| ODE AO MEU AMIGO E COMPANHEIRO DE ESCOTISMO SERGIO CORDEIRO QUINTEIRO
José Milbs
“Cercada de zinco, cercada de telhas, esta cidade onde todos trabalham....”
Este foi o meu primeiro texto aos 11 anos. Foi no Escoteiro, atendendo o “pedido do chefe”. Não havia rima. Foi a minha primeira visão jornalística de Macaé no final dos anos de 1940. Casas que existiam nas ruas Dr. Bueno (Rua do Meio), Luiz Belegard (Rua da Poça), Sacramento, Agenor Caldas e Rua da Igualdade. Foi de fato à primeira vez que me senti importante. Alguma coisa que eu estava fazendo e que ia sendo repetida pelos meus colegas de Escotismo. A visão das casas dos habitantes de Macaé nesta época veio a minha memória e eu falei escrevendo as casas dos primeiros ferroviários, cercadas de zincos e outros de telas arredondadas. Claro que não agradei ao Chefe dos Escoteiros que, ligado por laços familiares a elite macaense queria algo ligado ao que seus olhos viam e sua mente retratava, Fiquei, daí para frente com uma grande vontade de escrever e por os fatos simples que via para as pessoas lerem. Ao ir para o SENAI, fiz parte do Grêmio Cultural Bruno Lobo e, novamente meu espírito contestador mexia com o poder da Escola. Tinha 13 e, no mural da Escola Ferroviária 8-l Senai, vi meus textos serem lidos pelos meus colegas de turma e ser criticado pela direção do educandário. Fazia=me bem ver isso. Pensava: Como é bom escrever as coisas que a gente sente e as pessoas “diferentes” da gente ficar contra. Devia ser destas experiências no modo de escrever que nascia em mim a vontade de escrever o que o POVO gostaria de escrever. Pensava: Alguém tem que retratar as coisas puras que nascem e vivem no imaginário das pessoas que falam, contam suas experiências e não são lidas. Aos anos foram passando e, a cada dia ficava mais feliz em escrever e me ver sendo lido. Era como se eu estivesse conversando com as pessoas através do que eu escrevia e elas iam lendo e falando. Nas aulas do colégio não entendia o porquê de escrever textos cheios de erros gramaticais, com falta de acentuação e sem pontuação. “Tirava sempre nota alta nas minhas redações e, um dia tomei a liberdade de perguntar as minhas pacientes professoras Thereza Pereira da Silva e Anita Parada: Elas responderam com a certeza de quem sabia tudo e muito mais sobre as nossas vidas:” Você de fato, José Milbs, precisa estudar mais as coisas da língua portuguesa. “
Mais não posso deixar de lhe dar as melhores notas por que você tem o dom da dissertação nata” Confesso que até hoje não consigo me adaptar as coisas do português correto e seus meandros gramaticais. Penso até, quem sabe, com o tempo procurar um copidesque que possa me fazer ficar mais inteligente nos textos e sem erros. Até lá vou fazendo assim mesmo e me desculpe os que vivem catando erros em meus velhos e novos textos.
A Fala do POVO é o que me seduz e a ele eu quero ser fiel. “Como se diz : Dexa está Jacaré, a lagoa um dia há de secar...”
A vida foi me levando e acabei tendo que assumir alguns textos em outros tempos. Hoje, com 56 anos de experiências no trato com a escrita, tive a alegria de ver meu trabalho ser colocado nos lares das pessoas através da INTER-TV. O reconhecimento de uma existência na busca das verdades e do não acocoramento ao Poder me foi útil. Centenas de amigos que comigo convivem no dia a dia da Internet fizeram e-mails felizes por me terem visto e mandaram incentivos. È a certeza desde dever que se cumpre o melhor dos prêmios. Vou continuar escrevendo. Hoje vendo outra Macaé: Cercada de prédios, cercada de galpões, esta cidade....
Pois é Sergio Quinteiro Cordeiro. A gente viveu uma época diferente numa cidade que cresceu muito. Uma cidade que sua avó Etelvina fez histórias, seu pai o simpático Cordeiro, sua alegre mãe Ilce que a gente sempre encontrava sentada na máquina fazendo suas roupas de menino, sua de Soninha e de Selminho.. Esta cidade, meu velho e querido ex colunista social do O REBATE, ainda existe em muitas mentes empoeiradas e felizes. Basta que a gente de uma balançada nas paredes que estas pétalas em forma de letras caiam e fiquem ai expostas a quem gosta de ler.
Ontem a TV me elegeu o mais antigo dos jornalistas e escritores da região de petróleo. Sabe como que venci este lindo concurso? Com o texto que você transformou em canção. Texto que a gente nem sabia que um dia iria fazer parte deste O REBATE e lido mundialmente no www.jornalorebate.com Está é a vida....
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