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Macaé, ano II, Nº 60 - 23 a 30 de março de 2007
 
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Imbetiba...a alfândega sem passaporte.

Andando pela minha rua em linha reta ganho logo a avenida pavimentada que recebeu o nome em homenagem àquele que construiu o largo paredão de pedra - prefeito Elias Agostinho - obra que, segundo nosso historiador A.A. Parada, embelezou a praia de Imbetiba. Qual o macaense que nunca andou nas areias grossas e cheia de conchas marinhas peroladas,  de caramujos , as carapaças dos moluscos que colecionávamos ou serviam para fazer enfeites, que nunca brincou nas águas das ressacas que jorravam na avenida?

Parei. Encostei-me na primeira  árvore que encontrei e um filme começou a passar: os  banhos  na praia de águas altas (origem do nome:imbituba, imbetiba) , as brincadeiras que fazíamos na câmera de ar dos pneus onde sentávamos em grupos de 5 a 6 ou mais com as pernas presas na mesma e corpo solto balançando nas águas, a  parte de areia monazítica que sumiu juntamente com os tatuís e me senti como um: " procurando um sentido pra vida eles viajam em seu mundo sub-aquático".

O Sesc, o trampolim, o SENAI, as pessoas andando de bicicleta descendo a Avenida Agenor Caldas como um desfile em dia de festa. Aliás na Imbetiba todo dia era dia de festa. O peixe frito do Mocambo, os bombocados feitos em casa por  Dona Abgail Agostinho e  que Daniel vendia no seu famoso e esperado tabuleiro.     

Nos anos 80 ela era o point da cidade onde sentávamos  no paredão para tomar um sorvete Sorriso, tomar um chop no Redondo, a garotada na pista de skate e outros grupos jogando pelada na  parte onde a areia era mais batida e plana. E agora chegando a Semana Santa fico a lembrar de que há pouco  tempo ainda podíamos ter o paredão como cenário do Auto da Paixão: servia de palco montado encenando a vida de Cristo, do nascimento à morte. E também já foi palco de festa pagã: o antigo e velho carnaval com as marchinhas tradicionais.

Mas chega o progresso e com ele os dois lados: o positivo e o negativo. Que a ordem se estabeleça  para que o mesmo seja positivo.

Agora  surge um  projeto que pretende duplicar a  pista, a construção de banheiro, ciclovia e um deck de madeira para que moradores possam pescar. Além disso, a praça será toda urbanizada e o local vai ganhar o Museu do Petróleo. ????????????? Não sei o que vai acontecer. Será que pensaram que em breve a praia não mais terá sol por causa dos altos prédios que já o estão bloqueando? E teremos segurança para que tal mudança possa permanecer? E o espaço das caminhadas será preservado?

O filme pára. Sempre calada, calma e pensativa, e com o olhar fixado no imenso mar as imagens começam a voltar.As pessoas que fazem sua caminhada dia a dia e logo depois um mergulho e voltam para casa com o pão fresco pego na primeira fornada da padaria São Jorge, a corredora Aparecida que todo dia se exercita na areia que já fez parte do cartão postal da cidade. Então fico triste revendo planos, conceitos e renovando os desejos , m as parece que isso não me preenche completamente, imaginei logo a razão desta tristeza e preocupação: por mais que olhe, não encontro nenhuma resposta diante do meu artigo-apelo-alerta, não tenho vergonha de expressar o que amo.Apenas tiro as sandálias, caminho na areia, e para não surtar sento-me no degrau de uma das escadas e me dou conta ser tão pequena diante de um passado-presente que talvez nunca volte a encontrar.

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