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Se minha avó soubesse disso...

Quinta-feira. 17h28. Consultório médico.

- Por favor, Vinícius. No final do corredor, a primeira à direita.

Corredor interminável.

- Boa tarde, doutor. Tudo bem?

- Muito bem, o que lhe traz aqui. Não acha que é muito novo para vir ao cardiologista? – perguntou, com um sorriso amarelo saindo da boca.

- Mas para ir ao cardiologista tem idade?

- Não. Lógico que não. É que geralmente os meus pacientes têm 40, 50, 60 pra cima.

O sorriso amarelo, agora, saiu de minha boca.

- Então, doutor, andei sentindo dores no peito e uma aceleração nos meus batimentos cardíacos. Acho que isso não muito típico, não é? O que deve ser? Juro que estou preocupado.

- Huuummm, vamos ver. Venha comigo!

Noutra sala, uma maca gelada – assim como aquele ambiente. Um horror. Tudo muito frio.

- Deite aqui e tire a camisa.

Deitei-me.

- Não. Deite mais pra cá. Aí não tem como eu fazer o exame.

E começou o silêncio...

Senti algo gelado batendo no meu peito. Eram uns pedacinhos de alumínio (eu acho, né) grudando no meu tórax.

Um barulho esquisito soou. Achei que fosse levar um choque. Mas não. Os meus olhos, fechados, abriram assim que veio a ordem.

- Desça. Pode descer. O seu exame está pronto.

- Deu alguma coisa?

- Vamos lá na minha mesa que te falo?

Foram longos os minutos da sala de exame até aquela mesa. Passaram-se muitas coisas pela minha cabeça preocupada.

Enfim, chegamos.

- Mas, então, doutor: alguma coisa para se preocupar?

Sem olhar nos meus olhos, folheando os registros dos meus batimentos cardíacos...

- Não, não deu nada de muuuuuuito grave. Percebi apenas que você está com taquicardia...

- Taqui o quê?

- ...cardia.

- O que é isso?

Pergunta sem resposta.

- Vou fazer um pedido de ecocardiograma. Você faz e me traz o resultado. Ok?

Tentei falar alguma coisa. Impossível. Não deu tempo.

- Uma boa tarde pra você....é, é Vinícius.

- Obrigado.

Segui o corredor interminável e dobrei à esquerda. Fui embora. 17h41.

 


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