Fundado em 16 de abril de 1932
Macaé, ano II, Nº 57 - 2 a 8 de março de 2007
 
Acontecências
Alô Galera
Artes Marciais
Astrologia
CECAC
Cinema
Cordel
Culinária
Cultura
Digital Photo Array
Direitos Humanos
Esculturas em Sabonete
Escultura Humana
Esportes
Jornais do Mundo
Liga Operária
Lingua Franca Macaensi
Livros
Mel/Saúde
Moda
Movimento Hippie
O Rebate Internacional
Ortomolecular
Petrobrás/Petróleo
Piadas
Poesia
Reforma Agrária
Telefones úteis
Tortura Nunca Mais
Utilidade Pública
Zona Urbana

O ano novo nasceu assim...

Embora a saudação represente o desejo mais profundo de que os próximos 365 dias sejam cobertos da mais completa felicidade, ela nos remete à 1999 a.c (segundo o calendário - fiscal- gregoriano), reino da Subornália , onde sua majestade, o rei Honoratus Daquiémeu I e sua arqui-rival, a sacerdotisa Sópramim , travaram vigorosos duelos na luta pelo poder e transformaram a capital, Propinae , no que se pode chamar atualmente, de marco da corrupção na história da humanidade.

Sópramim , adoradora da divindade Dáoudesce , espalhou pela região, onde a carência de água era absurda, diversos templos para arregimentar seguidores não no intuito de destronar o rei mas de montar uma espécie de governo paralelo, tecendo uma gigantesca teia na qual pessoas-chaves, de sua confiança, se mantinham estrategicamente colocadas, para a manutenção de seu domínio no parlamento e regular as atuações de Honoratus I que, revoltado com a situação, em atitude populista, mandou cavar o mais largo e profundo poço do país para a distribuição de água, nomeando sua esposa, a rainha Tánaaba , encarregada do cadastramento da população e seu filho, Honoratus Mamabem , responsável pela fabricação das cacimbas para o transporte do precioso líquido.

O povo, contente com a água em abundância, passou a reverenciar seu soberano que desfilava orgulhosamente pelas sacadas do palácio, despertando verdadeiro ódio na sacerdotisa.

Numa noite sinistra, Sópramim e sua camarilha despejaram baldes de um pó estranho no poço. Do dia seguinte em diante, toda a população começou a enlouquecer e Honoratus I se viu desesperado com a loucura inexplicável de seus súditos que, um à um, foram se juntando, se juntando e articularam um golpe para destituí-lo, tendo como pretexto, imaginem, a insanidade. Sem muitas alternativas, ele se refugiou na casa de uma de suas amantes, ficando lá até que a poeira assentasse. Enquanto isto, a sacerdotisa assumia o trono decretando feriado prolongado seguido de festividades intensas que culminavam com danças frenéticas. Todos estavam completamente ensandecidos.

Noutra noite sinistra (em Subornália noites assim são comuns), o rei, disfarçado, visitou o poço e bebeu, com fartura, dá água enfeitiçada e adormeceu ali mesmo.

Ao primeiro raio de sol despertou cercado por uma multidão que o observava. Arrancou as vestes e começou a pular e gritar em todas as direções. Andou plantando bananeira, de quatro feito um cão e se arrastou, tal qual uma serpente, em torno do poço. Todos então, alucinados, urraram seu nome, carregaram-no e o atiraram para cima diversas vezes, em êxtase. A igualdade, afinal, chegara. Tanto o rei quanto seu povo estavam verdadeiramente dementes. Como um grande líder, marchou até o palácio e, com o apoio popular, retomou seu trono, pondo em fuga a rival e deu por encerrado aquele cansativo ano. Em pronunciamento ao público, Honoratus Daquiémeu I , o Alienado, como ficou conhecido, agradeceu o apoio e desejou felicidades para o ano novo que acabara por ser iniciado.

Recomendamos o Mozilla Firefox. Clique aqui para baixar gratuitamente a versão 2.0
© Artimanha