israelense, optou-se por criar o modelo de míssel chamado de PYTHON 3 (o mais moderno ar-ar israelense). Para criar este míssel, necessitou-se de literatura especializada em armamento ar-ar e, com os dados necessários, passou-se à fabricação propriamente dita.
 
Com cargas vazias de caneta esferográfica (aquelas mais chiques), conseguiu-se fabricar o "corpo" do míssel respeitando-se o diâmetro e comprimento corretos; com moldes em papel, cortou-se em chapa de plástico acetado, as quatro aletas traseiras e 4 dianteiras do míssel, sendo que os estabilizadores giroscópicos foram fabricados com chapa de alumínio e também as bases das oito aletas, tudo colado com cola de resina e Super-bonder. Os detectores infravermelhos foram feitos com chapa de plástico acetado transparente, devidamente lixados e colados com cola de resina. As travas para cabides foram confeccionadas com chapa de alumínio devidamente encurvadas no diâmetro correto e coladas para receber a pintura final. No bocal de exaustão do míssel foi introduzida uma aleta cruciforme pintada de preto fosco imitando a grade de saída.
 
ETAPA 30: DECAIS
Este item necessitou de atenção especial devido não existir à venda no mercado de kits, decais especializados na escala 1:32 (existem muitas variedades para outras escalas). Era, pois, necessário "criar" estes decais de algum modo. Primeiramente tentei contato com firmas fabricantes de decais na esperança de se encomendar, em caráter especial, os decais necessários para este modelo. Firmas como a FCM e AEROBEL alegaram ser inviável a fabricação dos mesmos devido ao alto custo por fotolito para confecção de apenas uma folha, mas ambas indicaram um meio de criar decais a partir de um papel especial para impressora. Um plastimodelista veterano indicou uma firma americana (MICRO-MARK) dizendo que a mesma vendia este papel especial para decais, que são feitos em desenho no computador e depois impressos usando impressora laser.
Feito contato com esta firma e adquirindo-se o papel, era necessário agora desenhar os decais israelenses para o modelo. Deparou-se com dois problemas: conseguir um programa de computador eficiente para desenho e conseguir alguém para traduzir "Hebráico".
 
Com algum trabalho, conseguiu-se emprestado o programa "COREL DRAW 8.0" que, depois de instalado, deu início aos desenhos que foram feitos acompanhando fotos / desenhos originais e calculando-se a escala correta. Para as traduções, foi contatada uma professora de Hebráico que gentilmente traduziu as marcações necessárias, resultando assim, um excelente trabalho em decais.
OBS: O papel adquirido era transparente, sendo que, nas partes brancas, foi necessário dar "fundo" com tinta branca e depois "selá-la" com verniz (para não se desmanchar quando molhada). É importante salientar que o problema citado na Etapa 1 foi sanado desenhando-se na mesma folha de decais os detalhes perdidos na raspagem da tinta antiga, sendo aplicados em seus devidos locais, minimizando o problema.
  
ETAPA 31: PINTURA
O KFIR dispõe de três tipos de pintura: a cinza de superioridade aérea, a camuflagem em 2 tons (areia e marrom) para uso no deserto; e a camuflagem em 3 tons (areia, marrom e verde) usada pela ISRAEL DEFENCE FORCE como camuflagem tática padrão (talvez a mais usada). Optou-se pela camuflagem em 3 tons por questões de gosto; foram usadas tintas e vernizes da HOBBY CORES aplicadas com aerógrafo de ação simples (modelo BADGER 250.4) e pincéis diversos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como em todo grande projeto, houve acidentes, falhas e omissões que, por motivos diversos, não deram ao kit um acabamento digno de um "MASTER" mas, contudo, servem de incentivo para nós modelistas, cada vez mais, inovarmos e improvisarmos, aprendendo uns com os outros, técnicas que difundidas, vão tornar este Hobby, um interessante e sadio passatempo para todos, por muitas gerações.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- COLEÇÃO: "AVIÕES DE GUERRA", EDITORA NOVA CULTURAL, 1985/1989;
- COLEÇÃO: "GUERRA NOS CÉUS", EDITORA RIO GRÁFICA, 1986;
- COLEÇÃO: "TUDO SOBRE AVIÕES DE COMBATE", EDIÇÕES ALTAYA, 1997;
- LIVRO: "MÍSSEIS AR-AR E ANTITANQUE", EDITORA NOVA CULTURAL, 1986;
- REVISTA: ESPORTE MODELISMO, EDITORA AERO, 1984.
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