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Macaé, ano II, Nº 58 - 8 a 15 de março de 2007
 
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Qualidade Total 3

Eduardo Mendonça

Para termos um programa de qualidade que seja pautado pela excelência é preciso antes de mais nada, tratarmos com pessoas educadas. E quando assim o falamos não estamos nos referindo a pessoas altamente ilustradas, detentoras de certificados de cursos, doutores nos mais diversos assuntos; não, mesmo porque sabemos que a industria que mais prolifera no Brasil, é a industria de “doutores”, que a cada ano despeja mais e mais profissionais no mercado sem a mínima condição de exercer as atividades para as quais deveriam estar preparados; não, nos referimos a elementos que aprendem no mínimo, o significado real da eficiência, e isso só será conseguido se lhes for ensinado desde a sua base: a família.

Então, isso nos leva a afirmação de que é necessário preparar as famílias para que possamos ter pessoas voltadas para a qualidade. Não é correto afirmar-se que quando o elemento chega ao seu trabalho ou à sua escola, ele desliga-se dos problemas que tem do lado de fora; o fato é que estará sempre ligado a eles e as suas conseqüências, fazendo com que sua atenção fique prejudicada e sua produtividade afetada.

O que fazer então? Acreditamos que um bom programa de integração empresa/família, escola /família e empresa/escola, seria o ideal. Mas como fazer isso? Não é difícil; se o estado tem interesse em educar mas não tem uma boa política educacional, porquê não convocar as empresas a adotar as escolas? Se às empresas também interessa ter no mercado de trabalho pessoas preparadas, não acredito que elas se negassem a fazer um plano de adoção; se é interessante a todos, estado/empresa, terem elementos voltados para o desenvolvimento, então porquê não patrocinarem o envolvimento das famílias nas empresas e nas escolas em congraçamentos que demonstrem interesse na união pelo bem dos projetos, do desenvolvimento com qualidade? Claro que sempre haverá custos, mas esses devem ser vistos como investimentos. Porquê não oferecer às famílias, palestras, filmes ilustrativos de cunho educacional e momentos de lazer? Essas pequenas técnicas são excelentes para criar ambientes sadios, o que irá levar sem dúvidas, a um maior interesse do funcionário pelos destinos da empresa. Além disso, toda empresa precisa ter sua finalidade social, e isso faz com que seja criado uma estrutura voltada para o atendimento ao seu pessoal, seja ajudando na resolução de problemas, seja na estruturação familiar.

O resultado será sempre fazer o homem vestir com satisfação a camisa da empresa e despertar no aluno o interesse pela escola. Somente com esses pequenos passos, já começa- riam a aparecer resultados espantosos, se criteriosamente adotados. Todo ser humano é carente de atenção, e se a empresa quer qualidade no trabalho de seu funcionário, ela precisa dar a esse funcionário, qualidade em sua vida, e não é apenas em bons salários.

2 - Porquê não eliminar em sua família ou em sua empresa o clima do protecionismo?

Protecionismo é altamente prejudicial em qualquer lugar e em qualquer situação. Nós só podemos distinguir as pessoas é pela eficiência demonstrada, pelo interesse em aprender sempre e transferir os conhecimentos aos demais. Esse negócio de promover alguém, mesmo dentro de casa, apenas porque temos mais simpatia ou porque nos “agrada mais”, é errado, tira o incentivo dos demais e quebra o sentido de equipe, além de prejudicar o protegido por um presumível mau desempenho. O prejuízo é sempre de toda a empresa ou de toda a família. Esse é um dosa primeiros conceitos da Qualidade Total: Manter sempre a unidade e o equilíbrio em toda a equipe. Lembre sempre que, todos temos virtudes e defeitos, logo o que deve ser feito, é reconhecer as virtudes e minimizar e eliminar os defeitos.

3 – Trabalhar com as pessoas certas nos lugares certos. Isso é bastante elementar.

Todos temos potenciais, e o correto é desafiar o homem sempre a fim de que ele possa se manter sempre atualizado e criativo, colocando constantemente o que ele tem de melhor e despertando sempre o seu interesse nos projetos. Mas não tente colocar um pedreiro para exercer a função de um médico ou vice versa; não vai dar certo. Todos dois são importantes porém, cada um no seu ramo de atividade no seu campo profissional. Nunca dê a ninguém uma função para a qual ele não esteja preparado. Use a coerência, se você pensa em fazer mudanças em sua equipe, reúna-a com antecedência e fale com todos, colocando seus argumentos com honestidade e competência; a surpresa nesses casos, quase sempre é prejudicial. É muito importante a manutenção das peças em seus devidos lugares. Procure promover o desenvolvimento das pessoas dentro dos setores em que atuam, sempre visando a atualização e a melhora intelectual de cada um pois isso irá promover a otimização do grupo e sua produtividade. Nunca procure fórmulas mágicas para a solução dos problemas, as soluções existem mas dentro de ambientes equilibrados e limpos.

Nunca se esqueça também, que tais ensinamentos são inerentes à empresa e também à família, uma vez que essa deve ser considerada também, como uma empresa; a administração de uma é a mesma da outra, respeitando-se lógico, as limitações e peculiaridades de cada uma. Procure então, manter “cada macaco em seu galho”, isto é as pessoas certas nos lugares certos e de preferência nos momentos certos.

4 – Controle da Qualidade: Na verdade o significado da palavra “controle” aqui, é o do envolvimento de todos na política de resultados. Muitos já devem ter ouvido falar dos

CCQs, que são os Círculos de Controle da Qualidade. Qual a finalidade dessa ferramenta?

Eles foram criados com a finalidade de envolver todos na procura de soluções para os problemas e com isso provocar a mudança de rumos visando o bem comum e fazendo com que os objetivos a serem alcançados sejam os mesmos para todos. Esses grupos de trabalho são normalmente compostos entre sete e nove elementos (não necessariamente) de um mesmo setor, e visa em primeiro lugar detectar os problemas existentes e suas causas, discuti-las e apresentar sugestões para que sejam encontradas as melhores soluções.

Para iniciar a discussão, é preciso antes priorizar-se os problemas.

A – Muita gravidade B – Média gravidade C – Baixa gravidade

Discute-se inicialmente os problemas de maior gravidade e dentro dessa discussão classifica-se o grau de urgência para a solução e a tendência do comprometimento do projeto com a permanência do problema. Gráficos serão criados a partir daí.

É interessante observarmos que muitas vezes são os de baixa gravidade que provocam os de muita gravidade; isso nos direciona para a solução dos pequenos problemas que são na realidade o que está provocando o mau funcionamento de toda máquina. Isso será facilmente detectado com a criação de um CCQ. O ser humano tem boa capacidade de visualização e poder de raciocínio se estiver educado para o fazer bem feito.

Não devemos enxergar os problemas como algo ruim, prejudicial; queiramos ou não, em algum momento eles irão aparecer, então devemos enxergá-los como desafios a nossa capacidade e criatividade, e é com o exercício de nossa vontade que encontraremos as melhores opções a fim de vencê-los.

Então é possível perceber que os CCQs são ferramentas importantes e inteligentes na procura das soluções que nos levarão ao ZERO DEFEITO.

MZD – Movimento Zero Defeito – Esse é mais uma ferramenta que nos leva a necessidade do envolvimento de todos na busca do sempre melhor.

Se está formada em todos a consciência para a qualidade total, então é hora de colocarmos em prática a necessidade de fazer o bom, bonito e barato. A procura agora, será pelo zero defeito. Mas não podemos nos prender apenas ao produto do nosso trabalho; é preciso atentarmos para nossas ações, nossos procedimentos em nossas vidas extra-trabalho, de maneira a não criarmos problemas, uma vez que isso fatalmente, irá influir em nosso desempenho. Mas como devemos fazer isso?

Cumprindo os planejamentos e executando as mudanças que se mostrarem necessárias, sempre no sentido do aprimoramento dos projetos. Quais projetos?

Em família a busca constante do equilíbrio, da boa administração e da boa educação.

No trabalho, a consciência da participação, do interesse nos resultados, procurando ter sempre em mente, que cada tem sua parcela de responsabilidades no desenvolvimento do empreendimento. É preciso lembrar sempre, que todos temos que atuar no sentido de tornar a empresa cada vez mais viável, pois só assim acontecerá o reconhecimento; vamos portanto, vestir as camisas da família e da empresa e honrá-las.

Na próxima semana falaremos sobre o Gerenciamento pela Qualidade.

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