SINDICALISTAS E LÍDERES DE MOVIMENTOS POPULARES DO ES
PROTESTAM NA POSSE DOS NOVOS DEPUTADOS ESTADUAIS
Líderes populares capixabas vieram buscar, através do colunista
especial e exclusivo no Estado, Paulo Carneiro, apoio do jornal O
Rebate para divulgação das suas legítimas e justas lutas contra as
desigualdades sociais (seculares), contra as opressões dos poderes
constituídos, os constantes crimes de prevaricação constitucional
praticados por “autoridades” investidas de cargos públicos, contra o
disfarçado regime de escravidão acobertado por políticas salariais,
e a conivência da chamada grande imprensa que se recusa a noticiar
todas essas barbaridades cometidas cotidianamente contra a nação.
PH também é "eleito" presidente da Assembléia Legislativa
Guerino Zanon, fustigado pela Justiça, vai fazer o que Hartung
mandar - ele e mais 27
Os movimentos sociais, sindicatos, estudantes e partidos de esquerda
foram para a porta DA Assembléia Legislativa, quinta-feira 1,
realizar uma manifestação pelo povo capixaba contra a estréia da
nova legislatura circense da Casa. Em Nome da população, as
entidades protocolaram um documento pontuando o que se espera de um
Legislativo e ratificaram algumas verdades sobre a realidade de
poder no Espírito Santo.
Quanto à posse dos 30 deputados estaduais, ficou oficializado – e
patenteado - que quem manda na Assembléia Legislativa é o governador
Paulo Hartung, o imperador capixaba. Inclusive, na edição do jornal
A Gazeta desta sexta-feira 2, o chefe do Executivo fez questão de
tornar público na primeira página quem é o dono do pedaço: "Guerino
é eleito com o apoio de Hartung", revelou a manchete enviada por PH
ao jornalão.
Para o cidadão comum, o fato soaria como ofensa sbumeter-se a essa
execração pública dessa forma mas, para Guerino Zanon, que anda
sendo seguido pela Justiça, a desmoralização tem gosto e cheiro de
uma premiação. Entretanto, não é só Guerino Zanon é refém de PH –
entre os 28 capachos estão outros sete deputados que iniciam o
mandato respondendo a processos na Justiça: Luiz Carlos Moreira
(PMDB – atual sigla de aluguel do governador); Jardel dos Idosos
(PMN); Luciano Pereira (PSB); Reginaldo Almeida (PSC); Janete de Sá
(PSB); Wolmar Campostrini (PDT) e Sérgio Borges (PMDB – atual sigla
de aluguel do governador).
O povo capixaba está estarrecido com os acontecimentos políticos. E,
com toda certeza, se sentiu representado na manifestação que começou
na porta da Assembléia Legislativa e tomou as galerias internas da
Casa. Os manifestantes foram protestar e ser testemunhas de uma nova
cumplicidade nociva do Executivo e do Legislativo contra os
interesses do Espírito Santo.
EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE E DEMAIS DEPUTADOS (AS) DA
ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO.
As entidades signatárias, representantes de diversos segmentos
organizados da sociedade civil do Estado do Espírito Santo, vêm
manifestar suas expectativas em relação à legislatura que ora se
inicia, esperando que esse Poder, através de seus membros, cumpra
seu papel constitucional de defender os interesses do povo do nosso
Estado.
É de conhecimento de Vossas Excelências os problemas e as dívidas
sociais que o Estado tem para com seus cidadãos e cidadãs, dentre as
quais se destacam:
1 - Valorização do serviço público
Ao contrário de valorização, as políticas públicas continuam sendo
tratadas como mercadoria nos escusos balcões de negócios. Salvo
ilhas de falsa prosperidade para efeito da propaganda enganosa. O
serviço público é vítima do clientelismo, do empreguismo, da
privatização, da falta de valorização, qualificação, motivação dos
servidores, de concursos públicos etc. No caso dos servidores, não
bastassem as perseguições que se tornaram rotina nos órgãos públicos
estaduais, chega ser um acinte quando se gaba o governo, de estar
pagando em dia os míseros salários, cujo piso, em muitos casos, não
chega a 2/3 do salário mínimo vigente. A deterioração dos serviços
públicos só interessa aos que se enriquecem com sua apropriação, sem
o mínimo de sensibilidade com as necessidades da população. Cabe a
Vossas Excelências o dever constitucional de defender nesse
parlamento tão somente os interesses do povo.
2 - Saúde
O sistema de saúde encontra-se em verdadeiro colapso, isto
constatado rotineiramente, inclusive pela mídia. O sucateamento das
unidades de saúde, o sofrimento dos cidadãos e cidadãs nas filas de
atendimento e nos corredores dos hospitais, profissionais mal
remunerados e em número insuficiente ao atendimento das demandas, em
face da falta de concurso público. As previsões orçamentárias, assim
como para outras áreas sempre são parcas, em valores suficientes
para a propaganda governamental, longe dos investimentos realmente
necessários.
3 - Educação
Apesar do discurso contrário, o Estado tem regredido o sistema de
educação estadual. Recursos orçamentários insuficientes, falta de
democracia na escolha dos diretores. Desestímulo dos profissionais,
submetidos à enganosa política de abonos salariais – os vencimentos
são até mesmo inferiores aos da rede pública municipal. Jovens sem
condições de pagar por um ensino privado, vê desaparecer a
possibilidade de se profissionalizar diante da espantosa
privatização dos cursos técnicos. Aliás, é assustador o montante de
verbas públicas transferidas para as empresas privadas e educação,
apurando gastos superiores aos de algumas universidades estaduais.
4 - Segurança
O aparato estatal visa proteger apenas o patrimônio privado, as
grandes empresas e seus interesses, a exemplo do uso da força para
reprimir movimentos como, por exemplo, de luta pela terra e outras
manifestações como as contrárias ao aumento das passagens. Para
justificar a necessidade de privatizar o Sistema Prisional, o Poder
Público descumpre a Lei de Execuções Penais (LEP), mantendo os
presídios em condições medievais, o que leva os apenados “gestores”
do crime organizado a retaliar contra a sociedade com demonstrações
de força tais como os incêndios a ônibus. As populações humildes da
periferia estão largadas à própria sorte, pagando alto preço pelas
injustiças sociais causadas por nossa elite econômica.
5 - Habitação/saneamento
Não há investimento em habitação ou serviços públicos de saneamento,
sendo desconhecida, portanto, qualquer política mais incisiva por
parte do governo estadual que vise diminuir os bolsões de misérias
nas periferias, inclusive nas cidades do interior, política que
deveria estar encadeada com outra que garantisse a fixação do
trabalhador rural no campo. As obras em execução do governo são
àquelas destinadas às grandes empresas, beneficiadas, já tão
contempladas com renúncias fiscais.
6 - Reforma Agrária/Agricultura Familiar
Tema que não está na agenda do governo, a não ser no quesito
segurança, leia-se repressão aos camponeses, a serviço dos grandes
latifundiários, inclusive grandes empresas (Aracruz Celulose). O
governo tem impedido toda e qualquer discussão acerca das terras
devolutas do Estado, tomadas por esses latifundiários. Só para
exemplificar, na ultima legislatura, o Poder Executivo determinou a
essa Casa de Leis o arquivamento de dois projetos de leis
importantes que beneficiariam milhares de trabalhadores rurais.
Enquanto a monocultura recebe toda atenção, não há apoio aos
assentados, pequenos camponeses que anos após anos estão à mercê do
descaso governamental, principalmente no que tange a assistência
técnica e extensão rural. É praticamente inexistente uma política
de matriz tecnológica com base no processo agroecológico, com
aplicação de recursos em infra-estrutura e desenvolvimento
comprometido com a agricultura familiar.
7 - Privatização
A privatização dos serviços públicos é inegável, passando pela
esteira das questionáveis contratações de empresas nas áreas de
educação, saúde, segurança – incluindo o sistema prisional –
informática e outros serviços. No escopo de uma espécie de tomada de
assalto ao patrimônio público, empresários financiadores de
campanhas eleitorais, buscam agora os dividendos, tramando
abertamente a privatização do BANESTES, CESAN e CODESA, que,
certamente não fossem rentáveis, jamais mereceriam tanto interesse.
A ganância está estampada, mesmo que queiram encobri-la com o
discurso nefasto da necessidade do desenvolvimento.
8 - Situações dos Índios e Quilombolas
Há no Espírito Santo, diversas comunidades indígenas e quilombolas,
que são marginalizadas pelo governo do Estado, que não cumpre a
Constituição Federal, no sentido de garantir a preservação da
cultura e a recuperação de suas terras, necessárias à sua
sobrevivência e manutenção de seu modo de vida. Não bastasse a
inércia proposital em recuperar do jugo latifundiário as terras
juridicamente devolutas dessas populações, o Estado ainda usa a sua
força policial ao extremo da violência para reprimir as legítimas
manifestações dessas comunidades. Também não poderia ser diferente:
são os latifundiários que direta ou indiretamente custeiam as
campanhas eleitorais e, portanto, o Estado torna-se cúmplice no
desrespeito aos direitos humanos e no genocídio dessas populações.
As preocupações aqui apresentadas estão diretamente relacionadas ao
descaso e à inversão de prioridades das políticas públicas que
deveriam ter suas execuções fiscalizadas pelo Legislativo, a quem é
reservado o dever constitucional de zelar pela aplicação correta dos
recursos públicos. Chega de tratar as dívidas sociais como
conseqüências da demência republicana, ou pior, mantê-las reféns de
um poder que historicamente transformou-se em passagem da jogatina
do dinheiro público para sustentar a corrupção, interesses de grupos
políticos e empresariais e barganhar a governabilidade.
A legislatura que se inicia é uma grande oportunidade para que
Vossas Excelências transformem o Espírito Santo num exemplo de ética
e bem-estar social. Lamentavelmente, no Brasil a corrupção está
impregnada em quase todas as esferas de poder e no que restou de
empresas estatais, nos fundos de pensão. O Poder Judiciário não está
imune a essa chaga. Por outro lado, é inaceitável o rótulo de que
isto é “um mal da máquina pública”, pois nessas operações criminosas
vê-se a participação de bancos, construtoras, consultorias e até
mesmo organizações ditas não governamentais.
Mas é no Poder Legislativo que a corrupção tem provocado maior
decepção ao povo, pela falta de conduta moral de boa parte dos
parlamentares, que traem o eleitor, descumprindo as promessas de
probidade e defesa dos interesses sociais, vendendo – muitas vezes
abertamente – o voto e a consciência, por cargos, conforme se viu no
Congresso Nacional e nessa Casa Legislativa, remunerada, até, com
uma “mesada mensal”. Se isso não bastasse, ameaçam o povo com mais
um achincalhe ao proporem um reajuste de mais de 90% de seus
salários além do aumento das chamadas verbas de representação e
auxílios que, na prática, configuram-se como salários indiretos, sem
contar o número absurdo de cargos à sua disposição.
É preocupante a possibilidade dos parlamentares, que ora assumem o
mandato designado pelo povo, insistirem em utilizar a Assembléia
Legislativa como braço do crime organizado e submetê-la aos ditames
de um Poder Executivo que quer manter o Espírito Santo como
capitania hereditária de uma minoria privilegiada, protegida “pela
lei e pela ordem”. É difícil, sabemos, mas Vossas Excelências têm
que empunhar a bandeira da dignidade, da verdade e do compromisso
para que possam dar ao povo capixaba a confiança e a capacidade de
trabalhar por uma vida melhor.
Os cidadãos deste Estado estão cansados e enojados dos maus exemplos
patrocinados por essa Casa de Leis em suas recentes legislaturas.
Especialmente agora, agravados pela ocupação de parlamentares
envolvidos em graves denúncias de corrupção e “estimulados” a terem
os mandatos sob a proteção da velha prática de cooptação
governamental. Felizmente, parte dessa casta deprimente da classe
política ficou pelo caminho, repudiada nas urnas, mesmo com a
complacente intromissão do abuso de poder econômico.
Entretanto e infelizmente, alguns dessa podre vala da representação
política ascenderam ao poder e já ousam, sobre o manto da
impunidade, manifestar o grau de comprometimento com o jogo
imperial, mantendo aprisionadas as demandas essenciais da
sobrevivência digna e justa da maioria.
As entidades signatárias continuarão cumprindo seu papel de defender
os interesses de seus representados e acompanhar os atos das
autoridades públicas, com especial atenção ao Poder Legislativo,
exigindo o atendimento dos anseios da população. Esperam dos
senhores deputados, assim, uma legislatura que rompa com os vícios
do passado e que as dívidas sociais, tão presentes nas promessas de
campanhas de Vossas Excelências, sejam agora atendidas. Aguardam,
finalmente, que Vossas Excelências não tenham nenhuma tolerância
para com a ilegalidade, nem com a política de negociatas que tem
marcado a atuação de parte expressiva dos parlamentares dessa Casa.
Vitória, 1º de fevereiro de 2007.
Sindiprev/ES – Sindibancários - Sindipúblicos/ES – Sindpd – Sispmc –
Sintufes – Sindiupes - Dce/Ufes - Sindijudiciário – Sipojufes -
Intersindical - Sínteses - Sindisaúde - CUT/ES - Sindicomerciários –
Suport/ES - Psol - Mov. Sind. do PDT - CMS/ES (Coordenação dos
Movimentos Sociais) – MST – FASE - FAMOPES - UBM (União Brasileira
de Mulheres) - MNDH (Movimento Nacional de Direitos Humanos) - CDDH
(Centro de Defesa dos Direitos Humanos) – Sindmetal - Sindlimpe,
Sindaema – Sintraconst – Sindmármore - Associação de Moradores de
Serra Dourada II - Rede Alerta Contra o Deserto Verde - CA de lutas
Coletivas em Serviço Social da Univila - Associação Estadual de
Mulheres Negras Oborindudu - Comissão Quilombola de Sapé do Norte -
Instituto Elimu Cleber Maciel – ASSIM - ASDEC - Assinpol - ABRAÇO
(Ass. de Rádios Comunitárias do ES).
O ESPÍRITO SANTO TAMBÉM É BRASIL
Novo presidente da Assembléia Legislativa responde a dois processos
por improbidade administrativa
Paulo Carneiro
Foi revoltante acompanhar a festa cívica brasileira que marcou
o início da nova legislatura. Collor de Melo declarando
arrependimento dos erros cometidos com a justificativa de que errar
é humano e só com eles o homem aprende, refazendo juras de
patriotismo e dedicação às causas nacionais. Nem cadeia conserta
marginal. Maluf prometendo ajudar nos trabalhos de reconstrução do
país e na retomada dos caminhos da ética e da moralidade política.
Clodovil na glória desfilando um modelito exclusivo para a ocasião.
Uma dama usando um diminuto short apropriado para enfrentar o calor
das festividades. Meliantes e militantes agora portadores de
habeas-corpus irrevogável pelos próximos quatro anos mostrando seus
melhores sorrisos em afronta à justiça e ao povo.
RUFIÕES
Recebi muitas críticas por ter desmoralizado o Congresso
Nacional comparando a maioria dos senhores congressistas a rufiões.
Fiquei muito satisfeito, gratificado, recompensado. Aqueles
que não concordaram com os meus escritos, com todo direito, deveriam
repensar as suas opiniões e dirigir as suas críticas as Casa do
Congresso em Brasília, diretamente aos que recebem remunerações
clandestinas, vestem cuecas largas, promovem festins com o dinheiro
do povo, fazem turismo financiados pelo poder, nomeiam “ASPONES”,
amantes e concubinas e tudo mais a que têm direito como
representantes do povo.
FESTA DO MENSALÃO
Aos internautas revoltados sugiro que procurem saber detalhes
da festa da vitória do deputado Arlindo Chinaglia, que aconteceu na
madrugada da sexta-feira, 02/2, no Clube das Nações, as margens do
Lago Paronoá, regada a seletos vinhos italianos, uísque da melhor
qualidade e o tradicional chope nacional.
Dentre os participantes mais ilustres o ex-ministro e o agora
também deputado, Antonio Palocci, os colegas Jose Mentor e João
Paulo Cunha.
Na porta do clube o carro oficial que serve ao novo presidente.
Bem que Chinaglia poderia ter aproveitado a ocasião e economizado o
combustível pago pela nação, usando um táxi ou pegando carona com um
dos mensaleiros.
Dos mais animados, o deputado e presidente do PT, Ricardo
Berzoini, que arrasou na pista de dança mostrando ser um “pé” de
valsa. Só falta agora Berzoini mostrar os seus talentos artísticos
no plenário da Câmara Federal comemorando a aprovação de projetos
lulistas.
É tudo farinha do mesmo saco, ou da cumbuca de marimbondos,
gatos e ratos num balaio só. Ninguém tem dó do brasileiro
sobrevivente que se contenta com as sobras dos lixões e a água das
chuvas.
MENTIRAS JUSTIFICADAS
Na primeira entrevista exclusiva (só poderia ser a Rede Globo)
o petista e agora presidente da Câmara Federal, Arlindo Chinaglia,
tranqüilamente enfrentou as alfinetadas dos entrevistadores.
Perguntado se manteria a sua promessa de quebrar o espelho
retrovisor, esquecer o passado de lama e não mais remexer o baú dos
ossos que escondem os escândalos de 2006, assim respondeu:
“Candidato só fala o que interessa aos eleitores. O que eu disse em
campanha não pode ser levado à conta do que eu penso”.
Réu confesso da mentira a segunda pessoa na linha de sucessão
da República deixa a nação com a pulga atrás da orelha. De tudo que
o novo presidente declarar de agora por diante em que podemos
acreditar?
INDEPENDÊNCIA E AUTONOMIA
Dizem que logo depois de anunciado o resultado da eleição Lula
se refugiou para extravasar a sua alegria. Não podia ser visto, no
entanto, tem quem jure que o “pai dos pobres” cantava assim: ta
dominado, ta tudo dominado.
No primeiro mandato o número total de MPs registrou a média de
uma em cada três dias. E neste mandato? Como o poderoso chefão tem
mania de grandeza, posso esperar, também com muita tranqüilidade,
que a média seja superada, talvez, cinco ou seis de dois em dois
dias. Fala Lula recordista, com ele não tem mais nem meio mais, é
tudo ou tudo. Cabra macho da peste.
Acreditar que a Câmara Federal será um poder autônomo e
independente será o mesmo que acreditar em papai-noel, fadas e
duendes. Deus, se vós sois mesmo brasileiro, tende piedade deste
povo que não escolheu nascer nesta terra. Manda outra ditadura
urgente. É preferível, pelo menos ditador não usa disfarce, escravo
que ousar protestar vai pro tronco, morre confinado em frigoríficos,
se preferir pode escolher o esquartejamento. Nossa história guarda a
memória de muitos modelos
ES TAMBÉM É BRASIL
A posse dos novos deputados e a eleição da nova Mesa Diretora
da Assembléia Legislativa do Espírito Santo foram eventos que não
ficaram devendo nada a festa de Brasília. Pra início de conversa não
houve, como se espera numa democracia, um número de candidatos
representando as diversas tendências políticas ou as proclamadas
linhas ideológicas. Fisiologismo puro, o que explica a formação de
um “blocão”, designação bem apropriada em tempos de carnaval.
Esse fato restou evidente logo após a aclamação da chapa única,
com a honrosa exceção da bancada do PT (2). Para encontro de uma
decisão de consenso, entre outros importantes temas do mais alto
interesse da população capixaba foram discutidos: 1) total, geral e
irrestrito apoio ao governador; 2) solidariedade absoluta na defesa
dos mandatos dos atuais legisladores; 3) manutenção do número de
cargos comissionados e igual participação de cada parlamentar na
indicação dos nomeados; 4)nenhum corte nas verbas e mordomias dos
gabinetes, pelo contrário, já existem propostas para aumentar as
despesas.
COMEMORAÇÕES
Terminadas as solenidades e a eleição as comemorações tiveram
início em muitos dos gabinetes, nas próprias dependências da
Assembléia. Acepipes refinados e muita bebida, champanhe e até
uísque. O resto foi em locais incertos e não sabidos, segundo
informantes, as festas foram altamente badaladas.
30% RESPONDEM À JUSTIÇA
Devemos iniciar citando o deputado Guerino Zanon. O novo
presidente está indiciado em duas ações abertas pelo Ministério
Público por improbidade administrativa, através de investigações dos
seus atos como prefeito do município de Linhares, no norte do
Estado.
O parlamentar não é o único, mais sete senhores deputados,
reeleitos ou debutantes, lhe fazem companhia pela prática de vários
ilícitos.
Também na sua primeira entrevista, exclusiva, ao “Bom Dia
Espírito Santo”, da TV Gazeta (afiliada da Rede Globo), Guerino
declarou sentir-se muito confortável para presidir O Legislativo
estadual e tranqüilo quanto a provar a sua inocência na justiça.
Quanto a sua posição sobre as denúncias passadas (2006) e,
porventura, de novas denúncias de corrupção, ou do excesso de
mordomias da Casa, do número inacreditável de cargos em comissão e
outras mazelas, o deputado respondeu que ainda é cedo para
responder, porém, mandará que tudo seja esclarecido e se for
necessário tomará as devidas providências no tempo certo.
Enquanto o burro pensa e a porca torce o rabo, o povo chupa o
dedo, fica de castigo ajoelhado sobre o milho das desigualdades e
chora suas tristezas e mágoas escondidas nos guetos.
PERDÃO SENHOR
Se me perguntarem se existe terra mais linda do que o
Espírito Santo eu responderei que, pode existir igual, duvido que
outro lugar possa ser mais lindo e acolhedor e habitado por um povo
tão nobre, trabalhador e fraterno.
No resto, o Espírito Santo também é Brasil. Assim sendo, não
restando alternativa ao cidadão o melhor conselho que posso lhe dar
é que tenha fé, acredite em milagre, ore e peça ajuda ao criador,
diga ao senhor que perdoe aos pecadores porque eles não sabem o que
dizem, muito menos sabem o que fazem.
TODO PODER EMANA DO POVO
Se isso for verdade, sugiro que a OAB, o glorioso templo de
defesa do direito, represente o povo brasileiro na exigência de que
sejam revogadas, imediatamente, todas as leis e alegorias jurídicas
que protegem agentes políticos de serem processados e julgados como
qualquer cidadão comum.
Que ao mesmo tempo, seja expressamente vetado, aos quem
respondem processos na justiça, registros de candidaturas para
eleições de qualquer natureza, de síndico de edifício à presidente
da República.
E, finalmente, que qualquer um que tenha sido indiciado e
esteja respondendo a processo criminal, seja afastado do cargo ou
função pública que esteja exercendo, perdendo o direito ao
recebimento de qualquer remuneração ou benefício, até o término da
Ação e sentença prolatada em caráter definitivo e irrecorrível. Se o
veredicto for a absolvição que os requeridos sejam indenizados, se
for a condenação, que sejam jogados nos mais desumanos presídios
como qualquer criminoso “pé” de chinelo.
GOVERNADOR REFÉM
No Espírito Santo uma coisa temos que admitir, o governador
Paulo Hartung, em quatro anos de mandato realizou mais milagres do
que governou. Conseguiu reconstruir um Estado arrasado pelos
políticos imorais, pelas organizações do crime organizado, coberto
de dívidas acreditadas impagáveis, mantenedora de um quadro de
servidores desmotivados e insubmissos.
O estado que há bem pouco tempo era um ponto obscuro no mapa
do Brasil, hoje, podemos afirmar, é um dos mais importantes membros
federativos da República.
Claro que não foi só competência do governador, que igualmente
reconhecemos, deve-se muito a reconstrução do Espírito Santo a sua
localização estratégica e razoáveis condições infra-estruturais de
conduzir boa parte do fluxo do movimento de importação e exportação
nacional.
Esse privilégio foi responsável direto pelo sucesso do
crescimento industrial. Não foi o Estado que atraiu as grandes
empresas, foram estas que descobriram as vantagens do Espírito Santo
para localização dos seus empreendimentos.
Resta por último o milagre da descoberta (que faz séculos já
era conhecida) das bacias petrolíferas localizadas no litoral
capixaba, sendo que a de Roncador havia sido indebitamente
apropriada pelo Rio de Janeiro como se pertencesse ao município de
Campos.
Competência ou milagre, não importa, o atual governador em
repetição de mandato, até agora, merece ser homenageado como o
melhor de todos na história estadual. E merece essas homenagens não
só dos capixabas, mas sim, de todos os brasileiros pela elevada
contribuição que o Espírito Santo tem oferecido ao crescimento
econômico do país.
No entanto, daí a alguém pretender assegurar que Paulo Hartung
derrotou a criminalidade local é um grande disparate, que só pode
ser contido na cabeça de imbecis ou interessados na divulgação da
mentira.
Apesar de todo esforço e dedicação dos novos promotores e
procuradores dos Ministérios Públicos, dos corretos agentes da
polícia e da receita federal, os grandes líderes das máfias
capixabas continuam desfilando livremente em todos os escalões das
nossas instituições e nos mais seletos meios sociais deste Estado.
Depois de acompanhar os eventos que abrilhantaram a festa da
democracia é impossível acreditar que exista um só governador que
exerça seu mandato com liberdade e autonomia. Então sou obrigado o
que me disse em entrevista exclusiva o então presidente da ditadura,
João Figueiredo: “Paulo, no Brasil presidente não preside,
governador não governa e prefeito não administra. Todo mundo manda e
quem ocupa o trono só faz o que lhe é permitido”.
Quem sou eu para dizer ao contrário. Olhando quem viaja ao lado
do governador só posso imaginar que ele vive o mesmo drama. Sem
poder andar só e ser obrigado a andar em más companhias.
MURO DA VERGONHA
Na cidade de Santa Catarina (RS), proprietários de imóveis de
um condomínio de luxo construído ao lado de uma invasão, mandaram
erguer um muro de proteção contra pobre, e agora os moradores
carentes do gueto são obrigados a andar mais um quilômetro para
chegar aos locais de trabalho, fazer compras de últimas
necessidades (pobre nunca tem primeiras), ou buscar socorro médico.
ATÉ UMA PRÓXIMA OPORTUNIDADE SE DUS QUISER E SE ELES DEIXAREM.
COM TODA ERTEZA, DEPOIS DE MIM, VIRÃO OUTROS.
Paulo carneiro
Outros artigos |