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...Macaé, ano I, Nº 21 - 16 a 23 de junho de 2006
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Culinária

  Baba-de-Moça

Faça uma calda de 500 gramas de açúcar. Quando estiver em ponto de pasta fina, junte o leite puro de um coco.
Passe 10 gemas por uma peneira e deite-lhes um pouco de calda quente, mexendo bem. Fora do fogo reúna tudo. Leve novamente ao fogo brando, sem parar de mexer, para diante e para trás, até cozinhar as gemas e tomar o ponto desejado.
Junte gotas de água de flor de laranjeira. Depois de frio, ponha o doce em compoteira.
Querendo, polvilhe canela.

Arroz-de-Hauçá

Duas xícaras de arroz, três colheres (de sopa) de óleo, uma colher (de chá) de sal, duas xícaras de água fervente e meio quilo de  carne-do-sertão, dita carne-de-sol.
Lave e escorra bem o arroz. Coloque o óleo numa panela. Frite o arroz no óleo, mexendo com uma colher de pau durante uns 10 minutos sobre o fogo baixo.
Junte as xícaras de água com sal. Mexa e bata, até levantar, em fogo vivo. Baixe o fogo e deixe cozinhar durante 20 minutos, talvez 25, até que a água evapore.
Experimente. Se não estiver cozido e bem ligado, junte mais um pouco de água. Quando  estiver duro como pirão, Tome a carne-do-sertão (de preferência do peito), corte em pedacinhos, escalde e leve para cozinhar numa frigideira com cebola, alho e pouca água. Deixe secar e frigir na própria gordura da carne. Quando a carne estiver bem torradinha, despeje por cima do arroz e sirva. Ou sirva com a carne em volta do arroz.

Comida dos Orixás

Oxóssi, caçador e
gentil-homem, o orixá
mais querido dos baianos, dificilmente recusa pratos
com abóbora ou milho
.

Oxóssi

Abóbora com Camarão Seco

Cozinha-se a abóbora com bastante camarão seco batido no pano, cebola, um dente de alho esmagado, coentro e tomate. É em muito pouca água. 
Quando estiver quase seco, rega-se com toicinho derretido em azeite-de-dendê, mexendo sempre até ficar como uma fritura.
Então mistura-se com ovos batidos, até formar massa uniforme.

Canjica de Milho Verde

Escolha 25 espigas de milho verde e rale. O milho também pode ser triturado em pedra de mó ou no pilão. Pode até ser passado na máquina de moer, evidentemente depois de debulhado.
Para aproveitá-lo bem, despeje uma xícara de água no ralador, a fim de retirar toda a polpa. Retire e reserve o leite puro de dois cocos. Despeje dois copos de água quente no bagaço e esprema, podendo repetir a operação uma ou duas vezes para extrair todo o leite.
Misture à massa do milho o leite com água, passando em peneira fina. Junte o sal e açúcar a gosto. Leve ao fogo com um gole de água-de-flor, mexendo até ferver. Aí junte o leite puro e deixe cozinhar mais um pouco. Pode ser servido ralo ou no ponto, mas da segunda forma é melhor.
(Conhece-se o ponto pingando a canjica numa vasilha de água fria. Se empastar, está bom; se dissolver, está crua.)
A canjica bem-feita é vidrada e treme na faca quando cortada, depois de fria. Serve-se com canela, que só deve ser colocada quando a canjica esfriar.

Quando fica geleado é porque o milho estava verde. Se rachar, não ficar compacto, é que levou muito coco.

Camarão de Oxóssi

Ralam-se dois cocos, junta-se camarão seco à vontade, cebola em rodelas, azeite-de-dendê e sal. Por cima, vão doze ovos batidos com as gemas.
Leva-se ao fogo brando, deixando cozinhar na frigideira.

Oxum

Ximxim de Galinha
Oxum, segunda mulher de Xangô, é uma ninfa que recomenda o xinxim de galinha

Limpe a galinha. Parta pelas articulações. Tempere com sal, alho, limão.
Faça um refogado com azeite-de-dendê, cebola, alho, camarão seco (meio quilo) e amendoim torrado (100 gramas), depois de tudo passado na máquina.
Junte a galinha, refogue bem, vá juntando pouquinha água de cada vez até cozinhar a galinha e formar um belo molho.
Serve-se com farofa de azeite-de-dendê.

Xangô

Xangô, senhor dos raios,
é louco por um caruru

Caruru

Lave e enxugue os quiabos antes
de cortar, para evitar a baba.
Ponha em pouca água para
cozinhar, temperado com camarões
secos descascados e bem moídos,
cebola ralada, coentro,
pimenta-malagueta em pó,
alho e sal. Quando a pasta estiver
enxuta, ponha azeite-de-dendê
e mexa bem.

Sirva em terrina, na qual se
acrescenta um pouco de azeite
quente, na hora de ir para a mesa.
Acompanha: arroz branco ligado.

Juntando rabada, o prato passa a ser chamado amalá .
Em Angola, o fruto da palmeira chamava-se dendê
(em língua quimbundo), com a acentuação tônica na primeira sílaba.
Foi no Brasil que a palavra ficou oxítona

Iansã

Acarajé

Põe-se o feijão fradinho de molho ("até inchar"). Descasca-se grão por grão, tirando o olho preto e passando depois na máquina, o mais fino possível, para sair pasta. Tempera-se com sal e cebola ralada, batendo bem, para ligar, até brotaram bolhas na massa.
Frita-se em azeite-de-dendê bem quente, na frigideira, em formas de bolinhos. Fritos, servem-se com o molho, ambos frios.

Molho de Acarajé

Quatro pimentas-malaguetas. Um quarto de xícara de camarão seco moído. Uma cebola pequena picada. Meia colher (de chá) de sal. Duas colheres (de sopa) de azeite-de-dendê.
Misture tudo, menos o azeite, passando na máquina. Aqueça o azeite e ponha tudo dentro dele para cozinhar.

Corta-se o acarajé no sentido do comprimento e coloca-se dentro o molho. 

Iansã é uma das três mulheres de Xangô. Ela come acarajé. E quer sempre muito. Como o acarajé é servido antes das refeições, como aperitivo, em geral exige outro prato também:

Abará

É só juntar pimenta, camarão seco moído e azeite-de-dendê à massa do acarajé para fazer abará. Faça bolinhos, junte um camarão seco, embrulhe em folha de bananeira. Cozinham-se os embrulhinhos em banho-maria ou no vapor.
Deve ser servido frio e na própria folha.

Omolu

O senhor da terra, Obaluaê-Omolu, que costuma marcar os seus eleitos com varíola, gosta é de pipoca

Duburu

Ponha uma panela no fogo com areia da praia bem sequinha.
Jogue um punhado de milho-alho.
Ele vai-se abrindo em forma de flor.
Recolhe-se a pipoca e serve-se quente, 
jogando um pouco de azeite-de-dendê por cima. 
 

 

Exu

Exu come de quase tudo, desde que acompanhe uma boa pinga de cana, batida de coco ou meladinha (pinga com mel).

Farofa de Azeite-de-Dendê

Frite numa frigideira com azeite-de-dendê uma porção de cebola (ralada ou picada, conforme o gosto da cozinheira). Despeje farinha de mandioca torrada.
Mexa até ficar bem sequinha. Querendo, também pode fritar junto com a cebola alguns camarões secos.

Farofa de Água Quente

Põe-se farinha crua num prato fundo e faz-se uma cavidade no centro, com o dedo. Ali vai-se despejando água bem quente com sal, mexendo sempre até a farofa ficar bem soltinha.
(Também se pode juntar um pouco de azeite-de-dendê na água quente.)   

A Cozinha Brasileira - São Paulo: Circulo do Livro S.A. (Edição integral Revista Cláudia - Editora Abril S.A.), sem data.

Obá

Obá, terceira mulher de Xangô,
é uma comedora de ovos, de todas as maneiras.

Obá

Ovos de Obá

Coloque todos os temperos verdes na panela com azeite-de-dendê. Abra os ovos para estrelar, jogando azeite por cima deles com uma colher.
 

 

Oxumaré

Oxumaré, o arco-íris, é entendido em molhos. Come de quase tudo, desde que venha com um bom molho

Molho de Pimenta e Limão

Amasse três ou quatro pimentas-malaguetas com meia colher (de chá) de sal, uma cebola ralada e um dente alho socado, até obter uma pasta.
Junte meia xícara de suco de limão e deixe descansar durante uma hora antes de usar.
É um bom molho para peixe, camarão, frigideiras, mas não se pode guardar, porque fermenta.

Molho de Dendê e Vinagre

Três ou quatro pimentas-malaguetas amassadas com meia colher (de chá) de sal e uma cebola ralada.
Junte uma colher (de chá) de coentro, um quarto de xícara de azeite-de-dendê e maia xícara de vinagre.
É molho para bacalhau em leite de coco, para escaldados de peixe e de caranguejo.

Molho Nagô

Soque três ou quatro pimentas-malaguetas com meia colher (de chá) de sal e um quarto de xícara de camarão seco moído.
Junte um quarto de xícara de suco de limão e meia xícara de quiabos frescos, cortados e cozidos.
É molho para carne-seca e para carne-de-sol. Ou para o cozido. 

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