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VOVÔ IDIBALDO, as MIXIRICAS, GLICERIO, OS SEUS VULTOS, MACAÉ NOS ANOS 50 SUA VIDA....
José Milbs de Lacerda Gama

No final da rua morava um senhor de estatura mediana que, diariamente, passava por nós indo para a rua direita. Era o vovô Idibaldo que carregava uma das mais vivas espiritualidade que habitava a cidade. Passava , era cumprimentado desde a casa de “dona Maria de seu Bráulio Vianna” ate a esquina de seu “Valtinho Sapateiro” sem deixar de ser também cumprimentado por seu Erotildes Monteiro e Seu Elias enfermeiro da “Casa de Caridade” e “Elso Pudim”..
Dobrava sorridente a praça no sentido mercado municipal e ia ter com seu Raymundo Peixoto e sua esposa Maria José para irem ao encontro do “Peixotinho” e Pierre para juntos efetuarem os pilares da fundação de entidades fraternas em Macaé.
Seu Raymundo Peixoto Lins era um destes homens que o Norte do Brasil nos presenciou. Pai de uma prole de gente boa tendo a destacar o meu amigo “Zé Peixoto,” Jerônimo, Emília, Adolpho e António.
Este senhor Idibaldo, merecidamente. tem seu nome perpetuado materialmente na biblioteca do Centro Espírita Pedro onde ele deixou um grande trabalho social.
Sua casa, era simples, como ele sempre foi materialmente. Cerca de bambus, algumas madeiras, um portãozinho de restos de caixotes e algumas galinhas se misturando com um cãozinho branco que se abanava ao vê-lo chegar curvado pelo peso dos anos. No Lar de Maria ele cantarolava ao tempo que moia longas vara de cana para servir aos que lá iam e colaboravam com a Instituição que mantinha dezenas de “Crianças Desemaparadas”, muitas ainda estão vivas e progrediram na vida comunitária de Macaé e sua gente...
.Era bonito ver este senhor no “Lar de Maria” cumprindo a missão de servir ao próximo e de amor fraterno. Parecia uma alma de mil anos num corpo de 80.
Vovô Idibaldo morava perto da casa do Parrudo do DCT e Juca mecanico de Dalcy Vianna e Décio. Bem perto ainda onde havia o campo da cocheira onde as crianças jogavam peladas e, ainda tinha o colégio de dona Dalila Collares Quitete uma das mais antigas educadoras de nossa cidade.
Nascimento e sua família moravam numa casa simples nos moldes antigos sem muros altos. Dalci, Delvan e toda acriançada de Seu Brúáulio se misturavam aos moradores da periferia que iam na “Cocheira” jogar futebol ou catar “Tatuí” nas voltas e idas das ondas da Imbetiba...
OS ACORDES DA LYRA
Rolien, Rosilda, Rubinho, Roberval, Renato, Jácyra do Ten. Pires e Tião seu esposo, Cláudio. Zelita, Geraldinho e Amparo, Airãn Almeida, Vascaino, Cascalho, Carvalhaes, Nice e Nenen, Therezinha, Hélia e Hélio eram alguns dos frenéticos torcedores da Lyra dos Conspíradores de nossos acordes musicais.
Na festa de aniversário de seu Sucena, se podia ver o velho baixinho da Tuba maior que ele, que chamava nossa atenção nas noites estreladas de uma cidade-mãe.
Sargento Gavião, Telmo barbeiro, seu Zica , Pepeu e Teteu, Flavito, Oberland Daumas, Tinoco de Paulinho, Geraldo e a galera Mello Keller, Dabarrinha, Durico, Enio e seus filhos, Anterinho com sua gaiola de papa-capim. Bibinho, Tadeu. Abraão Agostinho, Ramialho, que nos fazia os peões de Pau Roxinho, Juquinha, Bonga, gente que povoava nossas mentes infantis com suas histórias e vida na eterna dimensão de nossas essências de humanos e pensadores.
Esta Conspiração Musical tinha a dimensão de uma geografia que se articulava nas conversas e iam figurar nas conversas noturnas que se faziam presentes nas vidas dos velhos habitantes da cidade.
Quem pode esquecer dona Alice Salgado, dona Oriolanda de Orlacy, Chico Mendonça e seu Jair Rangel pai de Fernando Cláudio e bisavó de meu neto Paulinho? São figuras de nossa hostoricidade que precisavam sair de nossos arquivos mentais e se fixaram na verdadeira história de Macaé e seu POVO simples.
Onde ficaria a História de Macaé sem falar em “Seu Selino”, pai de Sara, Aabel e outras tantas crianças? quem comeu o “Pão Provenço”, o “Pão de Milho Redondo” e a “Bisnaga” desta padaria pode dizer que participou de uma era de belezas raras...
A padaria de “Seu Selino” era ponto final nas minhas madrugadas quando estava quase chegando em casa na rua Dr. Bueno 180. Nesta Padaria, uma porta entreaberta nos colocava de frente com os mestres da massa e íamos para casa comendo estas delicias ainda fumegantes. O cheiro destas belezas ornavam todo o quarteirão e era sentido até nas descidas das calçadas da Praça Verissimo de Mello, Praça que ficou famosa por ter sido o local onde foi encontrado morto, sentado num banco o humanista médico Julio Olivier...
O BOMBOCADO E A MIXIRICA
E os bombocados de dona Abigail Agostinho que o Daniel vendia na praia de Imbetiba? Alguém pode esquecer? Eram dão doces e amenos que ninguem deixava de comer uns 8 ou 10. Euzébio Mello tinha crédito e o tabuleiros não ia embora de nossa barraca...
Estes dias estava eu num destes “Horthflutis” Ai vejo Ivone Lacerda, minha prima. Ela cata e recata como eu, algumas mexericas que estão expostas e me diz com sua suave voz que mais se parece com sua mãe Morgadinha".Que saudade das mixarias verdadeiras que vinham de Glicério” Sua fala nos trouxe a presença dos velhos moradores de Glicério, Óleo e Trapiche e Córrego do Ouro que nos brindavam com as delícias de uma Mexerica nativa e doce. O olhar Candido de seu Pedro Adami, a beleza elegante de Mireto, Sizinando, a voz suavemente infantil de Helena Maroti e sua linda genitora vieram as nossas mentes fazendo com que, a fria bancada de mexericas que pareciam laranjas, fornecessem o feliz e doce momento que trazia as verdadeiras frutas de nossa serra distante.
.Foi assim nossa infância nesse povoamento de gente boa, de uma cidade que existiu e vive em lembranças. Pessoas que iam fazendo nossa história a cada “Bom Dia”, que nos davam, ou a cada acalento que nos faziam nas cabeças encaracoladas e sujas de poeiras das ruas que o asfalto esconde.
Com a chegada de “Seu Lima” de Petrópolis, nova padaria se criou na área de rua do Meio. Com ele veio Lazyr, Mouzart que se amalgamaram a nossa existência dando um colorido mais puro a região. O sorriso de seu Lima fazia com que algo novo florescesse em nossas andanças infantis. O esporte e o Fluminense foram se adaptando a esta família ao ponto de ser o próprio prolongamento de suas casas . Mozart se casou com Ângela, irmão de Ângelo que espalnharam suas inteligenciasinteligências educacionais por todos os cantos de nossa cidade...
Levados pelas mãos de Lurufe Soutinho os Limas fizeram história em nossa comunidade além de fornecer um dos mais gostosos pães que tivemos nos anos 50 em diante.
Ivan que sempre com o sorriso nos lábios era uma constante em nossas vidas de adolescente. Quando reabri ‘O REBATE” nos anos 90 um neto de Seu Lima escrevia sobre esportes. Incentivado pelo Manoel Ângelo Raposo. Léo Lima se fez presente em toda edição do jornal.
A PRIMEIRA PIPA
A primeira Pipa levantada, sob o olhar traiçoeiro de um vento sul irritante e belo, fazia que “desse certo” o subimento vitorioso. Pipas que iam cruzar com outras tantas onde, o cerol, apenas era colocado perto do “cabresto” para que não ocorressem tragédias...
O troféu vinha mais tarde com o Cerol cortando nosso embate aéreo com a turma da rua do Cemitério. As pipas eram as marcas de nossas viagens no mundo encantado habitado por borboletas e vaga-lumes.
A esquina da Praça onde morava seu Waltinho sapateiro, Elson Pudim, Padre Jason, Dona Alice Salgado, de Orlacy, Cadinho, de seu Gastão, era muito longe para gente alcançar nos primeiros acordes de sons de meninos na rua. Uma esquina que se conquista na primeira infância tem o sabor de quilômetros.
É como uma braçada infantil nos primeiros nados e mergulhos no Rio Macaé, chegando até o Pontal ou Mar aberto em Imbetiba onde ir até a Ilha do Papagaio era coisa de Naná, Suenio Jobin ou Levy. A coisa tem o formato e Tem a longitude do inatingível e cada braçada que se vai é uma conquista que se sente interiorizar-se dentro do campo de nossa vaidade e orgulho.
Já sentiram o diabólico e belo prazer de ver um Papa Capim cair num alçapão?
Gente que baila nas mentes infantis de infâncias inesquecíveis, boas e saudosas. Dona Laércia , Dona Elsa.As meigas filhas de Jacyra.
Como esquecer o chamado materno de Dona Laércia em busca do auditivo de Zé Augusto, Marco Túlio e António? Dizem que chamamento de mãe é tudo igual mais os que eu ouvia, nas tardes noites da rua do Meio, tinham o saboramento das coisas de infâncias vividas.
Os jogos de peladas, botões, futricas e passe-passe ficariam nas paredes da memória se não fizesse este relato.
É como abrir uma página adormecida nas histórias de uma Macaé que ainda dorme sem que suas histórias possam ser contadas.
As ciumeiras de Cléa, Déa e Mazminha, do fã-clube de Marlene em brigas com Silday e Neinha fãs de Emílinha ou vice-versa. As primeiras, filhas de Thiers da Prefeitura de Macaé e radialista dos primeiros programas de calouros, as segundas filhas de Sebastião da Silva Rosa, “Seu Pequenino” da Estrada de Ferro Leopoldina e ex- vereador.
É rever com saudade as Cadeiras nas Calçadas da rua da Igualdade, em frente “A GARÔTA” de seu Pepeu com, Teteu, Telmo. Santinho, o Velho Soutinho papeando com Zé de Seu Clodowing Graça e Sátiro Lins.
Loécio Osso, me fala sobre as pessoas que estão sumindo como Pinguin, António Português do Bar da Praça. dos vários nomes e Fernando Cocó.”Osso” está mais gordo mais ainda atende pelo afetivo apelido que poucos podem ousar lhe chamar.
Este chamamento bate em sua lembrança e o leva a feliz infância de menino nas noites da Rua Direita, nos Matinês do Santa Izabel e nas corridas do boiada que ia pela rua Télio Barreto até o Matadouro Municipal. Estas são alguma de minhas ACONTECENCIAS.
Se alguém tem as suas que as conte que a gente publica... www.jornalorebate.com
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