Gestão escolar, muito mais do que simples gerenciamento
Muito se tem falado e escrito sobre gestão escolar, que nada mais é do que gerir, gerenciar uma escola. Mas o ato de gerenciar é tão complexo quanto dinâmico e deve ser bem estruturado para que possa, de fato, render bons resultados.
No plano de gestão, o estabelecimento de ensino projeta toda a sua estrutura, desde identificação da unidade e da clientela até a definição de metas, planos de cursos, entre outros. Dentro deste projeto, inclui-se também a proposta pedagógica, justificando as diretrizes, prioridades, métodos usados, etc. Nesta proposta, coloca-se desde projetos a serem desenvolvidos, materiais e procedimentos usados até organização de tempo/espaço e relações interpessoais. E, dentro disso, por sua vez, coloca-se o chamado plano de curso que coloca desde os tipos e objetivos de cursos oferecidos até os planos de estágio, se necessário, passando pela carga horária mínima e síntese de conteúdo.
Até aí quase não há novidade, porém, o que noto é que pouco ou nada se questiona sobre as qualificações, atuações e limitações dos profissionais envolvidos no ensino em si, também não se orienta bem quanto aos equipamentos e necessidades físico-espaciais de uma escola. Afinal, gerenciar algo, seja o que for, significa também comandar e delegar funções e estabelecer ocupação racional e proveitosa de espaços com objetivos reais e produtivos. E, finalmente, parece não haver uma diferenciação entre as funções de diretor e de gestor. Isso, em escolas de pequeno porte pode até ser aceitável, já que o diretor acaba acumulando funções de gestor e coordenador pedagógico, mas no caso de escolas de médio e grande porte, esses cargos precisam ser melhor definidos e exercidos.
Sendo assim, creio que o ideal é que o gestor (gerente) escolar, fique atento aos seguintes fatores, além dos já exaustivamente esclarecidos em artigos e mais artigos sobre o tema:
- Em primeiro lugar, as funções inerentes ao seu cargo. Se estiver acumulando as funções de coordenador pedagógico, gestor e diretor, obviamente terá que exercer cada função de forma a complementar a outra e sempre da maneira mais competente possível. Havendo definição de cargos, ou seja, um profissional para cada cargo, caberá ao gestor as responsabilidades de:
- Seleção/orientação de pessoal, desde funcionários de limpeza/portaria/recepcionistas até professores e assessores, no sentido de delegar funções e estipular quem faz o quê e como o faz. Exemplo, toda escola precisa oferecer professores com formação específica para as matérias/áreas que se dispõem a ensinar, também há a necessidade de um coordenador pedagógico que não é o gestor, este gerencia a escola como um todo, enquanto o coordenador pedagógico, como o nome já diz, atém-se aos projetos pedagógicos (criação, coordenação e execução destes). Também é essencial que a escola disponha de um psicopedagogo, que irá orientar todo o processo de aprendizagem e, se possível, também um psicólogo, que poderá trabalhar em conjunto com o psicopedagogo ou em separado como um recurso a mais.
Não havendo condições de manter profissionais de psicopedagogia e/ou psicologia com exclusividade, a escola poderá optar pela assessoria de clínicas específicas para este fim. Esta é uma opção mais acessível, visto que os profissionais só atenderão os alunos em alguns dias por semana ou mês e não de forma contínua. Mas, seja de que forma for, é necessário oferecer este serviço, para o bom andamento das atividades escolares.
- Intermediação entre pais/alunos/funcionários e diretor sendo, neste caso, um porta-voz e um negociador dos problemas, críticas e sugestões que surgirem entre as partes. Deve-se levar em conta que, havendo um coordenador pedagógico, este deverá ser o intermediador em casos que envolvam os aspectos pedagógicos e ao gestor caberá a intermediação nos demais casos.
- Outro ponto que ninguém costuma citar e que é extremamente importante, é a organização e aproveitamento do espaço físico, ou seja, desde os projetos de uso adequado de salas de aulas/auditório até o parque, quadras, piscinas e o mais importante de tudo, a brinquedoteca. É inadmissível, na atualidade, uma escola que não ofereça uma brinquedoteca e um recreacionista para orientar as brincadeiras, visto que a brinquedoteca, quando bem aplicada, pode não só alfabetizar e ensinar matérias, como também, e até, tratar alguns distúrbios de aprendizagem, desenvolver coordenação motora, integração de grupo e outros tantos benefícios.
Quanto ao bom aproveitamento de espaço para salas de aula, auditório, parque, etc, por ser assunto extenso e rico, poderei enumerar e discorrer numa próxima oportunidade.
Lou de Olivier - Psicopedagoga e Multiterapeuta
Site oficial: www.loudeolivier.com.br
Câncer de máculas (ou mágoas)
Depois de tantos anos escrevendo sobre distúrbios de aprendizagem, comportamento e assuntos correlatos, sinto a necessidade de escrever sobre este assunto que, apesar de fugir da minha linha de escrita, é algo que gira em torno de mim há muitos anos. Seria egoísmo de minha parte, se não tentasse mostrar o outro lado deste assunto como tenho feito com os assuntos que tanto abordo.
Segundo o dicionário, a palavra câncer vem do latim e significa caranguejo. Isso se deve à semelhança entre as pernas do crustáceo e os tentáculos do tumor, que se infiltram nos tecidos sadios do corpo. O caranguejo também se locomove com muita facilidade, daí associa-se à velocidade com que algumas células alteradas se multiplicam, apesar desse detalhe variar de acordo com o tipo de câncer e de como o paciente reage diante dele.
Segundo definição médica: Câncer, também conhecido como tumor maligno ou neoplasia, é uma classe de doenças caracterizadas pelo crescimento descontrolado de células aberrantes. O câncer torna-se mortal devido à invasão destrutiva de órgãos normais por estas células, por extensão direta ou por disseminação à distância, que pode ser através do sangue, linfa ou superfície serosa.
O tratamento pode ser cirurgia, quimioterapia, radioterapia, e transplantes. Estes podem ser combinados ou individuais. Cabe ressaltar que o tratamento deixa o sistema imunológico do paciente extremamente frágil, deixando-o sobre constante risco de infecção.
Como principais causas, citam-se vários fatores entre os quais: predisposição genética (casos na família), hábitos alimentares, estilo de vida e condições ambientais. Por exemplo, quem fuma muito tem mais chances de desenvolver câncer nos pulmões, na boca e na garganta. Quem exagera nos drinques, fica predisposto a ter câncer na boca ou estômago. Tomar sol excessivamente pode afetar as células e provocar câncer de pele. O câncer de mama, geralmente é causado por distúrbios hormonais. A leucemia (câncer no sangue) é desencadeado pela exposição à radiações. Determinadas infecções podem desencadear o surgimento de tumores no estômago e no fígado. Além disso, citam-se como possíveis causas de alguns tipos de câncer, a vida estressante, a alimentação pobre em fibras e rica em gorduras e conservantes...
Até aí, nenhuma novidade, mas tenho questionado um outro fator que ninguém, ou quase ninguém, cita e que me parece umas das principais causas de surgimento e desenvolvimento desta doença, o fator psicológico, o que chamo de "Câncer de máculas", ou mágoas para ser mais exata. Acho impossível não admitir que o fator psicológico/mental possa influenciar e até desencadear doenças.
No caso do câncer, isto é totalmente aceitável e deveria ser visto com mais atenção por quem estuda a fundo este assunto. A mim, cabe apenas questiona-lo já que, deixo bem claro, minha área é outra. E o que me motivou a escrever algo que nada tem a ver com minha área? É raro o dia em que não fico sabendo de alguém, (geralmente, uma mulher culta, inteligente, cheia de predicados) que está com câncer. E, coincidência ou não, apresenta câncer nos órgãos mais sobrecarregados. Para ilustrar isso, tenho vários exemplos, a começar por uma das maiores fãs que tive. Era também escritora, uma bela morena que, apesar de escrever tão bem quanto eu, encantou-se com meus escritos, vivia visitando meu site, deixando depoimentos e muitos elogios e não sossegou enquanto não veio a São Paulo me conhecer. Tinha câncer de mama e, conversando comigo, contou-me o quanto tinha sofrido por amor. Não vou entrar em detalhes, acho que ela não gostaria de se ver exposta. Acabou passando por inúmeras sessões de quimioterapia e falecendo.
Pela minha terapia, passaram algumas pacientes que entravam em depressão por portarem a doença, quase sempre câncer de mama ou útero e, também elas, sofreram muitas decepções amorosas ou até violência, pois algumas apanhavam do marido e, durante a surra, eram atingidas nos seios ou no ventre e aí, a mácula é dupla, pois é física e psicológica. Mesmo alguns casos em que parecia que a doença tinha surgido do nada, analisando a fundo, encontrávamos uma rejeição ou decepção amorosa tão profunda que havia sido camuflada e esquecida no subconsciente. E, indo mais além, por mais absurdo que pareça, até a exposição excessiva ao sol, pode demonstrar uma espécie de rejeição, ou seja, alguém que permanece embaixo de um sol escaldante, literalmente se tostando, sem proteger-se, pode faze-lo por não ter ninguém que lhe dê um conselho ou orientação. É comum as adolescentes e jovens passarem praticamente o dia todo na praia, durante as férias, mergulhando e deitando na esteira, mergulhando de novo e deitando na esteira, enquanto as mães estão preocupadas com a "minha novela" e os pais estão ocupados com qualquer outro fator menos a saúde dos filhos. Querem maior rejeição do que isso? O resultado? Câncer de pele na certa e, uma grande mágoa no coração.
Não sei bem como terminar este artigo, talvez porque este seja apenas o começo de um assunto complexo demais para caber num único artigo. Então, digo apenas, até uma próxima oportunidade, quando voltarei com a segunda parte deste artigo.
Lou de Olivier - Psicopedagoga e Multiterapeuta
www.loudeolivier.com.br
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