Fundado em 16 de abril de 1932
Macaé, ano II, Nº 59 - 16 a 23 de março de 2007
 
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O chefe

O chefe tem todos os defeitos do mundo. Pode reparar. Nos bastidores ele é mal falado, criticado a cada passo dado. Às vezes, os comentários são pesados e com requintes de crueldade. A hora do almoço é o tempo destinado a isso. Ao invés de conversar sobre carro, moda, futebol, o chefe sempre é o assunto. É o desabafo do descontentamento com alguma coisa. Sabe-se lá o quê.

- Ah, ele é assim; só me pede coisa impossível; briga com todos mesmo sem ter razão, e blá blá blá...

Mas... quando frente a frente.

O crítico ferrenho vira puxa-saco dos bons, bajulador-mor. Parece que a imagem do chefe faz os pensamentos se transformarem num toque de magia. Os apelidos dão lugar ao nome no diminutivo. A cara emburrada ganha aquele sorriso de orelha a orelha. A voz pesada fica bem calminha quando acontece aquele encontro na porta do banheiro. O 'bom dia' é sempre respondido com "alegria" - e, geralmente, os que mais falam mal são os primeiros a responder em alto e bom tom.

Quando alguém chega com uma caixa de bombons logo já vai oferecendo ao chefe. Isso é o mais normal. "Acabei de comprar! O senhor aceita?". Sim, ele aceita. "O senhor não quer mais um? Esse é o mais gostoso!". A cordialidade é tamanha que a perfeição parece tocante. Se alguém sai do escritório, grita para todos: "Alguém quer alguma coisa lá da cozinha?". Ninguém responde. Então, a pergunta é feita novamente. Somente para o chefe. Ele olha e só balança a cabeça. Também não quer nada.

E quando o assunto é futebol, então? Meu Deus, conheço pessoas que já trocaram de time só para agradar o chefinho. Pasme. É verdade. Já vi um palmeirense vibrar com um gol do Corinthians só para abraçar o chefe na hora da comemoração. Eu juro. A tradicional pelada, depois do expediente, é o mais cômico. Primeiro: todos querem cair no time dele. Segundo: a bola tem que ser passada para o chefe, mesmo que o bajulador-mor esteja prestes a marcar um gol.

Piada de chefe é sempre engraçada. Pode ser a mais esdrúxula, todos caem na gargalhada. E ainda tem aquele que quase chora de dar risada (mesmo que forçada!). Aí, no fundo da sala, ouve-se aquele comentário infeliz, que fere em cheio o bom senso. "Nossa, essa foi muito boa!".

Bom mesmo é quando chega o fim do expediente. As palavras... as mesmas de sempre.

- Até amanhã e uma boa noite - diz o puxa-saco.

E quando as cortinas se fecham...

- Ah, ele é assim; só me pede coisa impossível; briga com todos mesmo sem ter razão, e blá blá blá...

 


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