Ilha da Madeira na Europa, região irmã da Amazônia
Entrevista inédita desde Bruxelas, Bélgica com
Amyra El Khalili por InêzOludé
Colaborou Maria Helena Batista Murta
Núcleo Movimento Mulheres pela P@Z !
Vale do Rio Doce (MG) e Amazonas
Versão em Português
Uma das maiores preocupações dos brasileiros residentes no exterior é a soberania da Amazônia. Mitos correm pela Internet de uma suposta internacionalização das nossas matas ou sobre invasões estrangeiras na região. Para tirar as dúvidas, a Revista Brazil na Europa entrevista a economista Amyra El Khalili,uma das grandes especialistas do assunto. Amyra é presidente da OSC CTA, idealizadora e fundadora do projeto BECE (sigla em ingês) Bolsa Brasileira de Commodities Ambientais, ancorado no Portal do Meio Ambiente. A parceira Amyra possui duas décadas de experiência nos mercados futuros e de capitais, tendo ocupado cargos relevantes em Corretoras e Bancos de Investimentos. Foi "dealer" do Banco Central do Brasil, Banco do Brasil, Bombril S/A, Grupo Vicunha entre outros. É profunda conhecedora do sistema de garantias e salvaguardas da BM&F. Foi professora de engenharia e estratégias de operações em risco em cursos de extensão de várias universidade. Participou do lançamento dos contratos de commodities Agropecuárias da BM&F, em especial, fez a Rota da Soja com 30.000 Km e centenas de vôos implantando instrumentos derivativos. Trabalhou no projeto de construção econômica no Líbano em apoio ao Estado Palestino nos acordos de Oslo (93). É co-editora da Rede BECE-REBIA e Membro do Conselho Editorial da Revista do Meio Ambiente e do Portal do Meio Amientee. Amyra foi indicada para o Premio Mil Mulheres ao Nobel da Paz 2005 e Premio Bertha Lutz 2006 pela Comunidade Baha'i do Brasil -É professora de pós gradução na disciplina economia socioambiental da Prima e da Faculdade de Direito de Campos de Goitacazes.
Inêz Oludé: Quais os fundamentos sobre pressões internacionais que estaraim sendo feitos sobre a soberania brasileira na Amazônia ?
Amyra El Khalili :
É evidente que estão fundamentados em questões de foro econômico, como os insumos, as matérias primas necessárias para sustentar o setor produtivo, como por exemplo a biodiversidade (bio=vida, diversidade) e água. Sem água não é possível produzir bens e serviços, por que é vital para nossa sobrevivência. A Água é um suporte essencial à vida.
A amazônia representa um berço riquíssimo que gera cobiça de poderes que já consumiram ou nunca tiveram tanta alternativa como representa, desde sua cultura, povo, conhecimento genético e florestas nativas.
Inêz Oludé: As chances de uma intervenção são possíveis?
Amyra El Khalili :
Sempre haverá chance de intervenção quando há interesse econômico. Foi assim no Oriente Médio com o petróleo em toda essência do conflito árabe-israelense. Não podemos ignorar que a região da palestina sempre foi disputadas por tribos e grupos historicamente por sua posição geo-política e estratégica. Sendo uma rota onde passaram milhares e milhares de nômades, em direção ao ocidente. Então, se o que ocorre no Oriente Médio e ocorreu na África pelos mesmos motivos, neste caso ouro e diamante, por que não poderia acontecer com a nossa maior biodiversidade mundial, com suas extensas bacias hidrográficas? Será que os ambientalistas são apenas um movimento romântico que disparou uma causa com o apelo de paz verde? (greanpeace)
Eu procurei estudar economia e conhecer mercados, as entranhas do sistema financeiro e hoje sou uma perita em commodities e derivativos por consequência de um sofrimento tão profundo, humanamente inexplicável, devido à minha origem palestina. Hoje compreendo melhor o que move as guerras e os conflitos étnicos-regiliosos. Não passam de argumentos indevidamente apropriados com o objetivo de manipular o povo para fomentar as guerras. A Amazônia não está fora deste risco; muito pelo contrário!
Por este motivo, muitos reconhecem que esta região é um assunto de segurança nacional, ou mesmo, internacional.
Discorremos sobre este tema recentemente na Cúpula do Cairo, realizada no Egito entre 10 e 12 de Julho deste ano, onde registramos um pronunciamento para a Federação das Entidades Árabes Americanas e Liga dos Estados Árabes. Neste trabalho analisamos riscos e oportunidades de investimentos do mundo árabe na América Latina.
Inêz Oludé: Os métodos que utilisam para isso provocam ataques econômicos, políticos e ideológicos, tentam a arma do ocidente contra os países ditos pobres, a corrupção ?
Amyra El Khalili :
Dominação intelectual, a manutenção da ignorância tecnológica, a propagação do total desconhecimento sobre o potencial de desenvolvimento regional , impedimentos das ações de movimentos sociais e ambientais que tentam educar a população para uma economia sócio ambiental. Sem a informação é muito mais fácil controlar, impedir que as pessoas defendam seus territórios; subjulgar um povo desesperado por não conseguir alternativas de vida digna que consequentemente vai inchar as grandes cidades ou ser imigrante ilegal na Europa ou nos EUA. Agora pergunte aos Europeus e Americanos quanto custa para o estado e a sociedade a imigração ilegal e quais são seus impactos?
Inêz Oludé: Normalmente ao longo da história vemos que a invasão de um país só é possível porque certos grupos são corrompidos pelos invasores. No Brasil que grupos seriam favoráveis à guerra da contra-Informaçãos da doutrina americana ?
Amyra El Khalili :
É difícil nominar, mas podemos dizer acertivamente que todos aqueles que são coniventes com o “ establishment”, ou seja, o conceito de que as coisas são assim por que são e ponto. Então não se pode mudar e assim temos que ficar. As oligarquias não aceitam a mudança, as transformações, o debate aberto, a transparência nas informações, a democratização da educação, do estudo, do conhecimento. E esses grupos se manifestam de diferentes formas. Não é fácil combatê-los , mas também temos que ser resistentes e continuar a missão neste combate. Um combate onde a arma é nosso computador, nossa capacidade de enviar a contra-informação e disseminar outras versões dos fatos. É por isso que sentindo essa necessidade e, não nos rendendo a essa pressão, estamos há uma década construindo redes de comunicação via internet e conectados em qualquer ponto do mundo, para o mundo.
Inêz Oludé: São as riquezas da região maiores do que as preocupações ecológicas que levam os países desenvolvidos a contestar a soberania brasileira sobre a Amazônia ?
Amyra El Khalili :
Não tenho dúvida, porém existe também uma incompetência administrativa do estado, e isso temos que admitir. São as lacunas que deixamos vulneráveis diante da soberania amazônica. A Amazônia também não representa apenas o Brasil; envolve outros países e outras etnias que precisam participar das decisões sobre seus destinos conjuntamente com nosso país.
Na realidade a sociedade em geral abandonou a Amazônia. O povo, suas crenças e seus valores ficaram à margem do Brasil desenvolvimentista que apostou na industrialização. Então, temos uma cidade como Manaus com um pólo industrial invejável, mas com sua vizinhança empobrecida. Suas cidades fantasmas e um povo sofrido, esquecido sem amparo.
Temos uma luta pelo Movimento Mulheres pela P@Z ! defendendo as mulheres amazônidas, mulheres que são, na minha concepção como economista, as guardiãs das florestas e merecem ser empoderadas como empreendedoras, pois estas mulheres ficam com os filhos e, muitas vezes sozinhas os sustentam. É muito comum os homens terem muitos filhos e trocarem de mulheres por questões de cultura nestas regiões do país.
Inêz Oludé: E o pretexto de que eles precisam cuidar das florestas e do ar que respiram?
Amyra El Khalili :
É como você mesmo formulou a questão: trata-se de pretexto, já que assim podem emitir papéis no sistema financeiro denominados “créditos de carbono”, com garantias reais que são as áreas produtivas da amazônia ou bancos de germoplasmas, riquezas subterrâneas, florestas com madeiras nobres, águas límpidas e cristalinas e paraísos turísticos inexplorados, minérios finitos.
Daí tenho sido crítica com a forma de implantar o tão propalado “mercado de carbono”, porque pode ser uma grande operação imobiliária internacional, legitimando a tomada da amazônia com aval governamental.
Uma faca de dois gumes. Se de um lado a região necessita de investimentos, de outro lado, os parceiros do primeiro mundo não têm nenhuma percepção romântica nem costumam dar presentes e gentilezas sem apresentar, posteriormente, uma continha de amigos. Nas bolsas há uma regra básica para todo broker (corretor): acredite, não existe almoço grátis!
Inêz Oludé: Fala-se muito da atuação dos americanos e esquecem que os europeus exportam toneladas de madeira para fazer móveis de jardim. Madeira para combustão sem falar no desperdício de papel…Os americanos e europeus querem o bem da Amazônia ou querem nossos bens ?
Amyra El Khalili :
Os europeus também têm hábitos de consumo exagerados, padrões de vida caro, e não é porque o conceito de desenvolvimento sustentável nasceu na Europa, que signifique que a Europa está consciente do que seja responsabilidade social empresarial, sustentabilidade e comércio justo. Ainda há que se fazer muita discussão e demonstrar o que é a realidade de uma América Latina com seu meio ambiente e cultura. A Europa trata mal o Latino Americano, recebe muito mal o imigrante por medo de perder seus postos de trabalho na concorrência da pressão econômica dos países em desenvolvimento e subdesenvolvidos.
Se de um lado a Europa tem demonstrado mais sensibilidade com essas questões ambientais, de outro lado, ainda está presa ao modelo econômico ortodoxo, onde a América Latina é quintal e, a sede da Comunidade da União Europeia (Bruxelas) determina a cartilha para financiar fundos comunitários. Há uma enorme dependência dos fundos da Comunidade da União Européia, dos subsídios e das caridades de Bruxelas. Uma Europa independente ainda está por nascer.
Inêz Oludé: De onde surgiu este embuste que os europeus ou americanos estão preocupados em preservar alguma coisa no mundo? Eles não desmataram a Europa toda, outros continentes, não são responsáveis pela maior parte da poluição ? Pelo desaparecimento de milhares de espécies da natureza ? Da extinção de milhares de povos, sobretudo os povos da Amazônia? Não fôram os portugueses que começaram e exportar madeira para a Europa durante séculos?
Amyra El Khalili :
Eu vejo a colonização portuguesa como a menos pior. Estive à trabalho por duas vezes neste ano na Ilha da Madeira e tenho um carinho especial pelo povo Madeirense por sentir que as afinidades culturais e apego ao Brasil são enormes, e bem diferentes de Portugal. Agora existem coisas que são características da história e isso nos aproxima das Ilhas, da vida de Ilhas, como é o caso da Ilha da Madeira que também foi colonizada por ingleses e teve uma revolução difícil até expulsá-los da região. A Região Autônoma da Madeitra conquistou sua independência e tem uma estabilidade política, ainda que a oposição critique o governo por ter um presidente à 30 anos no poder. O que quero dizer com isso é que, para se ter um plano de governo e uma política ambiental, com agricultura sustentável, a estabilidade politica é fundamental. Ora, por mais que os economistas queiram e tenham um projeto econômico, o assunto passa pelo interesse político; então, se não for uma decisão política, o projeto econômico não implaca.
Vejo a Ilha da Madeira como um ponto importante na Europa para preservar a Amazônia. A experiência de agricultura biológica da Madeira, a gestão ambiental e a fusão de uma pasta onde está a agricultura juntamente com o meio ambiente é inovadora e vanguardista. Além de constituírem juntamente com outras regiões da Macaronésia um Banco de Germoplasma, denominado Germo Banco. Um exemplo a seguir para toda nossa riqueza amazonense, e de outros biomas brasileiros.
Portanto se o plano econômico da Madeira, o modelo , não for mutável, a ilha morre. Então, essa questão necessária por sobreviver numa Europa, no meio do Oceano Atlântico os coloca numa posição estratégica perante os outros países do bloco da Comunidade da União Européia. E assim também será com as Ilhas Canárias, Açores e Cabo Verde, região conhecida como bioma da Macaronésia. Se as Ilhas não se moverem, afundam. E com a vontade que eles têm de se moverem, não tenho dúvidas que teremos a partir deste bioma, uma Europa menos provinciana e mais consciente de fato.
Inêz Oludé: O que o povo brasileiro tem que fazer para preservar a Amazônia ?
Amyra El Khalili :
Querem entender primeiro o que é a Amazônia.
Os brasileiros conhecem a Amazônia pelos apelos internacionais e não por realmente saber o que ela é, o que tem e quem está lá!
É mais fácil falarmos da Amazônia numa entrevista, nos cardernos europeus e os brasileiros ouvirem, porque está na Europa - e tudo que vem da colônia é chique, do que nós que ralamos todos os dias aqui, com nossas redes de comunicação, chamar-lhes a atenção. E depois as pessoas esperam o dinheiro. Querem fazer coisas, se houver dinheiro. Se não houver dinheiro, alegam: - ah!! é inviável economicamente. O que é uma tremenda miopia, pois, os de fora enxergam muita grana na Amazônia. Como diz a regra no mercado de bolsa: não existe almoço grátis!
Inêz Oludé: Você soube da campanha dos anos 90 que surgiu nos EUA: « Preserve a Amazônia, mate um brasileiro ? Preservar é, nesse caso, um ato civilizatório ou exterminatório ?
Amyra El Khalili :
Isso foi provocação, incitação ao ódio e xenofobia; tanto é que não avançou. Durante muito tempo essa campanha circulou em nossas redes e procuramos não dar espaço para disseminá-la. São boatos que mandam na net para travar nossa ação e nos responsabilizar também pelo desmatamento das transnacionais e multinacionais. Esses sim, matam a Amazônia todos os dias e não têm identidade, nacionalidade, compromisso com o meio ambiente, nem com o Brasil.
Nós aqui não damos munição para o inimigo, pois se quiser preservar a Amazônia, deixe seu povo vivo. Os maiores guardiões das florestas são suas populações e suas comunidades, que estão largadas à margem da sociedade por omissão de nossos governantes e exclusão social de nossas elites.
O povo da Amazônia ainda responderá ao mundo a sua competência de cuidar do que é nosso, se lhes permitirem ao menos beber sua própria água!
Email: ( ongcta@terra.com.br )
Ver depoimento: http://www.biedesenvolvimento.org/amyra_bece.htm
Contato:
Inêz Oludé
Revista Brazil na Europa
revistabrazilnaeuropa@yahoo.com.br
Magazine/ Revista Brazil na Europa
http://brazilnaeuropa.org
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Artista plástica pernambuca lança a Revista Brazil na Europa na Bélgica
Foi lançada recentemente na Bélgica uma revista de cultura brasileira, para aqueles que amam e se interessam pelo Brasil para recriar as raizes da sua cultura e conhecê-la melhor,un ponto de encontro no centro da Europa
Sem fins lucrativos,em francês/português, a Revista Brazil na Europa, voltada para a área da Cultura como base para o desenvolvimento dos recursos humanos tem como públicos-alvos a comunidade brasileira na Europa,os luso-afros e lusofonos ,belgas e outros europeus que se interessam pelo Brasil, assim como as instituições e os produtores culturais.
Com vista à defender a implementação de Politicas Culturais para os Brasileiros residentes no Exterior esta revista faz parte de um projeto mais vasto enviado ao Srs Presidente Luis Inacio da Silva e Ministro da Cultura Gilberto Gil. Até agora não houve nenhum tipo de incentivo por parte do Ministério.
A fundadora da revista, Inêz Oludé da Silva,pernambucana,artista plástica,poetisa,professora de português na casa da América Latina,embaixadora voluntaria,que atua na aréa da cultura hà 30 anos, na Bélgica e em outros paises,se propõe à manter viva a cultura brasileira no seio da comunidade residente no exterior,para isso a revista projeta a difusão dos diferentes aspectos de vida brasileira social e econômica, mostrando todas as formas de manifestação da nossa cultura, tais como, música, dança, artes visuais, cinema, teatro e literatura escrita e oral,diversidade etnica, turismo, gastronomia bem como artigos com opiniões de jornalistas, produtores, críticos, etc.
E necessario informar o publico europeu sobre a realidade cultural brasileira, melhorando a imagem do Brasil e do brasileiro,contribuindo assim para a auto estima, bem como a melhoria das relações entre as comunidades,ajudando para a integração dos brasileiros e diminuindo os índices discriminatórios a exemplo dos ocorridos com outras comunidades migrantes (marroquinos,turcos,italianos).
Queremos também sensibilizar o público brasileiro em relação ao reconhecimento da nossa produção cultural no estrangeiro.Realizar eventos e divulgar os artistas, as associações e as empresas brasileiras implantadas na Europa arremata Inêz".
para saber mais
http://brazilnaeuropa.org
revistabrazilnaeuropa@yahoo.com.br
Magazine/ Revista Brazil na Europa
http://brazilnaeuropa.org
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----- Original Message -----
From: Petroamerica Alternativa
To: josemilbs@gmail.com ; josemilbs@hotmail.com
Cc: Amyra El Khalili
Sent: Monday, February 05, 2007 11:23 PM
Subject: AMAZÔNIA INVADIDA ! - Texto de Armando Barreto - Macaé Jornal - 3 de fevereiro de 2007
Colega José Milbs,
O pessoal de www.macaejornal.com.br esqueceram de postar a matéria de Armando Barreto no site deles!
Vamos postar a matéria dentro do setor:"Digital Photo Array"...... junto com uma illustração digital que criei com uma folha seca, uma lâmpada &o meu hp scanjet 3570c para: www.jornalorebate.com
Favor abrir a matéria com a imagem digital 'PhotoGram' e comesta legenda:
"A Floresta Está Em Chamas!"
E logo em seguida vem a matéria de Armando Barreto, coma manchete: "Amazônia Invadida !"
Favor enviar esse e-mail para o webdesignerRosemere.
A imagem "A Floresta Está Em Chamas":
http://a546.ac-images.myspacecdn.com/images01/19/l_58e850c47d3e40790118badf4c328d39.jpg
TEXTO de Armando Barreto
PhotoGram by Armando Rozário
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