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Macaé, ano II, Nº 59 - 16 a 23 de março de 2007
 
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Alimentos orgânicos: porquê são melhores?

O cultivo de alimentos orgânicos - uma das vertentes da agricultura alternativa - implica a não utilização de agrotóxicos e fertilizantes químicos. Há outras grandes diferenças entre esse tipo de agricultura e a convencional, que utiliza inseticidas contra pragas e herbicidas químicos para controlar ervas daninhas. Já os produtores orgânicos servem-se de fertilizantes naturais, como o adubo orgânico, e fazem cobertura de palha sobre os canteiros, evitando que a luz solar chegue até as ervas invasoras e impedindo o seu desenvolvimento excessivo.

Muito já se falou sobre os males das substâncias químicas na agricultura, que, do solo, migram para rios e mares, podendo ocasionar sérios prejuízos tanto para os ecossistemas como para o homem. Em pesquisa divulgada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o uso de agrotóxicos e fertilizantes é apontado como a segunda causa de contaminação da água no país. Algumas doenças, como alergias e câncer, são atribuídas aos resíduos de agrotóxicos nos alimentos. Não é à toa, portanto, que o consumo de orgânicos venha aumentando 30% a cada ano, segundo estimativa do Instituto Biodinâmico, uma das instituições que certifica esses alimentos no Brasil. O consumo de produtos orgânicos torna-se uma alternativa para o consumidor atento com a qualidade da sua alimentação e com a questão da preservação do meio ambiente.

Hoje, o consumidor pode optar por comprar legumes, verduras e frutas sem pesticidas, embora para isso tenha de gastar um pouco mais nos supermercados.

Filipe Feliz Mesquita, diretor comercial da Horta&Arte - Associação dos Produtores Orgânicos -, esclarece que o alimento orgânico do pequeno produtor também é produzido com tecnologia. "A agricultura familiar de nossos produtores possui uma estrutura de tecnologia de ponta para que os alimentos sejam minimamente processados e higienizados" (aqueles que são encontrados prontos para o consumo), garante.

Fundada há dez anos, a Horta&Arte reúne 135 pequenos agricultores familiares do cinturão verde de São Paulo, abrangendo cidades como São Roque, Cotia, Ibiúna e Piedade, que cultivam basicamente hortaliças e frutas. "Temos agrônomos que planejam a produção, desenvolvem tecnologia e pesquisa e dão assistência técnica aos produtores. Tecnologia e aplicação do conhecimento garantem a qualidade do produto", ressalta Filipe

Rastreamento

Lembrando que o rastreamento é fator primordial para a garantia de segurança do produto, Filipe explica como é feita a identificação de um alimento orgânico: depois que a matéria-prima passa pelo controle de qualidade, vai para caixas nas quais deve constar o nome e o código do produtor, além da data de entrada. O passo seguinte é a organização em plásticos e o armazenamento a uma temperatura entre 6ºC e 8ºC; no processamento a matéria-prima é identificada novamente; o número do produtor consta ainda da embalagem. A identificação acompanha, portanto, a matéria-prima desde a colheita no campo até a prateleira do supermercado, permitindo o rastreamento do produto.

Uma etapa importante é o processo de limpeza e higienização. A lavagem é feita mecanicamente por turbilhonamento, e na higienização é utilizado o ozônio (O3), em vez de cloro. "Além disso, todos os nossos materiais de trabalho são lavados e higienizados com água ozonizada, não entram em contato com nenhum produto químico que deixe resíduo, como o cloro, o que garante a qualidade orgânica. Outro cuidado nosso é com a água. Temos uma estação própria de tratamento de água, onde utilizamos somente ozônio. Fazemos o reuso da água após o processamento dos orgânicos", diz o diretor da associação. O reuso da água é um importante instrumento de preservação deste recurso natural já demasiadamente escasso.

O cultivo orgânico também é um trabalho de cunho social, pois fixa o homem no campo e diminui o êxodo rural.

Certificação

No Brasil, a regulamentação do produto orgânico surgiu em 1999, quando o Ministério da Agricultura publicou a instrução normativa no 007, de 17 de maio. Ela estabelece as normas de produção, processamento, distribuição, identificação e certificação da qualidade dos produtos orgânicos. A certificação é um processo de inspeção das propriedades agrícolas. O foco da inspeção não é o produto, mas a terra e o processo de produção. Uma vez credenciada, a propriedade pode gerar vários produtos certificados, que irão receber um selo de qualidade. Entidade aproxima consumidor O consumidor que conhece a origem do produto que compra pode ser considerado uma pessoa consciente, pois se preocupa com o alimento desde a produção até o momento da refeição. Conhecendo o produtor, o consumidor pode levar em conta também as técnicas de plantio, além de saber como é possível substituir os agrotóxicos e os adubos químicos. Esta é a opinião do engenheiro agrônomo e pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná, Moacir Roberto Darolt, a respeito da importância da aproximação entre o produtor e o consumidor. Segundo ele, essa aproximação ajuda a entender, por exemplo, por que um frango orgânico é mais caro do que um convencional. O produtor pode mostrar que no sistema orgânico a ave leva três vezes mais tempo para ser abatida, é criada solta, numa escala baixa de produção, sem antibióticos e produtos químicos na sua ração. Um frango convencional, que é abatido em 30 dias, em média, é criado em escala industrial sem observar regras de bem-estar do animal e, por isso, é mais barato.

No Paraná, um grupo de pessoas resolveu conhecer as pequenas propriedades de alimentos orgânicos, gerando intensa troca de informações entre o agricultor e o consumidor. Como resultado, nasceu a Associação de Consumidores de Produtos Orgânicos do Paraná (ACOPA), que tem como meta principal a busca de uma maior qualidade de vida por meio de uma alimentação saudável e do consumo responsável.

Fonte:Idec.


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