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Macaé, ano II, Nº 58 - 8 a 15 de março de 2007
 
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Um Projeto para a Universidade Pública (I)

O Problema ( 1 )

Num regime político caracterizado pela propriedade privada dos meios de produção, o dominador é o capitalista; o dominado, o trabalhador. O capital reprime o trabalho. O Estado reprime a Nação. Neste sistema produtivo capitalista, as instituições são instrumentos de opressão ao movimento de libertação popular. A escola reprime as idéias; as cortes, a justiça; o legislativo adultera a lei; o executivo, o direito, a liberdade do povo desempregado.

Sempre foi assim na luta pela evolução dos direitos humanos. No primitivismo para o colono tornar-se senhor e o homem livre, escravo. No escravagismo para o senhor tornar-se proprietário e o escravo, propriedade. No feudalismo para o senhor transformar-se em suserano e o escravo em servo. No capitalismo para o suserano virar patrão e o servo operário. Na sociedade socialista para o patrão metamorfosear-se em técnico e o operário em cidadão livre para trabalhar e viver feliz como dantes era na sociedade primitiva.

Deste modo é a marcha histórica da dialética na evolução da humana sociedade pela luta temporal do trabalho contra o capital; do trabalhador contra o capitalismo; do dominado contra o dominador; do oprimido contra o opressor. No fim, a vitória final – a Nação dominando o Estado e não o Estado dominando a Nação. Para isso, onde morre o milagre e a fé, ressuscita a luta e a coragem contra a opressão.

Não dá mais para crer que, se ficar o bicho come, se correr o bicho pega . Sabemos que ele é papão. Come vísceras de trabalhadores, suga lágrimas de viúvas, devora recém-nascidos, desnutre a infância, envilece a juventude, exorciza a velhice, desmoraliza os costumes, deprime a cultura, infelicita a Nação. É guloso e insaciável; chama-se capitalismo. Seu consorte é o lucro para a exploração do homem pelo homem.

Esse famigerado assanhado marginaliza cem milhões de brasileiros . De boca voraz, suga o sangue e suor de vinte milhões de trabalhadores na figura do mínimo salário e de outros vinte milhões de párias sem salário nenhum. Mata de fome, faz chorar e banha-se, alegremente, nas lágrimas dessa pobre gente desterrada em sua própria terra.

Descendo o desfiladeiro dessa agonia fatal, encontram-se nas Universidades Brasileiras, nossos irmãos funcionários, aviltados nos seus salários, doídos em suas esperanças, ofendidos nas suas dignidades, há 10 anos sem reajuste de salário. Agora com 0,1% de aumento neste desgoverno nacional debochado, doando R$ 2,5 bilhões às universidades privadas.

Porém, os servidores da universidade não calam. Organizam-se em classes. Fundam associações que, entre outras, é mais um grito de libertação para tornar-se um clamor que assombrará os corações de pedra, as almas secas e as mentes de chumbo. Não pedem, reivindicam os direitos básicos: comer, morar, vestir, calçar, em fim, viver bem para lutar contra a antirreforma universitária do atual governo, padrinho das privadas, censor da universidade pública.

Além do mais, nas próprias instituições universitárias, a injustiça também se petrifica como do Egito as pirâmides. Na base, os marginalizados: 80% com apenas 50% da renda. Na cúpula, 20% de privilegiados abocanham 50% do mortífero veneno do capital contra o trabalho. É tempo de mudar o país.

Manuel Barbosa Filho
Professor Titular aposentado da UFPB

Autor de :

Introdução à Pesquisa 3ª ed

Introducción a la Investigación, editado em Cuba

A Globalização da Miséria na América Latina 3ª ed

Projeto de Pesquisa - Teoria e Prática

Impacto da Extensão Rural – 2ª ed

E-mail – mbarbosafilho@terra.com.br

 

 

 

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