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Comunico ao falecimento do meu grande mestre no cinema Ozualdo Rodrigues Candeias, com quem tive o prazer de aprender o que é uma idéia na cabeça e uma câmera na mão.
Participei como personagem de um dos seus filmes _ A bela da bilingues, da trilogia "A Margem" - ganhador do festival de Roterdãm (Holanda). Era a aprendiz , vendo-o fotografar e filmar tantos outros. Na moviola com ele aprendi a editar uma pelicula - montar e revisar.
Candeias era meu amigo, mestre e poeta da fotografia. Fui por ele fotografada e também estou como personagem por ele documentado no seu ultimo livro _ A boca do Lixo.
Hoje pela manha, ao ler o email do jornalista e fotógrafo Armando Rozário, olhando a câmera numa imagem, lembrei-me de Candeias - minha trajetória como artista e tudo que sei como cineclubista assistindo centenas de filmes quando era menina na Dinafilmes - Distribuidora Nacional de Filmes do Movimento Cineclubista Brasileiro.
Nem imaginei encontrar esta noticia no site do Estadão.
Meu coração disparou, a emoção é grande, mas sei o que o mestre irá ao encontro de tantos outros como Glauber, Denoi de Oliveira....que não se calaram as barbaries, a exclusão social, a degradação ambiental, e gritaram com suas cameras fotográficas, com seu cinema marginal as mazelas deste nosso brasil.
Ficará para a sempre a honra de ter sido testemunha de sua história e uma de suas personagens femininas - um amigo que tenho certeza, veio pela manhã me avisar_ "Amyra, eu vou, mas você continuará por todos nós!"
Alhamdulilah!
(Graças a Deus)
Amyra El Khalili - sambadoventre@terra.com.br
Editora Rede para Difusão da Cultura Àrabe-Brasileira
Samba do Ventre
Morre Ozualdo Candeias, o papa do cinema marginal
Antes de ser diretor, roteirista e produtor, ele foi mecânico, taxista e caminhoneiro
Vidal Cavalcante/AE
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| O cineasta Ozualdo Candeias (1918-2007) |
SÃO PAULO - O diretor, roteirista e produtor paulista Ozualdo Candeias, que foi mecânico, taxista e caminhoneiro antes de ser cineasta, morreu às 15 horas desta quinta-feira, vítima de insuficiência respiratória no Hospital Brigadeiro, segundo informou sua família, sem maiores detalhes. O cineasta será velado a partir das 21 horas no velório da Beneficência Portuguesa. Tinha 88 anos.
Considerado o papa do cinema marginal, era cultuado por seu filme de estréia, A Margem , de 1967. Mas sua produção caiu no esquecimento, até ser lembrado alguns anos atrás em retrospectiva no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, por ocasião de seus 80 anos. Recentemente também, um documentário em curta-metragem, Candeias: da Boca pra Fora (2002), de Celso Gonçalves, premiado no Festival de Brasília, destacou sua trajetória com declarações de amigos e críticos de cinema que trabalharam com ele como os diretores Carlos Reichenbach e os críticos Zé do Caixão, Jairo Ferreira e Inácio Araújo.
Nos anos 50 Candeias saiu pelo interior com uma câmera 16 mm fazendo documentários como Tambaú: Cidade dos Milagres e depois Polícia Feminina (1960), Ensino Industrial (1962), A Visita da Velha Senhora (1976) e Boca do Lixo: Cinema (1977).
"Candeias era, talvez, o nome mais representativo do Cinema da Boca do Lixo, que se fez na região onde hoje fica a atual Cracolândia, no Centro de São Paulo, em especial na rua do Triunfo", escreve em seu blog o crítico do Estado Luiz Zanin Oricchio.
Candeias também foi produtor, respondendo por Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967), de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, entre outros. Dirigiu ainda A Herança (1971), Caçada Sangrenta (1973), As Belas da Billings (1987). Seu último filme foi realizado em 2002, um longa-metragem, O Vigilante , que ganhou o prêmio especial do júri no Festival de Brasília.
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