Fundado em 16 de abril de 1932
Macaé, ano II, Nº 58 - 8 a 15 de março de 2007
 
Acontecências
Artes Marciais
Astrologia
CECAC
Cinema
Cordel
Culinária
Cultura
Digital Photo Array
Direitos Humanos
Esculturas em Sabonete
Escultura Humana
Esportes
Idosos
Jornais do Mundo
Liga Operária
Lingua Franca Macaensi
Livros
Mel/Saúde
Moda
Movimento Hippie
O Rebate Internacional
Ortomolecular
Petrobrás/Petróleo
Piadas
Poesia
Reforma Agrária
Telefones úteis
Tortura Nunca Mais
Utilidade Pública
Zona Urbana

Apego físico dentro da paixão obsessiva:

É complicado tentar explicar sentimentos de qualquer natureza, pois variam de acordo com a idade, crenças, cultura e outras características dos envolvidos e cada caso é um caso; porém, tentarei elucidar o que vem a ser apego físico dentro da paixão obsessiva e quais são as suas conseqüências:

Lembrando que a paixão obsessiva é parte da paixão possessiva (da qual já falei em outras oportunidades), e as duas caminham em conjunto, sendo que a obsessão na paixão, por si só, já é uma excessiva necessidade física do objeto de desejo, demonstrando uma necessidade exagerada do contato físico. O obsessivo, geralmente, telefona várias vezes ao dia, às vezes, sem nada a dizer, apenas para certificar-se de que o objeto de paixão está mesmo onde disse que estaria ou para dizer que "ama" o objeto ou, enfim, para vigiar o outro. Dentro desta obsessão, surge o que chamo de apego físico que agrava a situação, na medida em que faz os envolvidos imaginarem ser impossível a existência longe do objeto de desejo. Sendo assim, uma viagem de um dos envolvidos torna-se impossível, alguns dias longe parece um martírio e até o trabalho pode ser prejudicado, já que alguns cargos não permitem telefonemas constantes.

Neste nível de paixão, é comum um dos envolvidos dizer-se "sufocado" pelo outro, (geralmente o "sufocador" é o que mais contata e demonstra a obsessão, mas os dois são obsessivos, só que em niveis diferentes). Assim, o sufocado pede um tempo ou entra em depressão ou passa por momentos de isolamento, enfim, qualquer atitude que quebra esta rotina obsessiva, porém esta atitude tem vários ângulos e pode servir como regressão ao estado obsessivo, pois o sufocado pode estar buscando, de fato, um pouco de liberdade, mas pode também estar querendo apenas testar a obediência e até a paixão do outro. Isto é inconsciente e, geralmente, nenhum dos envolvidos percebe mas, ao pedir um tempo ou se isolar de alguma forma, o sufocado pode estar testando se o outro vai "obedecer" e se afastar (isso caracteriza a relação submissa X possessiva) ou se o outro vai retrucar e insistir em ficar, ou seja, se o outro vai mesmo "provar" que ama (isso caracteriza relações desequilibradas, baseadas na necessidade de afirmação de sentimentos)

A partir daí, têm-se outras variações. Se, por exemplo, o "sufocador" resolve obedecer e afastar-se como o sufocado pede, parece ser uma boa solução ao sufocador, porém, corre-se o risco do sufocado arrepender-se do pedido e procurar o outro para reatar a relação. E isso pode ocorrer por vários motivos, até mesmo pela sensação de perda do objeto, transformando o sufocado em abandonado e fazendo com que este até se humilhe, não por amor ou qualquer sentimento, mas para não ter que encarar a solidão e a realidade de ter sido "abandonado". Afinal, inconscientemente, não esperava que o outro aceitasse o afastamento. Para não sentir-se incompetente por não saber "prender" o parceiro a si.

Ou pode ser que a possessividade e o egoísmo da pessoa a impeça de suportar a idéia de que o outro, "esse ser insignificante", possa existir sem ela e seguir outro rumo em sua vida. No subconsciente do possessivo, o outro ser é, de fato, insignificante, por mais que, conscientemente, não pense desta forma e aí entra-se em outro fator, a possessividade beira a obsessão, até mesmo por uma necessidade de diminuir o parceiro. Ainda que inconscientemente, a necessidade de vigiar-se ou outro instala-se no fato de vê-lo como alguém incapaz de seguir e tomar atitudes isoladamente. Este é um assunto complexo, poderei falar melhor sobre isto em um próximo artigo.

Ainda dentro da possessividade, pode-se encontrar a paixão narcisista, a pseudo-paixão e outras tantas que trazem suas características próprias e também interferem na realização dos seres humanos em suas relações amorosas. Estas modalidades de paixão já foram analisadas em artigos anteriores.

Para concluir este artigo, devo dizer que ninguém pode basear sua felicidade em uma relação seja em que nível for, cada pessoa tem de ter consciência de que existe sozinha, é um ser independente e pode procurar a realização amorosa ao somar suas qualidades e defeitos às qualidades e defeitos do parceiro e, assim, os dois podem seguir uma relação eterna, desde que tenham suas individualidades preservadas, enfrentem períodos de separação, se necessário, como um aprimoramento e fortalecimento da relação, estabelecida em confiança e respeito. Bem, não estou aqui para ditar regras de uma boa relação, quero apenas estabelecer a diferença entre uma relação equilibrada e uma desequilibrada pela possessividade/obsessão.

E um conselho prático: pessoas que se envolvem nesta relação possessiva X submissa, seja ela com ênfase na obsessão ou em qualquer outra característica, devem, em primeiro lugar, tomar consciência de que estão doentes. Por mais frio e duro que pareça o comentário, é a verdade, há a necessidade de se conscientizar de que estão doentes e os dois precisam de tratamento terapêutico. Não entrarei em detalhes, certamente, ao procurarem um terapeuta, este saberá esclarecer os envolvidos e aplicar-lhes os melhores métodos terapêuticos.

E, finalizando, sempre aconselho que o possessivo se afaste do submisso e isso inclui os obsessivos, ou seja, para um melhor e mais rápido resultado de cura, os dois devem afastar-se, ao menos durante o período de tratamento, não há necessidade de sairem com outras pessoas se não sentirem disposição para isso, porém devem afastar-se um do outro para se darem a chance de analisar a relação à distância. Isso acelera os resultados e, ao final do tratamento, se restar um bom sentimento, poderão reatar a relação, desta vez, bem mais equilibrada. Se nada restar e/ou não se puder reatar a relação, servirá como uma boa experiência e se saberá o que "não fazer" dentro de uma relação.

Meu livro "Acontece nas melhores famílias" (edição esgotada) discorre melhor sobre estes assuntos. No meu site oficial é também possível ler sobre este e assuntos correlatos.

Lou de Olivier - Psicopedagoga e Multiterapeuta
www.loudeolivier.com.br

Lou de Olivier - Psicopedagoga, Multiterapeuta, Dramaturga, Escritora
Site oficial: www.loudeolivier.com.br
Contatos com a Equipe: equipe@loudeolivier.com.br
Contatos com a Assessoria de Imprensa: press@loudeolivier.com.br

 

Outros artigos

Recomendamos o Mozilla Firefox. Clique aqui para baixar gratuitamente a versão 2.0
© Artimanha