
LARANJAS E LIMÕES... dizem os sinos.
( Continuação da semana anterior )
¨ Laranjas e limões¨, dizem os sinos de St. Clement´s .
" Deve-me dez xilins" , dizem os sinos de St. Helen...
" Quando me pagarás", dizem os sinos de Old Bailey.
" Quando ficar rico', dizem os sinos de Shoreditch.
" E quando será isso?", dizem os sinos de Stepney,
" Não faço idéia," diz o grande sino de Bow... pareço escutar uma velha canção londrina infantil. Só os ingleses para fazerem os sinos de suas igrejas falarem , penso comigo...
 
A Harrod´s e a princesa Diana . Lady Di passou seus últimos dias em um quarto do Ritz em Paris, com o filho do milionário Mohamed Al Fayed. A morte dos dois até hoje não convence o milionário de ter sido um assassinato.
Bem cedo uma carruagem faz algum estardalhaço em meio ao trânsito e parou em frente a Harrod´s. Acompanhei toda a encenação. Do seu interior saíram homens vestidos com uniformes verdes para abrirem as portas com pompa e elegância.
Nosso hotel era o máximo, o Royal National. A chave do quarto vinha presa numa enorme barra metálica. O banheiro me pareceu ser chiquérrimo, estilo divisória de escritório. Quando consegui entrar no bathroom , despenquei sobre a porta e levei o rolo de papel higiênico junto. O barulho que fiz foi de um animal caindo de um penhasco. Vi que a porta não fechava, aliás, nem era uma porta, ela deslizava e ficava com um vão aberto.
Pelos corredores vários jovens sentados, como se ali fosse uma colônia hippie, muito divertido, vocês podem pensar. É o jeito despojado dos mochileiros brasileiros.


O coração de Londres é A catedral de St. Paul. Sob o domo, fica a galeria dos sussurros.
A Catedral de São Paulo, barroca, desenhada por Sir Christopher Wren em 1673 , imponente com suas colunas gregas não guardava mais a mulher dos pássaros que ficava sentada em suas escadarias. Desde criança ouvi falar sobre a fantástica galeria dos sussurros dentro daquela igreja. Você diz algo baixinho de um lado da parede e sua voz percorre as paredes até chegar do outro lado e quem estiver lá pode claramente te ouvir.
Passei por ruas e lojas, Oxford Street. Regent Street. Convent Garden , Bloomsbury ,... Quase andei naquele ônibus vermelho de dois andares...
Lá você se arrisca sem medo é nos pubs , você pode visitar uma infinidade deles. Na primeira vez entrei num pub , louco por uma coca ( Santa ingenuidade, Batman ) e umas batatas fritas. Meia hora depois a gente descobre que não é costume o garçom tomar a iniciativa e ir até você, não num pub, você tem que ir direto ao balcão e pedir pela cerveja, dizer que quer comer alguma coisa. Nenhum inglês invade a sua britânica privacidade! Descobre que a cerveja que bebem é quente e não gelada, sempre na temperatura ambiente, mas mesmo assim é deliciosa. Não estamos comparando os pubs ingleses com as cervejarias de Munique e da Áustria, onde se bebe um litro de cerveja numa caneca de vidro acompanhada de um bratwurst .
Fiquei em dúvida se queria ou não visitar mesmo Greenwich, não fui ao Kew Gardens ou a Hampstead, Stonehenge ou o castelo de Windsor.
O metrô lá se chama the tube , pelo tube se vai a toda parte. As escadas rolantes é que são assustadoras de altas, parece que em alguns metrôs, o Knight´s Bridge, descemos 4 a 5 andares debaixo da terra. Na Guerra aqueles lugares foram usados como abrigos anti-bombas, chamados de air raid shelters , durante os ataques alemães que devastaram grande parte da Londres antiga, com seus prédios vitorianos.
Hoje sei que bem perto de Londres está a cidade medieval de Canterbury, ou Brighton, os eternos white cliffs of Dover cantados na voz de Connie Francis. Nas cidadezinhas medievais de seus incontáveis shires ou condados, onde o tempo parece ter parado, os jardins estariam cobertos por flores de macieira, paredes e muros de pedra , aldeões com suas criações de ovelhas... Andando pelas margens do Tamisa, depois de ter visto a estátua de Peter Pan, no Kensigton Park parecia escutar Kate Bush a cantar:
Oh! england, my lionheart,
Im in your garden, fading fast in your arms.
The soldiers soften, the war is over.
The air raid shelters are blooming clover.
Flapping umbrellas fill the lanes
My london bridge in rain again.
Oh! england, my lionheart!
Peter pan steals the kids in kensington Park.
You read me shakespeare on the rolling thames --
That old river poet that never, ever ends.
Our thumping hearts hold the ravens in,
And keep the tower from tumbling.
Oh! england, my lionheart!
Dropped from my black spitfire to my funeral barge.
Give me one kiss in apple-blossom.
Give me one wish, and Id be wassailing
In the orchard, my english rose,
Or with my shepherd, wholl bring me home.
As jóias da Coroa estariam bem guardadadas pelos beefeaters , ou guardiões da torre . A Torre de Londres foi iniciada em 1078 por Guilherme o conquistador . Todo o ambiente é repleto de história e influenciado pela sua própria estrutura . Foi numa dessas torres onde ocorreu os assassinatos dos principes filhos de Eduardo VI . Deram o nome da torre de Torre Sangrenta pela história que atormenta suas paredes.


Até meados do século XVII servia de residência, hoje, possui o papel de abrigar os monarcas que serão coroados .
Igualmente curiosa é a colônia de corvos que habita a Torre e é protegida por decreto real. Segundo a lenda, o império ruirá no dia em que as aves pretas deixarem o lugar. Após o grande incêndio de 1666 ( que destruiu quase que inteiramente a cidade ) e antes dos grandes bombardeios que fizeram desaparecer quarteirões inteiros ( daí o termo Blockbuster, ou arrasa-quarteirão ) é praticamente outra, moderna, irreconhecível.

As inglesinhas que vi nas lojas eram todas delicadas, com aqueles possantes olhos azuis, cabelos louros na maioria, todas meiguíssimas com a cara da Kate Winslet. E não se engane, a maioria que te vende porcelanas ou chás numa loja é uma estudante e anda com anéis e pulseiras de ouro, muito comum isso num país em que as pessoas não precisam esconder as jóias em casa. Mas o que mais te surpreende na Inglaterra são a quantidade de jardins e parques. Uma pessoa explicou uma vez que se você morar numa cidade onde se tenha coisas bonitas, as pessoas também bonitas por dentro... conte isso ao Darwin enterrado na Abadia de Westminster.
Paramos numa manhã gelada quase no final da caminhada até o serpentine, quase congelei a 5 graus Celsius negativo. Encontramos uma casinha aquecida que servia lanches. Sentamos numa das mesas para tomar um chá, uma bebida quente e o chá era pretexto para se comer alguma coisa. Do lado de fora, naquele frio, famílias inteiras jogavam milhos para os patos enormes de gordos no lago do parque. Você tem o Hyde park, o St. James park, que vai terminar no Palácio de Buckingham, o Kensigton Park... e Londres também é cheio de teatros, os maiores atores saíram ( ou nuca saíram ) de lá. Basta dizer que os maiores musicais da atualidade saíram das composições de Andrew Lloyed Webber: O fantasma da ópera, Evita, Cats, Starlight Express ... Londres não é Londres sem uma visita ao museu da Madame Tussaud. O museu de cera tem até trenzinho para você andar, mas não deixa de ser uma versão do Museu Grévin de Paris. E qualquer atração acaba em uma lojinha.
Londres não é tão romântica, é meio dark para mim que não sou um dos súditos da rainha, mas estava toda enfeitada para o natal, não como Paris com suas galerias Lafayette e suas iluminações gigantescas. Comer simples pãezinhos na Gourmet Lafayette, no Natal, faz você descobrir que dentro dos pãezinhos vem uma miniatura em porcelana de uma casa como presente.
Na primeira noite que cheguei, queria sair e ver logo o Big Ben. Afinal, não é todo dia que se está em Londres.A opção foi pegar um táxi e fazê-lo rodar pela cidade, tarde da noite, na maior escuridão. Mas nada pagou aquela emoção de para na torre de Londres e ver aquele relógio gigantesco como um farol iluminando à noite. De repente, estava eu ali, encostado na ponte e começava a chover. O taxista gentil fez questão de tirar um guarda-chuvas, para que eu pudesse continuar a contemplar a torre do big ben melhor.


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