Fundado em 16 de abril de 1932
Macaé, ano II, Nº 60 - 23 a 30 de março de 2007
 
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Não se esqueça nunca da linguagem dos ventos, dos pássaros e das estrelas.

Nem me lembrei de pedir ao taxista ( aqueles táxis pretos, fúnebres,quadrados, só em Londres.) para dar uma paradinha em frente ao Palácio de Buckingham , acredito que o carro estava no piloto automático e rumou para lá, tomando um caminho que passava pelo Royal Albert Hall , ( a grandiosa casa de espetáculos para música e concertos. ) Algumas garotas paradas em frente as grades do Palácio de Buckingham ficavam pulando para ver se os guardas se mexiam ou mesmo pestanejavam, aqueles guardinhas imóveis com aqueles chapéus pretos e imensos. Gostei mesmo foi quando um homem fantasiado de Batman burlou a segurança e subiu até o quarto da Rainha pregando-lhe um susto. Londres é Dark, mais interessante que bonita, não existem tantos prédios altos, fizeram um só de escritórios que parece um míssil ou uma bala de canhão, contrastando com bairros inteiros de casinhas com quintais como em Marylebone .

Aquele país medieval, onde o Rei Arthur reinou em sua Camelot, já não existe, é primeiríssimo mundo – em decadência - e eles ainda comem salsichas com feijões num molho vermelho aguado no café da manhã. Acompanhado de ameixas para fazer o intestino funcionar. Argh! Li que os rapazes acabam preferindo outros rapazes porque as mulheres não se perfumam nem têm o hábito de se depilar, algumas deixam crescer o buço. Mas quanto a higiene, sabe-se que lá é proibido por lei construir mais banheiros nos prédios, ainda mais se forem prédios antigos, patrimônios históricos, colocar chuveiros e banheiras? Jamais. Londres como em quase toda a Europa você raramente vê um bidê. Passar alguns dias nas terras da rainha é preciso ter cacife e não ligar se o hotel só tem uma pia no quarto ou se terá de dividir o banheiro.

Londres conseguiu se fechar em mistérios. Basta imaginar que há não muito tempo até as crianças de 5 anos iam trabalhar nas fábricas para sentir que souberam dar um grande salto através de um passado de dores, de pessoas mesquinhas que Charles Dickens retratou. Ali e aqui um coração bom torturado e reprimido, com a boquinha fechada e os olhos sempre grandes. Teriam merecido sumir na fumaça da guerra? A Londres de Oscar Wilde, de George Orwell , da Abadia de Westminster, as casas do parlamento e o Big Ben.

Um amigo meu me escreve: Não há lugar para sonhos naquela cidade. Os palácios, hoje, tem requintes de hotéis cinco estrelas, até Windsor, que conheço bem. O Parlamento já pensa em abolir os milenares trajes dos Lords e Prince William apoia esta idéia. Nem mais em Paris se pode sonhar com os tempos de la Dietrich em sua varanda. Os turistas e suas compras à prestação tomaram conta de tudo, ficam, hoje, até nas suítes do Ritz e viajam nos Queens como qualquer um de nós. Ainda me lembro quando meu avô, junto com Jânio Quadros, em Londres, ensinaram-me a dar o laço em uma gravata borboleta e usar um chapeu Gelot para visitar o Duque de Westminster. Hoje isto tudo desapareceu. O Jânio Neto também conheceu Londres nas costas do avô, e eles nos levaram a conhecer a famosa mansão de Onassis e la Dietrich em pessoa. Outros tempos em que se podia comprar sossegadamente boa prataria e raros livros em Nothing Hill sem turistas que nada entendem para atrapalhar. Bons tempos que deixaram saudades .O bucolismo do interior da Inglaterra e Escócia, é algo interessante, mas já tornou-se algo totalmente comercial, como os palácios e castelos da França. Pode-se hospedar-se e dormir em um quarto que foi de Henrique IV por um punhado de Euros, algo impensável anos atrás. O falecido pai de Nicky deixou-lhe uma bela casa em Kensington, ( eu sabia sobre o frio que ele estava falando, eu mesmo senti que ia congelar de um momento para o outro, iria virar uma estátua de gelo se não saísse daquele parque, enquanto mais vento soprava ) mas detestável, fria demais no inverno, e precisada de uma reforma .
A realeza Britânica, os lords do parlamento, hoje muitos moram "amontoados" em palácios às custas da Rainha, porque perderam tudo com o tempo, ociosidade e sua mania de serem perdulários. Quando vamos à Ascot ( as corridas de cavalo ) não é incomum ver um Marquês ou Barão pedir dinheiro emprestado para o champagne ou empenhar o cartão de crédito para pagá-lo.

É duro ver o mundo virar um cartão de crédito, os jardins, as fachadas de lojas estamparem os nomes Visa , Mastercard ! Fecho os olhos e volto para o quarto do hotel depois da visita ao Museu Britânico em Leicester Square, lembro que comprei uma réplica do OSCAR, uma estatueta douradinha para levar para casa e dar para meu pai. Amar não é crime, eu sussurro... crime é não ter em quem pensar ou em quem preencher seus sonhos. Olho para você dormindo na cama, me fazendo lembrar daquela música na voz de Julie Andrews Whistling away the dark , e eu te seguro pelas mãos e sinto seus dedos escorregarem macios, como se você fosse aquela criança perdida a caminho de casa no escuro como na música.

E é no escuro que seus olhos encontram os meus, verdes, azuis, castanhos. E você me leva para seu mundo. Ainda estamos usando do parapeito da janela como nossa geladeira, já que o hotel enorme, não tem nenhum frigobar e lá fora o vento cortante pode transformar qualquer coisa em picolé. Deixamos várias garrafas de vinho, champanhe, cachos de uvas, frutas, o escambau. Dentro do quarto olhando para a televisão e o telefone, ainda estamos em dúvida se vale a pena passar o ano novo ali trancados ou se vamos até a coluna de Nelson em trafalgar Square. Vemos como os britânicos se penduram pelos postes e tentam subir pela coluna e eu falo: Não vou para lá me misturar com aquela gente. Você queria ir, eu sei, queria se misturar a alegria londrina, se misturar à plebe rude, eu não. Não combinamos nada de especial e felizmente tinha comprado todos os tipos de carnes e patês, cerejas, que encontrara na Harrod´s, a preço de ouro, digo, libra. Escutamos a chuva a tamborilar na vidraça, riscando-a. O vento bate contra as vidraças a levantar as folhas que restam, parecendo duendes que sobem pelas janelas... penso no Brasil, lá no Brasil já é noite, telefono para casa, pego meus pais antes deles saírem . Minha mãe fala que vão passar o Ano novo na casa de Renatinho, com Marlene, Verônica. Olho para você que não tem ninguém para ligar... isso há dez anos... Hoje olho para a torre de Londres, para os guardinhas de sua majestade e para o ônibus de dois andares, miniaturas, troféus de viagem e sei que meus pais não estão mais aqui comigo e não haverá mais nenhum ano novo que passaremos juntos, só se for em espírito. Fico escutando aquela entonação de alegria de minha mãe, ao me ouvir de tão longe, como se quisesse estar ali presente, para dizer para não temer o mundo porque todos somos feitos da magia das coisas que existem no universo. Tanto as estrelas, os pássaros, as crianças e as serpentes, tudo que existe na natureza veio do mesmo lugar.

Londres é Charing Cross street ( Nunca te vi, sempre te amei, com Anne Bancroft e Anthony Hopkins ) , A ponte de Waterloo , terra dos amores desencontrados. Da janela vejo os guarda chuvas a encherem as ruas feito borrões coloridos em meio as gotas de chuva, seguro naquele coração que você me deu na lojinha de música, os lápis em forma de claves de partituras. Mas agora seus olhos estão fechados. Um dia talvez você acorde e não se lembre mais de mim, talvez esqueça a linguagem dos ventos, das estrelas e dos pássaros... Um dia você vai abrir a porta, vai me ver e não saberá que estivemos em Londres, ou daquele metrô em Paris, que era conhecido como o Bienvenue Montparnasse . E se não fosse o amor das pessoas que nos trouxeram significados, o que seria da vida? Muitos versos encantados rolaram pelas águas cinzentas do Tâmisa e lá dormem profundamente. Agora sei que morrer é deixar de sonhar. Lembro de uma passagem do livro de MARY POPPINS no original onde os dois corvos que visitavam o quarto das crianças sabiam que ia chegar o dia em que elas iriam crescer e deixariam de lembrar seus nomes, todas as manhãs os dois corvos voltavam e encontravam as crianças por lá, então, num belo dia, sem mais nem menos, as crianças acordaram grandinhas demais para se lembrarem dos seus nomes e já não se lembravam mais deles, nem entendiam o que eles estavam falando ou o que o vento dizia. – Ela já nos esqueceu! disse um dos corvos. – Aconteceu. Elas já esqueceram dos nossos nomes... e se puseram a chorar da janela.

Crescer é esquecer, é se tornar como as outras pessoas. É como dizer adeus.

Quando você vai embora Mary Poppins?-perguntaram as crianças.

Só vou embora quando o vento mudar de direção.

E no fim do livro, na versão marcante de Julie Andrews que fascinou a própria Pamela L. Travers (¨ “ela tinha o nariz certo, era a própria Mary Poppins .” ) fica a cena:

O guarda chuvas pergunta para Mary Poppins quando ela estava prestes a partir: – Não vai dizer adeus aquelas crianças? Eu sei como você gosta delas! – Mary Poppins engole as lágrimas e com seu fleugma britânico retruca perante aquele atrevimento – Ora, e o que seria de mim se eu me importasse com todas as crianças que conheço? ( O que todos nós sabemos ser uma grande mentira. ) E Mary/Julie Andrews lança seu guarda chuva aberto para os céus e sai voando sobre Londres.

Enquanto houver uma mulher sentada nuvem seja bem vindo a Cherry Tree lane, as casinhas de Hampstead e tente dizer:
SUPERCALLASHEKPALILADIOSFRAGILAGGAEXPEALLIDIOSHUS

Fala-se que em Londres se come mal, o taxista me deixou em um restaurante de comida italiana onde acabei saboreando uma das mais saborosas lasanhas que já comi na vida. A casa tinha uma sobremesa que vinha com várias velas acesas como se fosse um bolo de aniversário, cheias de fogos de artifício, um mix de mousse, de cake, com sorvete aqui e mil caldas diferentes, sem pinta de brownie. Era dia do meu desaniversário , como diria Alice no país das maravilhas diante ao chá servido pelo chapeleiro louco. E como o coelho branco, sempre atrasado, vivemos correndo atrás de coisas sem significado algum, e assim corre o mundo, repleto de coelhos brancos, atrasados, stressados, porque sempre é tarde demais... Quem não entendeu Lewis Carroll ? Quem não viajou com Jonathan Swift e seu Gulliver até a terra dos homenzinhos pequenos, os liliputinianos, com seus reis e juízes do tamanho do polegar?:

Como não encontrei casas mal assombradas ou Jack o estripador pelas ruas escuras, em meio ao fog, decidi visitar na noite seguinte o pub e casa fictícia de Sherlock Holmes ( fictícia? e os sonhos não foram feitos para serem reais? ) , na mesma Baker Street , uma casa de dois andares com cenas da casa de Sir Holmes e Watson, feitos de cera, ele com seu cachimbo, o seu laboratório, bibliotecas, jornais, assassinatos misteriosos estampados em manchetes. Referências a passagens de seus inúmeros casos mais famosos. Aquilo merecia ser brindado com champanhe, e brindei a imaginação que faz o mundo um lugar sempre mais interessante de se viver: Um brinde a Sir Arthur Conan Doyle!!!!

www.sherlockholmespub.com

( melhor visitarem o site e se encantarem com as fotos quando estiverem por lá.)

The Sherlock Holmes
10-
11 Northumberland Street , Westminster ,
WC2N 5DB
Tel: 020 7930 2644

Já que até hoje não consegui visitar as cidadezinhas inglesas, coleciono aqueles pratinhos desenhados com castelos e pradarias; imagine, uns pratinhos, cada um de um antiquário e época diferentes.

Andando por Itaipava, me deu na telha comprar um prato grande e pesadão que vi, porque tinha a ilustração de um castelo enorme e uma torre por entre arbustos, na frente vemos um lago e flores de macieiras nas bordas. Acontece que o prato tem uma marca que mais parece uma mancha de fumaça saindo da torre, como se algum incauto tivesse usado algo quente nele, ou colocado uma antiguidade daquelas num forno microondas. Meu amigo Flávio costuma dizer que aquela mancha é o fantasma da torre... É, pode até ser. Acabei espalhando a Inglaterra num cantinho lá de casa, que foi chamado de cantinho inglês... muitos deles mostram só carruagens. Será que alguma delas iriam para Bly? Alguém lembra de Bly? O condado onde se passava a história de A Volta do Parafuso ? The Turning of the Screw , por Henry James , levada ao cinema com Deborah Kerr?

Lembrem, o British Museum tem entrada gratuita e é um dos melhores do mundo. Não é imponente como o Louvre, ou fascinante como o D´orsay de Paris, montado dentro de uma velha gare de trem. Você pode ainda desfrutar da National Gallery , a Tate Gallery ... Hoje se fala no Soho, em Camdem Town. Fazer um passeio de barco imperdível nas águas do Tâmisa ou andar na maior roda gigante do mundo, a London Eye. Uma dica, vejam ou procurem o filme Um Anjo Para May , de 2002. Um dos filmes mais tocantes, sem a super produção de Razão e sensibilidade. Este filme foi gravado no Sul de Yorkshire: An Angel for May , conta a história de um garoto, Tom, que é transportado do presente para o tempo da Segunda Guerra Mundial. A máquina do túnel do tempo de Tom são as ruínas de uma lareira antiga de uma velha fazenda e seu guia nesta viagem no tempo é um cão pastor chamado Tess. No passado ele irá se encontrar com uma jovem, de nome May que precisava muito dele.

Foi depois deste filme que passei a me lembrar que eu também fiz essa viagem, ou fazia, através de sonhos e neles eu me achava inserido em uma outa época, era outra pessoa, que parecia fugir dos barulhos das sirnes avisando da chegada de aviões. Alguém já ouviu falar de vidas passadas? Posso me ver caído de costas, morto, como quem estava se dirigindo para algum lugar e não teve tempo de alcançar, via as ruas desertas... Alguns dizem que temos memórias genéticas, outros que tem a cosnciência do que foram em vidas passadas. Já ouvi falar que eu tinha muita imaginação, mas sei que aos cinco anos é um pouco estranho se lembrar de estações de trem, de um líquido verde que tomava para fugir de uma angústia insuportável, ligada à época da guerra e dos aviões nazistas a bombardearem a cidade. E sempre fui ligado em desenhar castelinhos. Até hoje alguém me pede para eu fazer um castelo.

Andando pela Londres do presente deparei-me com o sinistro prédio da estação de Saint Pancras. Um prédio gótico da era Vitoriana, em formato de bolo, todo decorado, data de 1868.

Teria sido aquele o lugar onde estivera nos sonhos? teria aquele homem sido eu, seria por tal motivo que ele entrava em pânico só ao ouvir o ronco do motor dos aviões se aproximando, alguma parte daquela estação teria sido atingida? Um fato curioso, St. Pancras foi desenhado para ser o Midland Grand Hotel, mas entre sua construção, de 1868 e 1876 ele passou a ser o Midland Railway Company . Chegou a ser o mais opulento Hotel de Londres, e fechou as portas em 1935, por ser muito caro para ser renovado e mantido. Nesse curto espaço de tempo ele voltou a ser usado pela companhia ferroviária onde lá manteve seus escritórios e somente em 1960 o prédio foi salvo de ser demolido graças a sua importância como exemplo da alta Arquitetura Gótica Vitoriana. Ou seja, durante a II Guerra mundial ele estava operando...

A estação de St. Pancras. The hotel opened for business on the 5th of May 1873.

 

O Lounge do hotel station visto em Janeiro de 1912.

Photo of The lounge of the Midland Grand Hotel at St Pancras Station, London, 1912.

Photo of St Pancras Station Hotel, London, 1866-1870.

Quando criança, já adormecido, lembro de pesadelos onde o barulho daquele ronco de motor dos aviões ia crescendo à medida que ia parecendo que me esmagava como o tempo. De uma forma surrealista lembro de ver o tempo passar sobre mim, como se fosse uma grande fita métrica de datas que se arrastassem.

Hoje temos a Internet para fazer pesquisas. Quando comecei este artigo jamais esperava encontrar tais fotos de ST. Pancras, ou ter conhecimento de que fora um hotel. De fato, o que uma criança teria sonhado com tal lugar, era somente imaginação? Estranho foi que cheguei a me perguntar, o que teria acontecido aquele lugar? Ela teria sido atingida? Eis o que encontrei, isso me causou uma certa revelação:

Photo of St Pancras Station, London, August 1942.

St Pancras Station, London , August 1942.

Estava obtendo imagens do site:
http://www.scienceandsociety.co.uk/results.asp?image=10319369

A tela do computador estava neste site inglês, mas eu tinha que escolher a data para ver ST. PANCRAS funcionando como hotel ou como estação de trens. Pensei, a III Guerra acabou em 1945, portanto só poderia procurar por fotos de 1944 para trás. 1943? Que ano colocar? Diz que existe algo muito mais forte atrás do que julgamos ser mera intuição, sem pensar muito coloquei o ano de 1942 e cliquei no SEARCH, à procura de fotos de arquivos.

1941 ou 1942?

Já os arquivos da National railway Museum informam que o ano foi de 1941, aqui transcrevo:

Bomb damage at St Pancras station, May 1941

St Pancras station after the German air raid of 10th May 1941 . A 1000 lb bomb penetrated platforms 3 and 4, went through the vaults below and damaged the Metropolitan Railway underground line running underneath the station. The station was closed for a week for repairs. After the Second World War the roof was rebuilt and the glazing reconfigured.

Spacer imageIn Collection of: National Railway Museum


London, Midland and Scottish railway Station, 4-5 May 1941.
London, Midland and Scottish railway Station, 4-5 May 1941.

Fotos extraídas de multitext.ucc.ie

A pergunta fica no ar, você acredita em de vidas passadas? E se uma criança de 4 ou 5 anos chegar a lembrar de fatos ocorridos em outra cidade, num adulto que vivia aterrorizado com as sirenes de guerra que alertavam sobre bombas, terá ela imaginado tudo isto? O mais importante é sabermos que existem fatos que não podemos explicar, a vida não acaba aqui com a morte...

zatar@predialnet.com.br

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